Inova Bioindústria Amazônica une ciência, talentos e indústria para acelerar inovação sustentável

Acordo reúne governo, indústria e instituições de pesquisa para desenvolver projetos de inovação aplicada, formar talentos e fortalecer cadeias produtivas sustentáveis na Amazônia Legal

Foto: Gabriel Pinheiro / CNI

A integração entre conhecimento científico, talentos qualificados e demandas do setor produtivo orientam o Programa Inova Bioindústria Amazônica. A iniciativa foi formalizada por meio de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) e a Ação Pró-Amazônia. A assinatura ocorreu em 22 de junho, na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília 

A superintendente nacional do IEL, Sarah Saldanha, destaca que o ACT estabelece as bases para uma atuação coordenada e de longo prazo. “Temos agora uma agenda concreta para levar inovação aplicada às cadeias da bioindústria amazônica; vamos conectar empresas, pesquisadores e instituições em torno de resultados econômicos e sociais”, afirma. Segundo ela, a cooperação amplia a capacidade de transformar potencial em valor, com foco em competitividade e sustentabilidade.  

A secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC, Julia Cruz, ressalta que a parceria materializa uma visão contemporânea de política industrial, que reconhece a inovação aplicada como vetor central. “Sustentabilidade ambiental e social atuam como vetores de competitividade. A bioeconomia precisa de instrumentos para efetivar o potencial do país, e a Amazônia tem papel central nesse processo”, afirmou. Julia lembrou ainda que a região concentra ampla disponibilidade de biomassa e biodiversidade, com potencial para gerar valor agregado e novos negócios para a indústria nacional. 

Sarah Saldanha, superintendente nacional do IEL, destaca que o programa conecta empresas, pesquisadores e instituições para transformar inovação em competitividade e sustentabilidade na Amazônia. Foto: Augusto Coelho / CNI

Sustentabilidade aliada a competitividade industrial 

Alinhado ao Plano Nacional de Bioeconomia e à Missão 5 da Nova Indústria Brasil (NIB), que tem como objetivo o desenvolvimento da bioeconomia, descarbonização, transição e segurança energéticas para garantir os recursos para as futuras gerações, o programa está estruturado em dois eixos. O primeiro é o Inova Amazônia, que prevê a inserção de pesquisadores, por meio do Inova Talentos do IEL, em projetos de inovação aplicada desenvolvidos em empresas, associações e cooperativas. O segundo diz respeito aoo Valor Amazônico, voltado à qualificação e ao desenvolvimento de fornecedores locais das cadeias produtivas regionais, por meio do Programa de Qualificação de Fornecedores (PQF) do IEL.  

Para a presidente da Ação Pró-Amazônia e da Federação das Indústrias de Roraima (FIER), Izabel Itikawa, o acordo representa um marco. “A Amazônia é um berço de oportunidades. Este acordo ajuda a destravar a vocação empreendedora da região com respeito à sustentabilidade e à competitividade”, afirma, ao destacar o protagonismo dos estados amazônicos na construção de uma bioeconomia forte e soberana.  

A pesquisa acadêmica é apontada como base essencial para a inovação industrial, ao fornecer conhecimento capaz de elevar produtividade, agregar valor aos recursos naturais e ampliar a competitividade do país. Quando conectada às demandas reais das empresas, a ciência aplicada acelera a transformação de descobertas e transforma em soluções, produtos e novos modelos de negócio.  

Essa conexão entre academia e indústria é ressaltada pelo presidente do Instituto Amazônia+21 e da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), Marcelo Thomé, como um fator decisivo para converter conhecimento em desenvolvimento econômico. “A Amazônia inteira acumula diversos projetos de pesquisa, mas pouco disso é convertido em negócio ou produto. Acredito que esse seja um dos nossos grandes desafios: fazer a conexão entre a pesquisa e o translado dos resultados para o mercado. Essa parceria vai permitir, de fato, a construção de caminhos efetivos para essa transformação”, pontua.  

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Antônio Silva, a iniciativa fortalece o ambiente de negócios regional. “O acordo cria condições para inovação com impacto real na indústria amazônica”, diz Silva. 

Izabel Itikawa, presidente da Ação Pró-Amazônia e da FIER, assina o acordo que marca uma nova etapa para a bioeconomia, a inovação e o desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal. Foto: Augusto Coelho / CNI

Metas, alcance e impacto esperado 

Com vigência de cinco anos, o Programa Inova Bioindústria Amazônica projeta resultados expressivos, como a execução de 400 projetos de inovação aplicada, a inserção de 450 pesquisadores e o atendimento direto a pelo menos 250 organizações da Amazônia Legal. A governança prevê cooperação técnica entre os participantes do ACT, apoiada por instrumentos jurídicos específicos.  

A abrangência é nacional, com ênfase estratégica na Amazônia Legal, contemplando nove estados que concentram os principais desafios e oportunidades da bioindústria amazônica. Entre os benefícios do programa estão a promoção da inovação sustentável e da bioeconomia; a conexão de talentos com empresas e cooperativas por meio da ciência aplicada; o fortalecimento de cadeias produtivas e da geração de valor na região; o desenvolvimento de fornecedores locais; o aumento da competitividade industrial; a contribuição para a NIB e a descarbonização; além do apoio ao desenvolvimento regional sustentável.  

Ao consolidar esforços entre governo, indústria e instituições de ciência e tecnologia, o acordo inaugura uma nova etapa de articulação prática para acelerar a bioindustrialização da Amazônia Legal, com foco em inovação, sustentabilidade e desenvolvimento regional. 

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