Indústria da moda mais moderna: colaborativa, sustentável e 4.0

Com consumidores mais exigentes, poluir menos e ter mais transparência nos processos de produção são diferencias que empresas de vestuário buscam para se manter no mercado
Coleção reaproveita retalhos de jeans

O desafio de reduzir os impactos ambientais causados pela indústria têxtil e de vestuário e a transparência nos processos de fabricação. Estes foram os destaques da palestra Moda em Transformação, apresentada pela bacharel em Design do Rio de Janeiro, Angélica Lima.

A iniciativa foi promovida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) do Maranhão, em parceria com o SENAI Cetiqt, referência no setor, e reuniu empresários, alunos de cursos de vestuário, influenciadores digitais e outros profissionais da área, em São Luís.

Angélica Lima, palestrante do SENAI Cetiqt, falou sobre a Moda em Transformação

“Estamos falando de uma nova forma de fazer moda. Estão surgindo novos nichos de consumo, novos consumidores, que prezam pela verdade, pelo autoral, consumidores mais conectados, e por isso também falamos sobre novas tecnologias, transformando essa indústria, deixando ela mais ágil em processos, produtos e pessoas”, explicou Angélica Lima.

A especialista trouxe ao Maranhão informações sobre a transformação, mudança de perfil de empresas e consumidores da indústria da moda, que é a segunda mais lucrativa do país, porém, também a segunda que mais polui, depois do petróleo. Aliar o processo de produção à tecnologia da indústria 4.0, produzir menos e de forma mais consciente e ser mais colaborativo nos processos criativos é a tendência da moda em todo o mundo.

“Fazer um produto de qualidade não é mais diferencial, qualidade é obrigação. A gente vem falando de novos processos, de uma sustentabilidade que não é só ambiental, mas cultural, econômica e social. Hoje é preciso visualizar as possibilidades circulares para a indústria da moda, reinserir as roupas nos ciclos para que se tornem uma nova matéria-prima, e possam ser transformadas em peças mais criativas, com um olhar de diversos especialistas, de forma colaborativa, designers, costureiros, estilistas, e utilizando tecnologias na produção e comercialização, como realidade aumentada, impressão 3D, aplicativos, que já são realidade no mercado”, afirmou.

Peças que utilizaram fibra de buriti como matéria-prima

A empresária maranhense do ramo do vestuário, Berê Oliveira, que esteve presente à palestra, destacou a atualidade do tema apresentado pelo SENAI, especialmente em relação ao meio ambiente. “As pessoas estão mais conscientes na hora de consumir, buscando a transformação da moda, uma moda que não prejudique o meio ambiente e que seja um negócio realmente que dê lucro. O movimento é comprar dos pequenos, é a moda autoral, saber quem fez a roupa, se houve trabalho escravo, se houve resíduos têxteis jogados na natureza. Então, ações como essa do SENAI são transformadoras, no sentindo de nos colocar informados e à frente, para combater um problema ruim que nós não desejamos pra moda”.

Além de empresários, alunos de cursos da área de moda de diversas instituições estiveram presentes. “Esses alunos são potenciais empresários do amanhã. Estamos oportunizando para este público conhecimento e uma experiência diferente. O SENAI Maranhão também está modificando todo seu portfólio, todas as ações, estamos investindo em tecnologia da moda, e estamos trazendo o que há de mais moderno no setor para o nosso estado”, frisou Scheherazade Bastos, coordenadora de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação do SENAI/MA.

Scheherazade Bastos, coordenadora de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação do SENAI/MA

EMPRESAS – A palestra teve o apoio do Sindicato das Indústrias de Malharia e de Confecções de Roupas em geral do Estado do Maranhão (Sindvest), que mobilizou empresas associadas para participar da ação. “Nosso sindicato é parceiro de longa data do SENAI e é nosso papel levar às empresas associadas as tendências do mundo da moda, para que elas se tornem cada vez mais competitivas e tenham mais oportunidades no mercado”, afirmou a presidente do Sindvest, Ana Rute Mendonça.

Também prestigiaram a palestra, o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) e conselheiro do SENAI/MA, Celso Gonçalo, o superintendente da FIEMA, Diogo Lima e a gestora do projeto de moda do SEBRAE/MA, Amparo Teles Vieira.

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