XANGAI – As provas da WorldSkills Shanghai 2026 terminaram neste sábado (26). Depois de 4 dias de concentração, pressão e horas dedicadas às tarefas de cada ocupação, os competidores começaram a deixar as bancadas e a circular pelo evento para acompanhar os colegas, torcer pelos brasileiros e compartilhar os últimos momentos da competição.
O encerramento veio acompanhado de lágrimas, abraços, risadas e um visível sentimento de alívio. Os resultados só serão conhecidos neste domingo (27), durante a cerimônia de encerramento, mas uma etapa importante já foi cumprida.
Quem conhece bem esse sentimento é o brasileiro Luís Machado, de 31 anos, que voltou à WorldSkills como visitante nesta edição, em Xangai. Em 2015, aos 20 anos, ele representou o Brasil na WorldSkills e conquistou a medalha de ouro em Tecnologia Automotiva. Na mesma edição, tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar o Prêmio Albert Vidal, concedido a competidores que alcançam a maior pontuação geral.
Onze anos depois, ele voltou à WorldSkills para acompanhar a competição, fazer networking e apoiar as delegações do Brasil e dos Emirados Árabes Unidos, onde reside atualmente.
“É um sentimento de pura nostalgia. É impossível caminhar por aqui e não me lembrar da edição de 2015 e todas as conquistas”, conta.
Depois da competição, a trajetória profissional de Luís tomou novos caminhos. Entre 2015 e 2016, ele trabalhou como trainee no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Em seguida, abriu uma oficina em Bauru (SP) e, ali, recebeu uma proposta para trabalhar em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde vive desde janeiro de 2017.
Lá, ele atuou no treinamento de competidores para a WorldSkills até a edição de Lyon e coordenou a equipe técnica até junho deste ano. Atualmente, formado em Engenharia de Software e pós-graduado em Gestão Empresarial, o medalhista divide a atuação entre a gestão de uma oficina em Abu Dhabi, a Black Phantom, e o acompanhamento da StopCar Diagnóstico Automotivo, em Bauru.
Para Luís, a formação no SENAI e a participação na WorldSkills foram decisivas para a trajetória que veio depois. “Eles me deram toda a base técnica, profissional e estrutural para eu chegar onde estou hoje. Sem o aprendizado no SENAI e a vivência na WorldSkills, com certeza eu não teria alcançado metade das oportunidades que surgiram na minha carreira”.
“Foi através da competição que recebi o convite para me mudar para Abu Dhabi, o que abriu portas para me conectar com pessoas do mundo inteiro e construir amizades de vida que levo comigo até hoje”, destaca Machado.
📸 Confira as fotos do último dia da WorldSkills Shanghai 2026:
O que fica depois da medalha
De volta à WorldSkills, Luís vê nos competidores de 2026 algo que também viveu há 11 anos. Para ele, a experiência não termina quando as provas acabam nem quando as medalhas são entregues.
“Aproveitem cada segundo, cada desafio e, principalmente, cada conexão. O tempo passa muito rápido e o que fica é a saudade e as redes de contato que você constrói. Costumo dizer que existe a vida antes e depois da WorldSkills, e só quem passa por esse processo entende a intensidade disso”.
O conselho para os jovens que agora encerram a competição é continuar investindo na formação mesmo depois do retorno ao Brasil.
“Invistam em soft skills: aprimorem a comunicação, a inteligência emocional e a capacidade de construir relacionamentos interpessoais. A excelência técnica somada a uma boa comunicação levará vocês a lugares inimagináveis”, aconselha o medalhista.
Parabéns, brasileiros! Estamos orgulhosos de todos vocês.
Com as provas encerradas, as atenções agora se voltam para os resultados da WorldSkills Shanghai 2026, que serão divulgados neste domingo (27). Acompanhe a participação brasileira na competição no perfil do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) no Instagram (@senai_nacional) e aqui na Agência de Notícias da Indústria.



