Projeto de vida: o guia do futuro do Novo Ensino Médio

Pelas novas diretrizes educacionais, os estudantes terão apoio pedagógico para descobrirem seus objetivos pessoais e profissionais. Entenda como funciona a nova matéria da grade curricular

Sabe aquela pergunta boba que sempre fazemos para as crianças - o que você quer ser quando crescer? Nessa época, normalmente, as repostas são muito mais certas e lúdicas, como "quero ser astronauta, quero ser bailarino/a, quero ser piloto/a". A questão é que a pergunta nunca deixa de exisitir e, com o passar do tempo, a busca pela melhor resposta acompanha a vida dos jovens e, em alguns casos, se torna um motivo de ansiedade.

O Ensino Médio é a ponte entre a fase escolar e a vida adulta, uma etapa marcada por dúvidas e questionamentos. Diante disso, as novas diretrizes educacionais contemplam o ‘Projeto de Vida’, uma matéria que tem o objetivo de ajudar os estudantes a organizar os seus planos para o futuro. 

A Agência de Notícias da Indústria elaborou um guia para que você entenda melhor como funciona esse novo componente curricular e ouviu opiniões de quem já está vivenciando essas mudanças nas redes de ensino do Serviço Social da Indústria (SESI)

O que é o Projeto de Vida? 

Com o Novo Ensino Médio, as escolas vão passar a contemplar esse componente curricular: o Projeto de Vida. Ao longo dos três anos, devem ser promovidas práticas e reflexões para que o aluno se descubra nas áreas pessoal, profissional e social. Em resumo, é uma parte do currículo que ajuda o estudante a alinhar os seus planos para o futuro com base nessas três dimensões. 

  • Pessoal: tem como foco a autodescoberta do aluno, com abordagem na sua identidade e valores, para que ele descubra as suas habilidades, dificuldades e desejos. 
  • Social: trabalha as relações interpessoais do estudante enquanto cidadão pertencente a um grupo familiar e comunitário. É o momento de reflexões sobre a realidade em que vive. 
  • Profissional: tem como objetivo direcionar o aluno para decidir uma carreira futura, seja no meio acadêmico, no empreendedorismo, ramo artístico ou demais áreas de atuação. Aqui são desenvolvidas competências necessárias para o mundo do trabalho. 

A elaboração do projeto de vida contribui para a ampliação da autonomia e do protagonismo do jovem, já que o processo de ensino e aprendizagem estabelece um papel ativo para ele. 

O que diz a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)? 

A BNCC, documento que norteia as instituições escolares brasileiras, trata na sua competência 6 o ‘Trabalho e Projeto de Vida’ e cita que ele deve: 

“Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais, apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu Projeto de Vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade”.  

Como funciona na prática?  

As diretrizes do Novo Ensino Médio dão autonomia para que as escolas adaptem o projeto de vida de acordo com a realidade de seus estudantes, levando em consideração a pluralidade cultural do território brasileiro. Além disso, o projeto deve contemplar a singularidade de cada aluno, sendo desenhado conforme seu tempo e desejos pessoais. 

Para a missão de orientar esses estudantes no desenvolvimento dos seus projetos, cada escola deve indicar um profissional que os jovens se identifiquem e tenham mais proximidade. Esse vínculo é fundamental para que eles se sintam à vontade para expressar seus planos e compartilhar o que sentem.

Como é a experiência no SESI?

As escolas da rede SESI iniciaram a implementação do Novo Ensino Médio em 2018 e, desde então, o Projeto de Vida já faz parte da rotina escolar desses estudantes. A professora Karine Acioli, da Escola SESI Cambona, em Maceió (AL), explica que a proposta é oferecer oportunidade para uma escolha consciente e fundamentada na avaliação das diferentes possibilidades de formação profissional. 

Para isso, os alunos passam por diferentes fases no projeto. Inicialmente, eles devem identificar seus interesses e habilidades, depois conhecem o universo das escolhas profissionais e, por fim, são preparados para desenvolver as competências necessárias para a vida e o trabalho. 


“O amadurecimento é visível. Eles conseguem se olhar sabendo que as diferenças existem, mas que cada um apresenta habilidades específicas que fortalecem, inclusive, as práticas colaborativas”, destaca a educadora. 


Ela conta ainda que a definição dos instrumentos e das abordagens usadas para o desenvolvimento do projeto de vida levam em consideração as intervenções necessárias para uma aprendizagem efetiva e que sejam feitas por meio de metodologias ativas. O resultado do projeto se concretiza em um portfólio.

“O portfólio engloba uma multiplicidade de instrumentos e registros de aprendizagem, em diferentes momentos ao longo dos três anos do Novo Ensino Médio. Logo, essa concretização vem da construção de um plano de vida contendo a identificação das características pessoais, normas e valores relevantes à convivência social, habilidades e inclinações profissionais”, explica Helena.

Para a estudante Wyllyane Vitória, 17 anos, que faz a 3° série do Ensino Médio na mesma unidade SESI, o projeto de vida foi decisivo para que ela optasse por seguir a carreira de Direito. 


“É um auxílio enorme tanto na minha vida acadêmica, quanto na minha vida pessoal. Pensar e construir o meu futuro com essa idade, com base no que eu estudo agora é desafiador, mas não deixa de ser incrível. Eu consigo atribuir conhecimentos e experiências que posso colocar em prática mais pra frente”, declara a jovem. 


 

Educação para o mundo do trabalho 

Além do desenvolvimento do projeto de vida, a rede SESI, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), tem o módulo “Mundo do Trabalho”, que faz parte da proposta do Ensino Médio e é ofertado a todos os estudantes.

O módulo, realizado ao longo de 200 horas, possibilita aos alunos da 1ª série o desenvolvimento de competências socioemocionais, raciocínio lógico, programação e autoconhecimento, além de pensarem em um projeto de vida e carreira profissional. 

“Neste módulo, os alunos têm contato com temas que serão o grande diferencial na hora de entrar no mercado de trabalho. É uma espécie de coaching de carreira”, explica Sandro Ormond, especialista do Departamento Nacional.  

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