Por trás das provas: a resiliência do time brasileiro nos bastidores da WorldSkills Shanghai 2026

Entre equipamentos, documentos e imprevistos, conheça os profissionais que ajudam a manter a operação de mais de 200 brasileiros em funcionamento na China

Equipe de suporte e logística da delegação brasileira trabalha nos bastidores para garantir a participação dos competidores na WorldSkills Shanghai 2026

XANGAI – Viajar para outro país com tudo planejado não significa estar livre de imprevistos. Em uma delegação com mais de 200 pessoas, equipamentos que atravessaram o Brasil e materiais que precisam passar por diferentes etapas de controle, alguns desafios eram inevitáveis. Na WorldSkills Shanghai 2026, a logística dos materiais dos competidores foi um deles.

Natural de São Paulo, Michel Ramos Passos atua como Member Organization Support da delegação brasileira, responsável por dar suporte à equipe e coordenar a logística dos materiais e equipamentos utilizados durante a competição. Esta é a sexta edição da WorldSkills de que participa, então não lhe falta experiência. Ele esteve na Alemanha, no Brasil, nos Emirados Árabes Unidos, na Rússia e na França, em funções diferentes, mas sempre dando apoio à delegação. Agora, acompanha o trabalho em Xangai, na China.

Para que os materiais chegassem ao destino, o trabalho começou ainda no Brasil. Em Osasco (SP), Michel reuniu e conferiu todos os equipamentos que seriam enviados para a China, em um processo que durou cerca de 15 dias. Foi preciso fazer a checagem física dos itens, analisar o que poderia ou não ser transportado e organizar a documentação necessária para o envio.

O desafio ganha outra dimensão quando se considera o tamanho da delegação brasileira; a maior da história do Brasil na competição. Este ano, o time Brasil é formado por 71 competidores, distribuídos nas 64 ocupações da WorldSkills Shanghai 2026. Os equipamentos desses jovens vêm de diferentes regiões do país e precisam ser reunidos em São Paulo antes de seguirem viagem para a China.

“Um dos principais desafios é concentrar essas informações e todos esses equipamentos da delegação. Nós fizemos essa logística de levar os itens de todas as regiões do país para São Paulo e, depois, trazer tudo para a China”, explica Michel.

📸 Confira as fotos do terceiro dia da WorldSkills Shanghai 2026:
 

23/09/26 - Worldskills Shanghai 2026 (Dia 3)

Uma caixa, muitos detalhes

A documentação exigida para o transporte dos materiais não se limita aos formulários e registros obrigatórios. Para facilitar o trabalho da alfândega e a entrada dos equipamentos no pavilhão da competição, Michel preparou um material extra com imagens para identificar o conteúdo de cada caixa de ferramentas.

A ideia é simples: permitir que os responsáveis pela fiscalização saibam o que há dentro das caixas sem precisar abrir todas elas. Além de agilizar o processo, a medida ajuda a evitar que ferramentas e equipamentos sejam danificados durante as inspeções.

Ainda assim, nem tudo o que é utilizado normalmente no Brasil pode entrar na China. Alguns produtos químicos, como tintas, álcool, lubrificantes de máquinas, cola instantânea de alta resistência e secagem rápida e massa plástica, não puderam ser enviados.

Para resolver esse problema, Michel chegou à China antes do restante da delegação e acionou uma empresa parceira no país para adquirir os insumos necessários. A operação envolveu profissionais do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de diferentes estados, como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Bahia.

Competidora brasileira manuseia produtos químicos utilizados nas provas da WorldSkills. Devido às restrições de transporte internacional, alguns desses insumos precisaram ser adquiridos na China

Sem tempo ruim e sem mochila esquecida

Os imprevistos também aparecem durante os deslocamentos. Segundo Flau Lima, um dos Team Leaders da delegação brasileira, já houve competidor que esqueceu a mochila no ônibus e outro que ficou cerca de seis horas sem a credencial, documento essencial para acessar os espaços e participar da competição. Nos dois casos, a equipe de apoio acompanhou as situações até que os itens fossem recuperados.

Também houve um competidor que levou mais de um equipamento de proteção individual (EPI), mas acabou entrando no ambiente de prova com o modelo errado. Nessas situações, é o time de suporte que fica responsável por ajudar a resolver o problema e evitar que o descuido interfira na participação do jovem.

A alimentação é outro ponto acompanhado pela equipe. Para facilitar a adaptação à rotina na China, a organização providenciou marmitas com comida brasileira para os competidores. Flau observa que a ansiedade dos dias de prova ainda pode provocar alterações nos hábitos alimentares. “Nós estamos comendo exatamente a mesma comida que comemos no nosso país e isso facilita muito na hora de manter uma rotina e hábitos alimentares saudáveis”, afirma.

Flau Lima, um dos team leaders da delegação brasileira, acompanha a rotina dos competidores e ajuda a solucionar imprevistos durante a WorldSkills Shanghai 2026

Quando a tradução também vira parte da prova

Nem todos os imprevistos da delegação envolvem equipamentos ou documentos. Para os intérpretes, a comunicação é parte essencial da preparação dos competidores. Na ocupação Sistemas de Refrigeração (#38), a intérprete Mariana Trapp precisou intervir já no dia de ambientação, quando o expert responsável pela área não autorizou inicialmente a participação dos tradutores na reunião de alinhamento da ocupação.

Esse encontro é o momento em que as provas são apresentadas, as orientações são explicadas e as equipes podem tirar dúvidas ou apontar possíveis ajustes. Sem a tradução, porém, a competidora brasileira não teria como acompanhar todas as informações.

“Precisei chamar o delegado para argumentar porque não estavam liberando. Não ia adiantar eles darem o treinamento todo sem a tradução, porque a competidora não fala inglês”, conta Mariana. Depois da intervenção da delegação brasileira, a participação dos intérpretes foi liberada.

A intérprete Mariana Trapp, de cabelos ruivos, conversa com uma competidora brasileira durante a preparação para as provas da WorldSkills Shanghai 2026

Uma competição também nos bastidores

Histórias como essas mostram que a WorldSkills começa muito antes de os competidores entrarem nos espaços de prova. Enquanto os jovens se concentram nos desafios de suas ocupações, uma parte da equipe brasileira trabalha nos bastidores para garantir que tudo aconteça conforme o planejado. É uma espécie de competição paralela, feita de planilhas, caixas, documentos, conferências e algumas mudanças de rota pelo caminho.

Até 27 de setembro, a delegação brasileira ainda enfrentará provas práticas que simulam situações reais do mercado de trabalho e exigem conhecimentos técnicos, precisão, criatividade e capacidade de resolver problemas.

Acompanhe a participação brasileira na competição no perfil do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) no Instagram (@senai_nacional) e aqui na Agência de Notícias da Indústria. Ao longo dos próximos dias, serão publicados conteúdos sobre as provas, os bastidores da competição e as histórias dos jovens que representam o Brasil em Xangai.

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