CNI defende agenda estruturada para que o país tenha ampla cobertura de saneamento até 2033

Diretor da CNI participou de eventos da Abcon em São Paulo. Ele defende que estados que ainda não fizeram concessões de serviços de saneamento sejam cobrados para que o país atinja a universalização até 2033

Foto: Iano Andrade/CNI

Impulsionado pelo marco legal do saneamento básico, o setor avançou nos últimos anos, mas ainda enfrenta desafios para ampliar os investimentos, reduzir desigualdades regionais e garantir a universalização dos serviços. O tema foi debatido nesta quarta-feira (12) durante o Encontro Nacional das Águas e o Saneamento Brasil Summit, promovidos pela Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), em São Paulo.

O diretor de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Roberto Muniz, pontuou que o marco legal, publicado em 2020, teve papel fundamental na transformação do ambiente de investimentos no setor. Segundo ele, a legislação abriu uma nova trilha para a universalização, ao criar condições para uma maior participação privada. “Um país que tem saneamento é um país melhor, mais justo e com mais possibilidade de desenvolvimento”, afirmou.

Muniz observou, no entanto, que ainda há um longo caminho para a universalização do saneamento até 2033, conforme prevê o marco legal. Ex-presidente executivo da Abcon, ele defende uma agenda nova estruturada, a partir de 2027, para que estados que ainda não fizeram concessões de serviços de coleta/tratamento de esgoto e abastecimento de água sejam convocados e cobrados para aprovar novos planos.

Atualmente, 2.720 municípios têm prestadoras privadas de saneamento básico, o que representa 48,8% das cidades brasileiras. “O desafio agora é consolidar esse novo ciclo e criar uma resposta institucional coordenada, capaz de aproximar indústria, empresas de saneamento e poder público”, enfatizou.

Para o diretor da CNI, o ambiente ainda é considerado desafiador, especialmente diante das elevadas taxas de juros e da necessidade de garantir segurança regulatória e sustentabilidade financeira aos contratos. “O fantasma do atraso não foi embora, o que mudou é que os investimentos aumentaram. Temos uma agenda que precisa ser fortalecida. Não podemos baixar a guarda”, afirmou.

Foto: Abcon/Divulgação

Custo Brasil e déficit de infraestrutura

Roberto Muniz destacou que o déficit de infraestrutura é um dos principais fatores do Custo Brasil, estimado em R$ 1,7 trilhão por ano. Esse conjunto de deficiências estruturais, burocráticas e econômicas atrapalha os negócios, encarece a produção e desestimula os investimentos, comprometendo o bom desempenho da economia nacional.

Segundo o diretor, R$ 300 bilhões desse valor são relacionados aos problemas de infraestrutura. “O Brasil deveria investir ao menos 4% do PIB em infraestrutura, mas hoje investe apenas cerca de 2%, sendo quase 70% desses recursos pelo setor privado”, disse. Ele mencionou que a China, por exemplo, investe 6,1% do PIB em infraestrutura e Índia, 4,5%.

O presidente do Conselho de Administração da Abcon, Paulo Roberto de Oliveira, reforçou a necessidade de uma construção conjunta para os próximos anos. Segundo ele, a expectativa é que, a partir de 2027, o setor entre em um novo ciclo de investimentos e implementação, com o objetivo de chegar a 2033 com o país universalizando os serviços de saneamento ou muito próximo dessa meta. “Precisamos juntos construir esse caminho a ser percorrido”, alertou.

Na avaliação da diretora-presidente da Abcon, Christianne Dias, o próprio debate sobre a universalização mudou de patamar nos últimos anos. Segundo ela, a distância entre as metas estabelecidas pelo marco legal e a contratação dos serviços reduziu, sendo que o debate atual gira em torno das condições necessárias para que os contratos sejam efetivamente executados. “Hoje, a pergunta que nos reúne é: como garantir as condições para que os contratos sejam executados e se convertam em atendimento para a população”, destacou. 

O ministro das Cidades, Vladimir Lima, disse, por sua vez, que nota avanços em direção à universalização. “Estamos falando de infraestrutura, saúde, dignidade, proteção ambiental, proteção aos nossos mananciais, produtividade econômica, geração de emprego e renda, e qualidade de vida para a nossa população”, disse.

Relacionadas

Leia mais

Quando a infraestrutura esbarra na ideologia e no interesse eleitoral, quem sofre é população da Amazônia
Conselho de Infraestrutura da CNI alerta que burocracia para executar obras impede o Brasil de crescer
Conselho de Infraestrutura da CNI debate entraves da Convenção 169 ao desenvolvimento do país

Comentários