Fórum das Grandes Indústrias debate inovação, crédito e defesa comercial no INDEX

Encontro em Salvador reuniu lideranças da indústria, governo e instituições de fomento para discutir competitividade, inovação e os impactos do avanço das importações

Fórum das Grandes Indústrias debate inovação, financiamento e competitividade durante o INDEX, em Salvador

Salvador sediou, nesta quarta-feira (06), durante o INDEX, o Fórum das Grandes Indústrias, que reuniu lideranças do setor produtivo, representantes do governo federal e instituições de fomento para discutir caminhos para ampliar a competitividade da indústria brasileira.

Na abertura, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, destacou a importância da atuação integrada entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o setor produtivo para fortalecer a indústria nacional diante da concorrência internacional, especialmente da China.

Segundo Alban, o Brasil precisa ampliar investimentos em tecnologia, inovação e modernização industrial para aumentar a competitividade do país.

“É muito importante transformar isso em capacidade de alavancagem financeira em detrimento da realidade que nós temos de custos. Nós precisamos fazer com que, através de nossas instituições e parcerias, encontrarmos as cadeias produtivas necessárias”, pontuou.

Alban também defendeu maior diálogo entre governo e setor produtivo e destacou a necessidade de utilizar os instrumentos de financiamento de forma eficiente para impulsionar a transformação econômica e a competitividade da indústria. Ele também reconheceu o papel estratégico do BNDES e da Finep nesse processo.

Representando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior, José Luis Gordon apresentou os avanços do Plano Mais Produção, da Nova Indústria Brasil (NIB), que articula governo federal, BNDES, CNI e federações industriais para ampliar o financiamento ao setor. 

Segundo ele, entre 2023 e 2025, o banco destinou R$ 300 bilhões ao setor empresarial, meta inicialmente prevista apenas para 2026, e agora busca alcançar R$ 370 bilhões até o fim deste ano, com foco na indústria.

Gordon destacou ainda a ampliação de linhas voltadas à inovação, digitalização e transformação produtiva, além de programas para biocombustíveis, biometano, fortalecimento da indústria nacional e renovação de frota. “O BNDES permanece disponível para atender empresas de todos os portes, direta ou indiretamente, além de desenvolver novas linhas de crédito de acordo com as demandas do setor produtivo”, assegurou.

Ricardo Alban e Carlos Henrique Passos defenderam mais investimentos em tecnologia, financiamento e modernização industrial durante o Fórum das Grandes Indústrias, realizado no INDEX, em Salvador

O presidente nacional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Bruno Quick, defendeu maior agregação de valor à produção nacional e a integração entre grandes empresas, startups e pequenos negócios. “Para isso é fundamental a cooperação entre universidades, setor produtivo, instituições de pesquisa e governo para impulsionar o desenvolvimento regional”.

Já o presidente da FINEP, Luiz Antônio Elias destacou a ampliação dos recursos para inovação industrial. Segundo ele, os investimentos passaram de R$ 13 bilhões entre 2019 e 2022 para mais de R$ 40 bilhões contratados entre 2023 e 2025. A meta é investir R$ 36 bilhões até o fim de 2026.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia, Carlos Henrique Passos defendeu um ambiente de negócios mais estável e a ampliação do acesso das empresas aos instrumentos de financiamento e inovação.

Indústria alerta para impactos do avanço das importações

A agenda de defesa comercial também ganhou espaço no evento. A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri alertou para o avanço das importações e os impactos sobre a indústria de transformação brasileira.

“A indústria brasileira enfrenta um desafio estrutural. Quando analisamos os fluxos de comércio sob a ótica da indústria de transformação, observamos um desequilíbrio crescente, tanto na balança comercial quanto na intensidade tecnológica das exportações”, afirmou.

No Painel de Defesa Comercial do Fórum das Grandes Indústrias, Constanza Negri alertou para o avanço das importações e defendeu o fortalecimento dos instrumentos de defesa comercial para proteger a indústria brasileira

Segundo ela, o déficit comercial com a China saltou de cerca de US$ 10 bilhões em 2020 para quase US$ 50 bilhões nos últimos cinco anos. “Defesa comercial é uma ferramenta legítima, baseada em arcabouço legal consolidado. O Brasil pode atuar de forma mais assertiva e estratégica”, destacou.

A sócia da MPA Tradelaw, Rafaela Noman, também apontou um aumento global das ações de defesa comercial, tendência acompanhada pelo Brasil. Ela observou que a China responde atualmente por quase metade das investigações em curso no país — 30 das 67 apurações abertas — além de concentrar a maior parte das medidas já em vigor.

Os setores mais afetados, segundo os dados apresentados, são químicos, metais, têxteis e aparelhos médicos.

As especialistas defenderam que a agenda de defesa comercial seja conduzida com maior racionalidade técnica, afastada de disputas ideológicas e baseada em monitoramento permanente dos fluxos de importação. Entre as propostas apresentadas está a criação de um sistema nacional contínuo de acompanhamento de dados de comércio exterior, com ferramentas de inteligência capazes de identificar movimentações críticas em tempo real.

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