O Serviço Social da Indústria (SESI), em parceria com o Instituto Reúna, registra avanços significativos na aprendizagem dos estudantes do Ensino Médio da rede SESI. Por meio do Módulo de Aprendizagem Personalizada (MAP), já aplicado na 1ª série, mais de 60 professores estão envolvidos no projeto, que impacta cerca de 33 mil alunos pelo uso do MAP nos componentes de língua portuguesa e matemática.
Todas as escolas da rede escolheram matemática como uma das áreas prioritárias e, com o apoio do cronograma desenvolvido especificamente pelo Instituto Reúna para o componente, mudanças positivas já foram sentidas no primeiro semestre.
Em 2023, mais da metade dos estudantes da 1ª série estava em situação de defasagem na disciplina: 21,2% abaixo do nível básico e 31,5% no nível básico. Em 2025, 59,6% dos estudantes alcançaram o nível adequado. No mesmo ano, apenas 0,6% dos estudantes permaneceram abaixo do básico e 10,9% no nível básico, mais de 88% haviam alcançado níveis adequados ou avançados de proficiência (veja detalhes nos gráficos abaixo, dos dados da Avaliação Nacional da rede SESI, em matemática):
Estudantes e professores relatam experiências positivas com o programa. O acompanhamento personalizado proporcionou intervenções pedagógicas mais eficazes, colaborativas e dinâmicas que permitem a identificação de novas habilidades e oportunidades de melhoria no desenvolvimento dos alunos.
Para a professora de matemática Viviane Nery, do SESI Candeias (BA), todo esse resultado positivo foi alcançado com o protagonismo do estudante no processo de aprendizagem, que por meio do programa aprendeu a aplicar os conceitos da disciplina na prática e a conectar os conhecimentos e habilidades adquiridas para além da sala de aula.
“Trabalhar com o MAP é ver a matemática em ação e isso transmite sentido na vida dos estudantes a partir do momento em que a disciplina deixa de ser algo abstrato, limitada a cálculos e exercícios, e passa a ser ensinada na prática, inserida na vivência deles”, explica a docente.
Além de melhorar habilidades acadêmicas, que ficaram fragilizadas em anos anteriores, os alunos também desenvolveram competências socioemocionais, como pensamento crítico e criativo, engajamento, autoconfiança e controle emocional.
A estudante Gabrielle Luize Borges, 15 anos, também do SESI Candeias, conta que um diferencial do programa é que ele acompanha o ritmo dos alunos, o que torna a Matemática mais leve e dinâmica.
“Durante muito tempo tive medo de aprender Matemática, tinha crises de ansiedade antes das provas. Hoje, sinto uma segurança maior naquilo que vou fazer, a aprendizagem ficou mais fácil e o meu conhecimento e notas escolares aumentaram”, declara a jovem.
Como funciona o MAP
Para trabalhar com o material, cada escola analisa o histórico dos alunos e seleciona duas áreas do conhecimento para serem reforçadas. Os professores das áreas são designados para ministrar aulas focadas nas habilidades essenciais do currículo priorizado, organizadas em um cronograma que garante a recomposição e o avanço das aprendizagens.
Cada componente do programa tem duas aulas semanais, preferencialmente consecutivas, e os professores utilizam materiais didáticos elaborados a partir do cronograma, além de materiais de estudos com metodologias inovadoras, como a aprendizagem baseada em projetos, para despertar o protagonismo dos estudantes e garantir o engajamento nas atividades.
“Nosso compromisso é garantir que cada estudante da rede SESI tenha a oportunidade de consolidar os conhecimentos essenciais para avançar em sua trajetória de aprendizagem no tempo certo. O MAP é uma resposta planejada e sistêmica aos desafios de aprendizagem, que fazem parte da realidade educacional e exigem soluções coerentes, consistentes e duradouras”, diz Katia Smole, diretora executiva do Instituto Reúna.
O gerente de Educação Básica do SESI, Leonardo Pedreira, reforça que o MAP não é um reforço escolar.
“Se a desigualdade educacional é um problema sistêmico na educação brasileira, precisamos trabalhar de forma sistêmica para a resolução deste desafio. Essa recomposição surge de um currículo priorizado, que utiliza justamente práticas que fomentem grupos heterogêneos, onde aqueles estudantes com maior facilidade trabalham juntos com aqueles que precisam de maior apoio”, destaca Pedreira.
O programa foi estruturado com base nos Mapas de Foco da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e nas Matrizes Curriculares da Rede SESI, que identificam as habilidades essenciais para cada etapa de ensino, permitem que as escolas priorizem conteúdos fundamentais e organizam o currículo de forma estratégica.
O MAP está em 186 escolas da rede SESI na primeira série do ensino médio. Cerca de 45% dos estudantes chegam ao SESI vindos de outras escolas - em grande maioria, das redes públicas de ensino. “Quando o número de estudantes com defasagem se aproxima de um terço da turma, a gestão de sala de aula fica comprometida e faz com que o professor tenha que decidir entre avançar nas disciplinas ou retomar o conteúdo e comprometer o cronograma”, explica o especialista em Educação da rede SESI, Matheus Lincoln.
O projeto começou com a elaboração do escopo e sequência da 1ª série do Ensino Médio, após análise dos resultados das avaliações da Rede SESI; Planejamento Pedagógico Integrado do 1º Bimestre; e, realização de formação entre os dias 21 e 23 de outubro de 2024. Em 2026, o MAP será ampliado para turmas do ensino fundamental, do 4º ao 9º, inspirado no sucesso dos programas de recomposição de aprendizagem do SESI São Paulo.
Sobre o SESI
Criado em 1946, o SESI é referência nacional na educação de jovens para o futuro do trabalho. A instituição forma protagonistas por meio da aplicação de metodologias ativas para o desenvolvimento de competências. A rede está presente em todos os Estados e no DF com sistema de ensino próprio, que conta com materiais didáticos construídos colaborativamente com professores e alinhados às exigências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e do Novo Ensino Médio.
Sobre o Instituto Reúna
Criado em 2019 como uma iniciativa da Fundação Lemann e do Imaginable Futures para impulsionar a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). É uma organização sem fins lucrativos que trabalha pela educação de qualidade e com equidade no Brasil. Desenvolve recursos e referências técnico-pedagógicas de excelência para uso gratuito pelas redes públicas de ensino, a fim de contribuir com a promoção da coerência pedagógica sistêmica e com a implementação da BNCC no país.



