Brasil é finalista em prêmio internacional de inovação em robótica

Projeto de estudantes do Colégio Liceu Franco-Brasileiro, no RJ, foi escolhido como um dos 20 melhores do mundo. Concorreram mais de 40 mil times de 74 países que participaram de torneios de robótica
Os estudantes Mariana Lopes e Daniel Gudin apresentando o projeto de pesquisa no Torneio SESI de Robótica

Projeto desenvolvido por alunos de robótica do Colégio Liceu Franco-Brasileiro, no Rio de Janeiro, é finalista do prêmio Global Innovation, da organização norte-americana FIRST, e que reconhece as principais inovações desenvolvidas por estudantes de robótica em todo o mundo.

Mais de 40 mil equipes de 74 países participaram dos torneios FIRST LEGO League na temporada 2018/2019. Apenas 20 delas, como a carioca FrancoDroid, são finalistas do prêmio, que será anunciado no dia 2 de julho em San José, Califórnia, nos Estados Unidos. No Brasil, o organizador oficial dos torneios de robótica é o Serviço Social da Indústria (SESI).

Se a equipe brasileira ficar em 1º lugar na premiação, ela levará U$ 20 mil (cerca de R$ 80 mil reais), valor que deve ser investido no desenvolvimento do projeto ou em atividades relacionadas à robótica. Outras duas equipes finalistas receberão U$ 5 mil (R$ 20 mil), cada.

COSMOCUP – A FIRST – organização não governamental dos Estados Unidos anunciou o tema da temporada de robótica FLL em agosto de 2018: “Em Órbita”. Foi quando os alunos do Colégio Liceu Franco-Brasileiro começaram a refletir sobre o projeto a desenvolver. Em sua pesquisa, eles constataram que, para participar de uma missão espacial, cada mulher levava, em média, 3.600 absorventes. 

“Hoje elas levam 1.100 pílulas anticoncepcionais", conta Mariana Araújo, 15 anos, do 1º ano e membro da equipe FrancoDroid. "Mas muita mulher não pode tomá-las ou utilizar qualquer outro método, então elas ficam impossibilitadas de se tornarem astronautas", completa.

Foi aí que os adolescentes da equipe criaram o CosmoCup, um coletor menstrual espacial, ou seja, um reservatório pessoal de coleta de sangue menstrual. Considerando a gravidade, o coletor impede que o sangue se espalhe pela aeronave. 

Entre os benefícios estão a praticidade, a inexistência de possíveis efeitos colaterais hormonais pelo uso de pílulas que impedem o ciclo menstrual e o fato de ser mais higiênico que absorventes. 

O projeto foi apresentado a professores do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ). Para a professora de Biologia Analu de Sá, a iniciativa de produzir o CosmoCup é de extrema relevância para o maior engajamento das mulheres dentro da área de ciência e tecnologia, principalmente na astronomia.

“O CosmoCup vem como uma inovação, visto que o coletor não gera lixo e representa menos risco para a saúde das mulheres, já que neutraliza a liberação de toxinas presentes nos absorventes regulares. Eu entendo que esse projeto pode trazer independência e a possibilidade de mais mulheres ficarem à vontade para participar de viagens espaciais”, completa. 

RECONHECIMENTO – Os estudantes do Liceu Franco-Brasileiro ficaram entusiasmados quando descobriram que eram finalistas do prêmio internacional. “Foi um sentimento inexplicável. A gente percebeu que todo nosso trabalho, esforço, suor e garra tinham valido a pena”, conta a aluna Mariana Lopes, 15 anos.

Para a professora e técnica da equipe, Rosângela Nezi, o prêmio é importante porque valoriza as ideias e pensamentos de toda uma geração. “É um prêmio para crianças e adolescentes que vão crescer e serão adultos responsáveis por solucionar os problemas do mundo. É o que a gente deseja”, diz. 

Em meio à empolgação com a seleção para o Global Innovation Award, os alunos se mobilizam para bancar a viagem para os Estados Unidos. Como finalistas, eles foram convidados a participar de uma série de atividades associadas à inovação na Califórnia. E não é só a viagem para os Estados Unidos. No Festival SESI de Robótica, em março, a equipe também se classificou para o torneio internacional de robótica do Líbano, que será realizado em junho. A solução foi fazer uma vaquinha virtual

Para o diretor de Operações do SESI, Paulo Mól, a participação no prêmio reforça o potencial dos estudantes brasileiros. “A robótica vai muito além da disputa com robôs. Há ganhos extraordinários em criatividade, inovação e empreendedorismo. Eles são estimulados a pensar em um mundo melhor do que temos hoje. Além disso, estes alunos entram na mira de empresas e universidades internacionais”, afirma.

No Festival SESI de Robótica, em março, a equipe também se classificou para o torneio internacional de robótica do Líbano, que será realizado em junho

O PRÊMIO – O prêmio Global Innovation Award da organização FIRST foi criado para mostrar as soluções inovadoras e reais que as equipes da categoria FIRST LEGO League, competição que reúne jovens de 9 a 16 anos, criaram como resultado de pesquisas. O objetivo é incentivar e auxiliar as equipes de robótica a desenvolver soluções para problemas do mundo real que demonstrem originalidade e tenham potencial de agregar valor significativo ao mundo.

Além do projeto de pesquisa, no torneio FLL os jovens são avaliados pelo trabalho em equipe, pelo desempenho e design do robô que eles mesmos devem programar. As competições de robótica estimulam o desenvolvimento de competências fundamentais para o profissional do futuro como espírito investigativo, trabalho em equipe, planejamento, cooperação, diálogo, pesquisa e tomada de decisões. O SESI é o organizador oficial dos torneios de robótica FLL no Brasil desde 2013. Neste ano, passou a promover, também, o Torneio SESI FIRST Tech Challenge, para jovens do ensino médio.

SAIBA MAIS - Acesse o site do Festival SESI de Robótica para saber tudo sobre os torneios brasileiros.

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