Quinhentos representantes de indústrias e institutos de pesquisa brasileiros participam do Challenge of Innovation, conferência com 11 pesquisadores do Massachussets Institute of Technology (MIT) em que serão abordadas oportunidades de parcerias para alavancar a inovação nas empresas. Os especialistas falam de temas que vão desde inovação em redes abertas até nanotecnologia usada na medicina e energias renováveis.
Essa é a segunda conferência do tipo promovida pelo MIT no Brasil, com formato aberto a empresários. A primeira - realizada ano passado em Florianópolis - reuniu 260 participantes. A ampliação indica o interesse da indústria brasileira para o instituto, que também iniciou, em 2012, diálogo com o governo para a criação de um centro de pesquisas no país.
Na visão do diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Rafael Lucchesi, essa é uma oportunidade para corrigir um traço arraigado na cultura de inovação brasileira, pautada mais pelo o que laboratórios oferecem como serviços inovadores do que pela necessidade da indústria. "É na inovação que o Brasil deve apostar para fazer diferença no cenário mundial. Esse é o caminho mais rápido para chegar ao desenvolvimento", afirmou Lucchesi na palestra de abertura.
PARCEIRA - A Natura, uma das empresas brasileiras que já trabalha com o MIT, despertou para essa necessidade. Em 2012, a empresa ingressou como representante brasileira no laboratório de pesquisa de tecnologias digitais - o Media Lab - do MIT. Por meio dessa parceria, a empresa aposta em inovação aberta, que propõe a articulação da comunidade científica e também de parceiros empresariais. Assim, amplia o acesso a novas ideias e talentos.
O diretor de Desenvolvimento de Produtos Gestão de Riscos da Natura, Victor Fernandes, que participou da primeira rodada de discussões, confirma a qualidade e os resultados do sistema de inovação oferecido pelo MIT. "Há um importante diferencial da relação com o MIT, se comparado a outros institutos de pesquisa. Não chegamos lá com uma pergunta pronta. As soluções são alcançadas de forma compartilhada", contou.
Também presente ao debate, o gerente-executivo de inovação do SENAI, Jefferson Gomes, ressaltou que um dos desafios no Brasil é fazer com que a inovação possa impulsionar não apenas as grandes indústrias, como a Natura e a Vale, também parceira do MIT, mas também as pequenas.
Nesse sentido, Rafael Lucchesi lembrou os esforços conjuntos entre os setores privado e público em torno do tema. Em março, foi lançado o plano Inova Empresa, por meio do qual serão destinados R$ 32,9 bilhões para impulsionar, por meio da inovação tecnológica, a produtividade e a competitividade em setores da economia. "Além disso, temos a expectativa do início das atividades da Embrapii, que deve iniciar um novo ciclo na relação entre indústria e institutos de pesquisa", acredita.
PROGRAMAÇÃO - O evento é realizado pela Fundação Certi em parceria com o SENAI.
NOTÍCIAS RELACIONADAS:
07.05.2013 - Processo inovador deve ser contínuo nas empresas
07.05.2013 - Diretor do Media Lab do MIT defende a inovação de baixo custo




