Torneio de robótica do Pará classifica quatro equipes para etapa nacional

Pela primeira vez, o Torneio de Robótica FIRST LEGO League foi realizado no Pará. E reuniu equipes de 3 estados
Competidores acompanham o desempenho do robô durante prova na arena

Robô, ok. Projeto de inovação, ok. Preparação das equipes, ok. Mas, além de tudo isso, para participar do Torneio FIRST LEGO League, não podem faltar a fantasia e a vibração, de cada equipe. Teve tudo isso e muito mais, em Ananindeua, região metropolitana de Belém. Pela primeira vez, o Pará realizou o Torneio de Robótica FIRST LEGO League.

Neste regional participaram 22 equipes. Vinte delas vieram de várias cidades do estado, uma de Macapá (AP) e uma de Imperatriz (MA). Todas formadas por crianças e jovens entre 9 e 16 anos. Todos chegaram preparados para as disputadas e cheios de animação para os dois dias de competição.

Para a gerente de educação do Serviço Social da Indústria (SESI) do Pará, Márcia Argueles, esta primeira vez do torneio no Pará foi um marco. Ela conta que representantes de várias escolas foram ao Serviço Social da Indústria (SESI), nos dois dias de competição, para conhecer mais a robótica. “Este torneio lançou uma semente da mudança na área educacional aqui no estado”, disse Márcia.

Ao final da disputa regional, 4 equipes foram classificadas para competir no Torneio SESI de Robótica, em março, em São Paulo.

- Born to Fight, do SESI Ananindeua   

- Marco Zero, do SESI Macapá

- JP Tech Team, da Escola Estadual Jarbas Passarinho, em Ananindeua

- Robô Liga, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Belém

Outras 4 equipes foram classificadas como suplentes, caso alguma equipe, que ficou entre as primeiras, não possa ir à etapa nacional.

Concentração da equipe Garça de Botas durante prova na arena

Conheça as avaliações do torneio de robótica

“Core values” - os juízes analisam se o grupo trabalhou bem em equipe, levando em consideração a participação de todos na resolução de um desafio surpresa, proposto na hora da apresentação individual.

Projeto de Inovação – os integrantes das equipes precisam explicar qual o problema detectado na cidade que eles se propõem a resolver e como funcionará.

Avaliação do robô – estudantes precisam explicar aos juízes como montaram o protótipo de LEGO e como usaram o software de programação para programar a movimentação no tapete de competição.

Arena – e tem ainda a mesa, onde as equipes precisam cumprir missões. Usando o robô, elas têm 2 minutos e meio de prova.

Haja coração para tantas emoções!

Competidores da Green League durante apresentação do projeto inovador para os juízes

SESI/PA levou a metodologia da robótica para escolas de todo o estado

O SESI/PA fez a capacitação de professores de várias escolas no estado. Por isso, no torneio, além das escolas do SESI, participaram outras das redes pública e particular de ensino.

Uma delas foi a escola de robótica, a Super Gênios, da Ilha do Marajó. Uma das donas é a professora de ciências Rosa Atroch. O filho dela, João Henrique, hoje com 10 anos, foi quem apresentou a robótica para a família. Durante o período em que moraram em Belém, o menino teve as primeiras aulas de robótica. E Rosa se lembra que viu como a nova disciplina fez o filho amadurecer. “Eu senti que ele se desenvolveu, ficou mais integrado, com mais responsabilidade e independência”, conta ela.

Quando voltaram a morar no Marajó, ela e o marido Henrique decidiram montar a escola de robótica. Ela participou da formação do SESI, da metodologia LEGO, e assim eles começaram a preparar a equipe “Green League” que participou do torneio. “A preparação foi puxada! Mas foi uma experiência maravilhosa. As crianças estão encantadas, já estão perguntando quando será o próximo!”, ela conta rindo.

Como projeto de inovação, a equipe do Marajó apresentou a solução para um problema da ilha: o descarte do lixo. Os alunos desenvolveram um aterro elevado, feito com argila, que não permite a formação de chorume e nem a liberação de gás metano no ambiente. O projeto foi apresentado a um engenheiro sanitarista que confirmou a eficácia do sistema inventado pelos jovens marajoaras. Tanto que a prefeitura de um município da ilha, Santa Cruz do Arari, já entrou em contato com a equipe para tentar implementar o sistema lá.

O projeto de inovação da Green League foi escolhido o melhor do torneio do Pará.

Robótica com material reciclável

Robô feito com material reciclável, pela Ong Gileade

A ONG Gileade, que funciona no município de Águas Lindas, bem na divisa de Belém com Ananindeua, tem aulas de robótica desde 2016. Sempre trabalharam com material reciclável para montar os robôs.

No ano passado, a SESI levou a formação com a metodologia LEGO para a organização. E assim, os alunos foram preparados para participar do torneio em Ananindeua. “Inclusão digital na periferia se resume a ter celular e internet para acessar as redes sociais. A gente mostra pros alunos que é muito mais do que isso. É importante eles terem familiaridade com a tecnologia e assim aumentar as perspectivas deles”, diz o Coordenador de Tecnologia da ONG, Paulo Henrique Nascimento.

Alunos vibram ao levantar o troféu da etapa regional de robótica

Equipes do Amapá e do Maranhão participaram do regional

Escolas do SESI de Macapá (AP), equipe Marco Zero, e Imperatriz (MA), a Robotic´s Angels, também participaram da etapa do Pará.

Os amapaenses apresentaram um projeto de inovação para resolver o problema do porto de açaí, em Santana (AP). Lá, a rampa de acesso não tem aderência, o que acaba causando dificuldade para andar no local. Os alunos desenvolveram uma placa aderente, feita com garrafa pet, que pode ser instalada no local. Assim que voltarem ao estado, pretendem conversar com a prefeitura do município sobre a possibilidade de instalar algumas dessas placas na rampa do porto.

Os maranhenses se destacaram no desempenho do robô. Passaram por duas semifinais e terminaram a disputa, desta prova, em segundo lugar. A responsável pela robótica no SESI de Imperatriz, Elaine Brito, avaliou que, independente dos resultados, sai do torneio muito feliz. “Eles superaram os momentos mais difíceis, mantiveram a calma, o otimismo, o brilho nos olhos. Foi lindo de ver porque estes são os valores que a gente trabalha com eles na robótica. E eles colocaram em prática em todos os momentos”, explica Elaine.

Torneio FIRST LEGO League ofereceu oficinas abertas à comunidade

Cerca de 2000 pessoas estiveram nos dois dias do torneio. O evento, além de aberto à comunidade, também ofereceu oficinas para quem gosta da área. Tudo de graça. E as 20 vagas, de cada oficina, foram preenchidas rapidamente, por crianças e jovens entre 8 e 15 anos.

A oficina de Introdução ao Software LEGO MINDSTORMS Education trabalhou o desenvolvimento do pensamento crítico e a criatividade nas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Já a Oficina Iniciação ao Ensino de Programação LudoBot usou um robô educativo para ensinar programação.

Torneio nacional está chegando

Equipes vencedoras do torneio no Pará vão disputar a etapa nacional, em São Paulo

Nas próximas semanas, serão os últimos regionais que vão selecionar as equipes que irão participar do torneio nacional.

Ao todo, 100 equipes, de todo o Brasil, serão selecionadas para a disputa em São Paulo. Da etapa nacional, sairão as equipes que vão representar o Brasil no torneio mundial, nos Estados Unidos.

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