Para manter a história e a cultura cada vez mais vivas, estudantes de 9 a 19 anos desenvolveram projetos de inovação apresentados no 8º Festival SESI de Educação. Realizado pelo Serviço Social da Indústria (SESI) em parceria com o Conselho Nacional do SESI, o evento acontece na Fundação Bienal de São Paulo, entre 5 e 8 de março, aberto ao público e com entrada gratuita.
O Protect Scanner, criado pela equipe New Atom, de Pernambuco, surgiu da necessidade de preservar e digitalizar vestígios arqueológicos que, muitas vezes, não são documentados adequadamente, o que pode levar à perda de informações históricas relevantes.
O protótipo desenvolvido pelos estudantes realiza a digitalização tridimensional de artefatos por meio de sensores que captam profundidade, relevo e formato, transformando o objeto físico em um modelo 3D detalhado. Além disso, os pernambucanos criaram um acervo virtual onde os modelos escaneados são armazenados e podem ser visualizados online, permitindo a preservação e a documentação permanente, além de ampliar o acesso ao patrimônio histórico para as futuras gerações.
“O grande diferencial do Protect Scanner é unir qualidade, acessibilidade e impacto social. Enquanto scanners com qualidade semelhante custam, em média, R$ 30 mil e nem sempre atendem às necessidades específicas dos arqueólogos, o nosso foi desenvolvido pensando exatamente nessa realidade. Ele realiza digitalizações precisas e seguras por apenas R$ 1.533,74”, explica a técnica da equipe, Gabriella Vieira. A equipe compete na categoria FIRST LEGO League Challenge (FLLC).
Já a equipe Paratech League, do Pará, desenvolveu uma bioespuma para o transporte de artefatos arqueológicos. O material é produzido a partir de miriti ralado, conhecido como “isopor da Amazônia”, e caroço de açaí triturado.
“A gente basicamente mistura esses ingredientes, adiciona outros compostos para dar liga, como glicerina e cola de isopor, e depois leva a mistura para uma estufa, que aquece entre 40 °C e 70 °C, para deixar a bioespuma mais seca e estável”, explicou Dimitry Santo, de 14 anos, aluno da escola SESI de Belém e competidor da FLLC.
Além da arqueologia: projetos sociais que ajudam o presente
Enquanto os robôs disputam nas arenas e as equipes exploram temas inspirados na arqueologia, o festival também revela outro lado da competição. Muitos projetos apresentados mostram que a robótica pode ser uma ferramenta poderosa para transformar, no agora, outras realidades.
Um exemplo é o trabalho desenvolvido pela equipe Fúria do Norte, do SESI Marabá, em Marabá (PA), na modalidade FIRST Tech Challenge (FTC). O grupo criou um glossário em Língua Brasileira de Sinais (Libras) com termos utilizados na robótica, para facilitar o ensino da área a crianças e adolescentes surdos.
A iniciativa surgiu quando os estudantes ajudaram a formar uma equipe da FLLC composta por crianças surdas na região, a Libras Bots. Durante as atividades, perceberam a dificuldade de explicar conceitos técnicos das competições. A partir disso, criaram o projeto “FIRST em Libras”.
“Vimos a necessidade de explicar os termos da FIRST para facilitar o acesso dessas crianças. Então criamos o glossário com sinais para palavras como robô, sensor e programação”, contou a integrante Maria da Silva.
Para desenvolver o material, os estudantes participaram de um curso básico de Libras na Universidade do Estado do Pará (UEPA). A técnica da equipe também tem formação na área e ajudou a orientar o grupo durante o processo. Além disso, o projeto contou com o apoio do Centro Especializado na Área da Surdez (Caes), instituição parceira que trabalha com crianças surdas e ajudou na construção do conteúdo.
A criação também teve participação direta dos próprios estudantes surdos. Em alguns casos, foi necessário criar sinais, já que certos termos técnicos da robótica, e até nomes de missões da competição, ainda não têm correspondentes em Libras. Confira mais informações do glossário no site da equipe.
Equipe do Amapá aborda robótica e reciclagem em projeto social
Além da competição de carros de corrida, as disputas da Stem Racing também incluem a apresentação de um projeto social, que deve ser desenvolvido e executado pelos alunos do SESI. No Amapá, a iniciativa da Escuderia Tachí tem como foco a democratização do acesso ao ensino de engenharia e tecnologia entre adolescentes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, utilizando a Cultura Maker como ferramenta de inclusão social e de conscientização ambiental.
Batizado de ReciCar, o trabalho criado pelos estudantes da Escola SESI utiliza papelão, polímeros e sucatas eletrônicas para a construção de protótipos aerodinâmicos funcionais. A atividade foi realizada em parceria com o projeto Samaúma Tech, da Universidade Federal do Amapá (Unifap), envolvendo a capacitação de monitores para garantir a continuidade da iniciativa.
Os integrantes da Escuderia Tachí promoveram a formação de 83 adolescentes, com idades entre 11 e 18 anos, além de sete monitores da Unifap. A iniciativa também resultou na coleta de 31,5 kg de materiais como pilhas, garrafas PET e isopor, que poderiam ser descartados de forma inadequada no meio ambiente.
“No início do ReciCar percebemos que houve certa resistência por parte de alguns alunos, o que nos levou a adaptar a linguagem para uma abordagem mais lúdica e acessível”, destaca o coordenador da Escuderia Tachí, Kelvin Vasconcelos.
Segundo ele, a experiência na execução da iniciativa mostrou a importância de compreender a realidade de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. “Isso nos ensinou a sermos flexíveis com o ritmo de aprendizado, priorizando o acolhimento e a autoestima dos participantes para que, ao final, todos se sintam confortáveis e confiantes”, completou.
Confira todas as fotos do 2º dia de Festival SESI de Educação:








