Ampliar investimentos em tecnologia, acelerar a transformação digital, buscar o aumento da produtividade e da competitividade da produção nacional. O objetivo é consenso entre os atores do setor produtivo que buscam fortalecer a política industrial no país.
O tema foi destaque da segunda edição do evento “Brasil Industrializado – Inovação, Produtividade e Competitividade para a Nova Indústria”, promovido pelo Portal Metrópoles, em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), nesta quinta-feira (2), em Brasília.
O talk reuniu representantes do governo federal e do setor produtivo para debater a necessidade de uma política industrial de estado e a importância da inovação para o desenvolvimento econômico.
Os avanços da Nova Indústria Brasil (NIB)
Um dos temas centrais do talk, a Nova Indústria Brasil (NIB) chegou a R$ 750 bilhões disponibilizando um conjunto de programas e instrumentos complementares voltados a enfrentar gargalos da estrutura produtiva brasileira, com a busca de avanços concretos ao direcionar recursos públicos e estimular o investimento privado.
A política pública é a atual política de desenvolvimento industrial do governo federal, lançada em 2024 com vigência até 2033 e que tem o foco na neoindustrialização.
Para a gerente de Desenvolvimento e Inovação Industrial da CNI, Paula Nadai, a NIB tem sido uma política essencial para o setor produtivo e que as indústrias têm o papel fundamental de fazer “a NIB acontecer”.
Para isso, ela afirmou que a CNI tem defendido o aprimoramento dos instrumentos de financiamento na área de inovação, como a Lei do Bem e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), e apoiado as indústrias levando informações sobre acesso a crédito e capacitação.
“A CNI realizou a Jornada Nacional da Inovação e ouviu mais de cinco mil pessoas em todo o país. Todas essas informações que discutimos aqui, acabam não chegando na ponta. E precisamos ajudar os empresários a acessar esses instrumentos que estão disponíveis”, completou.
Nesse sentido, Diones Cerqueira, assessor econômico do Sistema da Federação das Indústria do Distrito Federal (FIBRA), ponderou a necessidade de descentralização da NIB. “Olhando para o Brasil, precisamos de uma percepção mais clara sobre a perspectiva regional, pois ela ainda teve pouco estímulo dentro desse escopo.”
Entre os principais resultados da NIB, o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira, comentou sobre os aportes para a área de inovação e tecnologia que têm impulsionado o setor produtivo e explicou os avanços dos programas como o Brasil Mais Produtivo e o Plano Mais Produção.
“Política pública a gente constrói e aprimora. E é isso que estamos fazendo com a NIB. O que buscamos é criar um ecossistema inovacional para que possamos aumentar a produtividade, a eficiência energética e a competitividade, por meio da transformação digital e do uso de tecnologias inovadoras nacionais”, destacou.
Uma política industrial de estado que impulsione a capacitação e o mercado competitivo
Maicon Lacerda, gerente de Negócios de Inovação e Tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), afirmou que o dever da instituição é oferecer o direcionamento técnico necessário para que as políticas públicas de reindustrialização sejam implementadas com sucesso diretamente na ponta.
Sobre a busca por eficiência, Lacerda destaca a importância de estratégias que otimizem os recursos. “Buscamos sempre um caminho que exija o mínimo de esforço para gerar o maior resultado possível. Muitas vezes, a empresa faz um bom planejamento e tem uma ótima estratégia de novos produtos, mas, sozinha, ela dificilmente consegue gerar o impacto necessário para se tornar verdadeiramente competitiva.”
Para preencher essa lacuna, ele defende que o foco deve estar na identificação de fatores internos e, crucialmente, na formação de pessoas. “Precisamos capacitar os trabalhadores para novas ocupações, especialmente aquelas voltadas às novas tecnologias que estão surgindo”, pontuou.
Ao imaginar uma perspectiva de cinco anos, Jackson de Toni, assessor especial da Presidência da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), concluiu dizendo que o Brasil tem retomado os investimentos no setor produtivo, mas ainda é necessário que a política industrial se torne um projeto de Estado para que os indicadores possam ser promissores.
“Queremos para daqui cinco anos uma política industrial de Estado e que o empresário possa ter acesso simplificado ao crédito para modernizar o seu negócio”.



