O pé está sempre na estrada, mas o foco de Daniela é a WorldSkills

A competidora de Tecnologia de Laboratório Químico chegou a frequentar quatro cursos em três cidades da Bahia, sendo um deles o curso técnico do SENAI em Química
“Durante a preparação, o acompanhamento é individual, consigo tirar as dúvidas, consigo mais conhecimento porque tenho uma pessoa dedicada a mim", conta Daniela

A baiana Daniela dos Santos Carneiro, 22 anos, se considera a “retirante” da delegação brasileira que vai para o mundial de profissões, a WorldSkills, na Rússia. A representante do Brasil em Tecnologia de Laboratório Químico já treinou em cidades e espaços diferentes.

A preparação começou no início do ano na própria escola que ela fez o curso de Química, no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Feira de Santana (BA). Depois, a mudaram para uma unidade móvel, que ficava estacionada em frente à escola. Por fim, a competidora foi transferida para Brasília: ela e a unidade móvel da Bahia ficaram instalados na região administrativa do Guará.

No início de maio, Daniela passou a treinar no centro de treinamento do Setor de Indústrias Gráficas (SIG), também na capital federal, espaço que reúne boa parte dos competidores da delegação. Dessa vez, em um laboratório.

O pé na estrada esteve presente nos últimos anos da vida dela. Em 2017, a jovem chegou a frequentar quatro cursos em três cidades baianas ao mesmo tempo. Fazia cursos de Inglês e Matemática, em Conceição do Coité; curso técnico de Química no SENAI de Feira de Santana e curso superior, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador. A determinação e a paixão pela química são os elementos propulsores que impulsionam a Daniela a uma rotina que, para muitos, é impossível. Afinal de Conceição do Coité até Feira de Santana são 130 km e de Feira de Santana a Salvador, mais 115 km.

A baiana conta que conquistou uma vaga na UFBA para o curso de Química, mas quando a graduação começou, ela sentiu muitas dificuldades porque não tinha uma base técnica, como alguns colegas de classe, que tinham feito curso técnico integrado ao ensino médio. “Eu pensei: como vou disputar uma vaga com um colega que é técnico, que tem habilidade maior que eu?' Fui procurar um curso e encontrei o do SENAI de Feira de Santana”.

Na ocasião, a competidora preferiu não contar para a mãe sobre a escolha de trancar a faculdade para fazer um curso técnico, mas para surpresa da estudante, a escolha foi apoiada. A solução encontrada pela jovem foi trancar dois semestres e, no restante, pegar poucas disciplinas na universidade.

“Não era pela minha mãe, era pela sociedade como um todo, que vê uma escadinha: técnico, em sequência, a graduação, nunca o contrário. As pessoas não entendem que são coisas independentes, que se completam. Não é passo atrás, é passo a frente”, analisa.

A baiana vai representar o Brasil na modalidade Tecnologia de Laboratório Químico

MUNDIAL - No meio do turbilhão de atividades da vida de Daniela, outra oportunidade surgiu: a possibilidade de participar da WorldSkills. Essa é a primeira vez que da ocupação na disputa, por isso, não houve uma seletiva nacional nos moldes de outras modalidades, mas sim, provas específicas entre os concorrentes. Com mais um desafio em mãos, a baiana não teve dúvidas que queria participar. “Eu sempre fui muito estudiosa. Para estar aqui fiz provas teórica e prática, dinâmica de grupo e entrevista. Foi muito bom saber que eu fui escolhida por unanimidade”

Por enquanto, ela está focada em trazer o ouro para o Brasil. No entanto, a jovem também está antenada com o depois. Ela não tem dúvidas que a WorldSkills vai agregar valor ao currículo, não só pela competição, mas pela qualificação que o treinamento proporciona. 

Quando voltar da Rússia, Daniela pretende retornar a graduação. “No futuro, eu penso em trabalhar na indústria para ter o time de entrega da indústria, ter capacidade de análise também. Também quero ensinar, dar aulas. Eu gosto tanto de química que quero passar para outras pessoas”.

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