Países fazem reformas para valorizar a educação profissional

A Rússia, que sedia em Kazan, até terça-feira (27), a olimpíada de profissões técnicas, é um dos exemplos; Brasil tem oportunidade com novo ensino médio de seguir tendência mundial
A WorldSkills é o maior torneio de educação profissional do planeta. Jovens de até 22 anos disputam medalhas de ouro, prata e bronze em provas que reproduzem o dia a dia das profissões

Em meio à quarta revolução industrial, o mundo também passa por uma transformação na educação. Países dos cinco continentes têm feito reformas para valorizar a formação profissional, assim como inserir no ensino básico algumas de suas características, como o foco em competências, habilidades e resolução de problemas. A Rússia, por exemplo, sede da 45ª WorldSkills, a olimpíada de profissões técnicas, que ocorre na cidade de Kazan desde quinta-feira (22), realiza uma reforma nesse sentido em suas 85 regiões autônomas.

“A Rússia está fazendo uma grande aposta, está pegando os descritivos técnicos da WorldSkills e fazendo uma reformulação no seu sistema educacional, fortalecendo a educação profissional”, explica o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Rafael Lucchesi, que é representante brasileiro na instituição que realiza o torneio. Ele lembra que a Finlândia fez o mesmo movimento, após sediar a competição em 2005. “Na época, a Finlândia tinha 29% dos jovens fazendo educação técnica e profissional. E eles tomaram a decisão de alterar a matriz educacional. Hoje, na Finlândia, 71% dos jovens de 15 a 17 anos fazem educação técnica e profissional”, conta.

O Brasil deu passos importantes na mesma direção, ao aprovar, em 2016, a lei do novo ensino médio, que incluiu a qualificação profissional no currículo dessa etapa escolar. São Paulo foi a sede da WorldSkills em 2015. Mas ainda há muito a ser feito para que o país alcance as nações mais avançadas nesse campo. Enquanto apenas 11% dos alunos brasileiros do ensino médio fazem educação profissional, na Europa são em torno de 50%.

O deputado federal Marcos Pereira (PRB-SP) visita o mundial de profissões

VANTAGEM – Uma das vantagens do Brasil nesse campo é saber fazer educação profissional de excelência, como comprovam os resultados na WorldSkills da delegação brasileira, preparada pelo SENAI.

Em 2015, a equipe brasileira foi a grande campeã e, na última edição, nos Emirados Árabes Unidos, ficou em segundo lugar. “O Brasil é um competidor bastante profissional e bastante avançado. Quero aplaudir esse trabalho que é feito pelo SENAI, por toda a indústria brasileira, por meio de suas escolas”, elogia o deputado federal Marcos Pereira (PRB-SP), ex-ministro da Indústria e Comércio, que visitou o local de competição na Kazan Expo.

“O desafio agora é fazer com que esses muito bons técnicos de nível mundial formados pelo SENAI consigam se espalhar, para que todos os nossos jovens tenham capacidade técnica", disse o ex-senador Cristovam Buarque

Para avançar nesse campo, o Brasil precisa aumentar o investimento em uma formação alinhada ao mercado de trabalho, defende a deputada professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO), uma das mais atuantes da bancada da educação. “A questão é ter foco, qualificação e o mais importante é que, no SENAI e no Sistema S, há proximidade entre a formação e o mundo do trabalho. Quando existe a base, o investimento na estrutura, a resposta vem”, diz ela.  

A deputada também defende estimular parcerias entre o setor público e privado, a fim de levar a educação profissional à escola pública. “Eu espero que o governo possa apoiar estados e municípios e, em especial, ter uma política de investimento contínuo, perene na área da formação, estrutura e parcerias. Não se pode ter medo de parcerias”, ressalta.

Deputado Giacobo (PL-PR): “O poder Legislativo tem de estar presente para que possa legislar a favor do empreendedorismo, da capacitação da mão de obra e do incentivo por meio da educação”

O ex-senador Cristovam Buarque, um dos expoentes na área de educação, também defende que é preciso dar condições à escola pública de oferecer aos jovens brasileiros educação profissional, com a excelência praticada pelo SENAI. “O desafio agora é fazer com que esses muito bons técnicos de nível mundial formados pelo SENAI consigam se espalhar, para que todos os nossos jovens tenham capacidade técnica, sejam profissionais”, afirma.

O deputado Giacobo (PL-PR) argumenta ainda que o Congresso Nacional precisa envolver-se com o tema. “O poder Legislativo tem de estar presente para que possa legislar a favor do empreendedorismo, da capacitação da mão de obra e do incentivo por meio da educação”, diz.

A WorldSkills é o maior torneio de educação profissional do planeta. A cada dois anos, jovens de até 22 anos disputam medalhas de ouro, prata e bronze em provas que reproduzem o dia a dia das profissões. Cada ocupação tem provas específicas, nas quais os competidores precisam demonstrar habilidades individuais e coletivas para realizar provas que reproduzem o dia a dia do mercado de trabalho em padrões internacionais de qualidade.

DESAFIOS – Na opinião do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), Mario Cezar de Aguiar, o sucesso brasileiro na competição irá se repetir nesta edição, que vai até terça-feira.  “O brasileiro é um povo criativo e isso não é diferente de nossos alunos. Eles aceitam os desafios e na WorldSkills o desafio é muito grande. Mas nós estamos preparados e acredito que o desempenho será muito convincente”, aposta. “E papel do SENAI nisso tudo é fundamental, pois prepara nossos alunos para uma indústria cada vez mais exigente. Estamos representando muito bem o país na Rússia”, completa.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), Marcelo Thomé, acredita que o resultado da equipe brasileira demonstra o grau de excelência da formação do SENAI, já que nossos competidores disputam com jovens de países investem fortemente na área.

“O sucesso é resultado do papel determinante do SENAI na formação profissional. É o compromisso da indústria brasileira com a população, com nosso país. É muito difícil participar de uma competição como a WorldSkills porque aqui é o esforço do SENAI, da indústria brasileira, da Confederação Nacional da Indústria competindo com Estados nacionais”, avalia ele. “Os países investem fortemente, por meio de políticas públicas, na formação profissional e isso só valoriza ainda mais o papel do SENAI, da CNI e das Federações de Indústria na estratégia de formação profissional, preparando mão de obra qualificada.”

Na avaliação do presidente da FIERGS, Gilberto Petry, a formação do SENAI está alinhada com as novas demandas geradas pela quarta revolução industrial

Na avaliação do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), Gilberto Petry, além de qualidade, a formação do SENAI também está alinhada com as novas demandas geradas pela quarta revolução industrial, que utiliza tecnologias digitais para unir o mundo físico e virtual. “O SENAI é hoje no Brasil uma das instituições mais envolvidas com o tema Indústria 4.0, que está ensinando a utilizar essas tecnologias. Estamos fortemente integrados a essa nova dinâmica”, analisa.

COBERTURA COMPLETA - Acompanhe a cobertura completa da WorldSkills 2019 aqui na Agência CNI de Notícias, no perfil do SENAI no Facebook, Twitter e Instagram. Todas as fotos estarão disponíveis no Flickr da CNI.

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