COP30: setor privado e Lula discutem transição energética e cumprimento das metas climáticas

Setor privado entregou ao presidente o Legacy Report, da SB COP, que consolida recomendações para negociações da Conferência e apresenta caminhos para acelerar agenda da sustentabilidade no Brasil

Foto: Augusto Coelho / CNI 

Na reta final da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) participou de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Blue Zone da conferência. No fim da tarde desta quarta-feira (19), o presidente da Federação das Indústrias do Pará (FIEPA), Alex Carvalho, e o chair da Sustainable Business COP (SB COP), Ricardo Mussa, se reuniram com Lula para mostrar como o setor privado tem sido um motor essencial para impulsionar a inovação e o investimento que contribuem para uma economia de baixo carbono.

Eles aproveitaram a ocasião para entregar ao presidente o Legacy Report, documento que consolida as recomendações do setor privado para as negociações da Conferência e apresenta caminhos concretos para acelerar a agenda da sustentabilidade no Brasil. Segundo Alex Carvalho, a entrega teve forte simbolismo.

“Foi um momento muito rico no qual tive a honra de representar o nosso presidente Ricardo Alban [presidente da CNI]. Pudemos entregar ao presidente Lula o Legacy Report, compilado de tudo o que foi construído na SB COP e vimos o amplo reconhecimento das autoridades sobre a importância do papel da indústria brasileira liderando esse movimento”. 

Ricardo Mussa classificou a reunião com o presidente como “maravilhosa”, ressaltando a presença de diversas autoridades, como a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, o ex-ministro Roberto Rodrigues, o ministro das Cidades Jader Filho, prefeitos e especialistas presentes na COP30. Segundo ele, o trabalho do SB COP recebeu grande reconhecimento no encontro. 

De acordo com Mussa, o esforço do engajamento empresarial foi destacado pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago, que elogiou a iniciativa da CNI de “colocar a SB COP de pé”. Ele afirmou ainda que o trabalho foi apresentado a Lula como “uma das grandes inovações que o Brasil entregou aqui na COP”, configurando um legado importante para o próximo ciclo de conferências. 

"A mensagem que o presidente deixou para a gente nessa reunião foi primeiro de orgulho... também de implementação e da participação no setor privado, que ele é capaz de manter o multilateralismo de pé e que o papel do setor privado é imperativo para isso”, resumiu o chair da SB COP.

A publicação entregue ao presidente apresenta uma trajetória de desenvolvimento para a Amazônia, com potencial de acrescentar R$ 40 bilhões ao PIB, criar 312 mil empregos e conservar 81 milhões de hectares de floresta. 

O encontro ocorreu em um dos momentos mais decisivos da COP30, quando os países tentam destravar trechos sensíveis das negociações e avançar em temas como financiamento climático, inovação, agricultura de baixo carbono e o futuro dos combustíveis fósseis, pauta que o governo brasileiro quer ver fortalecida nas próximas conferências. Durante a reunião, Lula reforçou a importância da Amazônia no processo de desenvolvimento sustentável. 

“O presidente destacou como foi correta a escolha de Belém para sediar a COP, mostrando as oportunidades que a região oferece como parte da solução para o futuro do país. Ele também reforçou que o Brasil não se resume ao Rio e a São Paulo e que a indústria tem papel central na geração de empregos dignos e na transformação da realidade”, afirmou o presidente da FIEPA.

A agenda energética também esteve em foco, com perspectiva de novos investimentos. “Tivemos uma conversa muito interessante sobre as estratégias relacionadas ao capital recentemente anunciado para investimentos em energia. O setor energético brasileiro se posiciona como um grande player global, continuou Alex.

Também participaram da reunião:

  • Diretora executiva da COP30, Ana Toni
  • Campeão Climático de Alto Nível da COP30, Dan Ioschpe
  • Vice-presidente executivo de Assuntos Jurídicos da Vale, Sami Arap
  • Diretor de Relações Institucionais da Vale, Kennedy Alencar
  • Governador do Pará, Helder Barbalho
  • Prefeito de Belém, Igor Normando
  • Prefeitos de outros municípios da região metropolitana de Belém

Painéis destacam avanços e desafios da indústria

Ao longo do dia, a CNI manteve uma agenda intensa no estande na Blue Zone, com debates sobre sistemas alimentares, transição industrial e métricas climáticas.

Na abertura, o painel da PepsiCo, moderado por Ricardo Mussa, discutiu caminhos para tornar os sistemas alimentares mais resilientes às mudanças climáticas, com participação de especialistas do IPAM, EMBRAPA e Prefeitura de Belém.

Na sequência, o painel da ALBRAS, moderado por Janaina Donas, reuniu representantes da Hydro, IBRAM, FIEPA e ABRACE para discutir a transição da cadeia do alumínio rumo ao baixo carbono, destacando a necessidade de energia limpa e inovação tecnológica para manter a competitividade do setor.

O SENAI conduziu o debate seguinte, centrado nos desafios de P&D, inovação e financiamento para tecnologias de baixo carbono. Participaram Andreas Nieters (GIZ), Victoria Santos (iCS) e Rodrigo Lima (FINEP), que ressaltaram a urgência de ampliar recursos e acelerar a maturação das tecnologias industriais.

À tarde, o painel da Syngenta aprofundou o debate sobre métricas regionais para o cumprimento das NDCs da agricultura tropical, com Filipe Teixeira, David Canassa, Dan Christenson e Eduardo Bastos discutindo a conciliação entre produtividade, conservação e acesso a financiamento climático.

A programação se encerrou com a sessão especial da Solinftec, com o pesquisador Leonardo Carvalho, focada no uso de inteligência artificial para impulsionar a sustentabilidade no campo, tema considerado central para ampliar eficiência, reduzir emissões e integrar dados climáticos à produção.

CNI na COP30

A participação da CNI na COP30 conta com a correalização do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Serviço Social da Indústria (SESI).

Institucionalmente, a iniciativa é apoiada pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), First Abu Dhabi Bank (FAB), Sistema FIEPAInstituto Amazônia+21U.S. Chamber of Commerce e International Organisation of Employers (OIE).

A realização das atividades da indústria na COP30 recebe o patrocínio de Schneider ElectricJBSAnfaveaCarbon MeasuresCPFL Energia, Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Latam Airlines, MBRF, PepsicoSuzanoSyngentaAcelen Renováveis, Aegea, Albras Alumínio Brasileiro S.A.AmbevBraskemHydro, Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Itaúsa e Vale.

 

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