Quando pensamos nas cores amarelo com listras em verde e azul é quase inevitável não passar um filme pela cabeça do lendário piloto de Fórmula 1, Ayrton Senna. O design marcante do capacete, que se tornou um dos símbolos do automobilismo brasileiro, foi criado pelo aerografista Sid Mosca.
O talento da família Mosca, estampado em capacetes de corridas há mais de 50 anos, foi passado entre gerações. Alan, com apenas 17 anos, já pintava carros de Fórmula 1 ao lado do pai. Com o tempo, o hobby de customizar de capacetes se transformou em profissão, ganhou proporção, reconhecimento e o “negócio de família” se tornou uma das grifes mais conhecidas mundialmente, assinada como “Painted by SYD”.
“Antigamente, era apenas o nome que identificava o piloto. Hoje, a pintura e as cores criam uma lembrança. O capacete se tornou uma vitrine no automobilismo, as marcas são expostas no capacete”, explicou Alan Mosca, que visitou o 8º Festival SESI de Educação na manhã deste sábado, em São Paulo. O evento foi realizado pelo Serviço Social da Indústria (SESI) em parceria com o Conselho Nacional do SESI.
Os traços únicos do pai, que estiveram presentes em tantos pódios brasileiros, hoje acompanham a trajetória de outros pilotos por meio dos designs icônicos do filho. Alan, hoje com 67 anos, relembra de um dos projetos mais inusitados, o desenho do mapa com o circuito completo do Deserto do Saara, em Marrocos, que seria percorrido pelo piloto.
“Para capacete criamos um conceito, uma arte e tentamos mostrar a história e identidade do piloto nas pistas”, ressaltou.
Alan, assim como o pai, é referência no mundo do automobilismo e inspira as novas gerações por meio da arte. A equipe Discovery New Ways, da escola do SESI Vila Industrial - CE 085, de Piracicaba (SP), teve o privilégio de ter a marca da grife gravada nas réplicas de carros de corrida.
Mosca coleciona na carreira a pintura manual de mais de 40 mil capacetes e não aceitou o convite por acaso. Ele enxerga um grande potencial por trás das equipes da STEM Racing. “Essa iniciativa do SESI é muito importante porque ensina não apenas a parte técnica, é uma doutrina de vida, esses jovens estão aprendendo carreiras, quem está nesse meio aprende um pouco de tudo”, disse.
A parceria com a equipe começou por meio do jovem piloto Valentino Ricciardi, 15 anos, que também tem nos capacetes de corrida a marca SYD. Apesar da pouca idade, ele já coleciona diversos troféus em oito anos nas pistas, competindo em diferentes modalidades do automobilismo.
“Tenho uma ligação forte com a equipe pela questão do marketing, mas também por sermos da mesma cidade. Então participamos de treinos de reflexos juntos, o que uso nas pistas para arrancar, frear, desviar de acidentes, eles utilizam para realizar o disparo do carro”, conta Valentino.
As equipes também receberam a visita do experiente piloto Witold Ramasauskas. Aos 38 anos, atualmente ele corre pela NASCAR Brasil, além de realizar a gestão de carreira de alguns pilotos nacionais, como o Valentino.
Para Witold, o automobilismo está precisando de mão de obra qualificada, que tenha formação de base e é isso que ele encontra, hoje, nas competições de STEM Racing. “Tem muitos jovens aqui de 15 anos que tem mais base de conhecimento que profissionais que já correm há 30 anos. O automobilismo precisa aproveitar essa vitrine de talentos que o torneio proporciona”, destaca.




