CNI defende revisão de modelos de financiamento à pesquisa e inovação no Brasil

Instituição propôs aos pré-candidatos à Presidência da República uma agenda focada na formação e retenção de talentos para fortalecer a soberania tecnológica do país

Foto: Iano Andrade/CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou os pré-candidatos à Presidência da República sobre a urgência de se criar uma agenda voltada à formação, retenção e atração de profissionais altamente qualificados. A medida foi apontada como um dos pilares para fortalecer a soberania tecnológica e a competitividade do Brasil nos próximos anos.

Para que isso seja viável, a entidade defende uma revisão profunda nos atuais modelos de financiamento à pesquisa e inovação, incluindo a criação de uma linha estrutural de longo prazo (basic funding) direcionada a projetos de pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico feitos em parceria com o setor privado.

A proposta integrou o documento “Construindo o Brasil 2050”, entregue aos pré-candidatos ao governo federal durante o evento “A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis”, realizado em 22 de junho

Apesar de o país contar com infraestruturas científicas de classe mundial, o cenário de repasses apresenta gargalos. Atualmente, o investimento brasileiro em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) permanece estagnado em 1,19% do Produto Interno Bruno (PIB), menos da metade da média observada nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Para o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Jefferson Gomes, o Brasil precisa criar condições para que pesquisadores, cientistas e profissionais altamente qualificados encontrem oportunidades de inovar no próprio país.

“Ao garantir o basic funding para laboratórios, Institutos de Ciência e Tecnologia e redes de inovação focadas em demandas reais da indústria, o país cria um ambiente de estabilidade capaz de reter os talentos de elite em solo nacional e converter o conhecimento acadêmico em patentes e ativos econômicos”, destaca.

O país enfrenta um desafio crescente para transformar sua capacidade acadêmica em verdadeiro desenvolvimento econômico. “Embora o Brasil forme pesquisadores de alto nível, parte desse capital humano acaba migrando para o exterior ou permanece distante das demandas da indústria, reduzindo o retorno dos investimentos realizados em educação, ciência e tecnologia”, explica o diretor.

A ampliação de doutorados industriais, por exemplo, pode ser um incentivo para que pesquisadores atuem diretamente em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação dentro de empresas. A iniciativa busca reduzir a distância entre a produção científica e as necessidades da indústria, aumentando a geração de patentes, produtos e soluções tecnológicas desenvolvidas no país.

A CNI também defende a criação de centros de excelência com governança público-privada em áreas estratégicas como inteligência artificial, computação quântica, biotecnologia e segurança cibernética. A proposta é que esses ambientes reúnam infraestrutura de ponta, financiamento estável e pesquisadores e empresas em torno de desafios tecnológicos de relevância nacional.

Outro eixo da agenda é a implementação de programas de atração e repatriação de talentos. A proposta cobra a criação de mecanismos para estimular o retorno de pesquisadores brasileiros que atuam no exterior, além da formação de redes permanentes de colaboração para ampliar a transferência de conhecimento e a cooperação internacional.

Dados analisados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) mostram que apenas 0,3% da população adulta brasileira possui doutorado, índice inferior à média de 1,3% de países membros da OCDE. 

“A adoção dessas medidas é essencial para enfrentar o déficit de profissionais qualificados em áreas tecnológicas estratégicas e aumentar a capacidade de absorção de tecnologias avançadas pela indústria brasileira. O governo precisa encarar isso como uma prioridade e um eixo estruturante para o desenvolvimento”, reforça o diretor.

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