Sistema avalia em tempo real a qualidade do leite que sai das fazendas brasileiras

Pequena máquina transmite o resultado para aplicativo de celular. A tecnologia desenvolvida pela empresa mineira Bioaptus Consultoria & Serviços foi vencedora do Edital de Inovação para Indústria

Quando pensou em desenvolver uma tecnologia de inovação capaz de aumentar a segurança alimentar do leite para consumo humano, o professor-doutor Luiz Augusto Pinto, da Bioaptus Consultoria & Serviços de Biotecnologia, ficou diante do desafio: entender em tempo real qual a qualidade do leite que sai das fazendas brasileiras e chega à mesa do consumidor. 

De imediato, percebeu que os testes feitos em laboratórios brasileiros seguiam procedimentos lentos. Quando chegavam os laudos, o produto estava distribuído, muitas vezes, à boca do consumidor. “Precisávamos de um dispositivo que fornecesse esse diagnóstico em velocidade”, apontou.

Doutor em bioquímica e biologia molecular com pós-doutorado em biotecnologia, Luiz Augusto Pinto é também responsável pelo desenvolvimento do primeiro sistema de diagnóstico a partir da gota de sangue para consultas rápidas em hospitais e clínicas.

“Foi a partir do algoritmo desse projeto que a equipe de PD&I da Bioaptus resolveu testar a tecnologia para a análise de leite”, destaca Dr. Luiz Augusto

Assim nasceu o MILTTI – Leite Inteligente, sistema formado por uma máquina portátil capaz de analisar o leite de forma instantânea. “Como a tecnologia funciona bem para humanos em amostras de sangue, o desafio foi testar no pé da vaca, literalmente, usando leite. Depois foi necessário adaptar o processo à logística das fazendas. E, principalmente, à necessidade dos transportadores de leite e central de armazenamento”, conta Dr. Luiz Augusto.

Produção saudável – A amostra pode ser feita vaca a vaca ou retirada diretamente do caminhão e do tanque de armazenamento e submetida a um reagente desenvolvido pela Bioaptus, a partir de uma pesquisa de anticorpos sintéticos, obtendo assim uma leitura da composição do produto. “Detectamos a presença tanto de células somáticas (inflamatórias) quanto de antibióticos aplicados em excesso ao animal, como também os percentuais de gordura e proteína”, observa doutor Luiz Augusto, acrescentando que “com o MILTTI, é possível eliminar o grave problema da mastite nas vacas. Assim eliminamos o uso irracional de antibióticos. Aumentando a qualidade do leite e a saúde de toda a população”.

Com mais qualidade, é possível produzir mais, devido a perdas menores no processo

O resultado é transmitido para um aplicativo de celular e os produtores podem identificar em tempo real os problemas no leite, agindo em tempo para que a população consuma o produto com mais qualidade. “Com um leite melhor, é possível produzir mais, devido a perdas menores no processo, seus derivados, como queijo, iogurte e manteiga. Isso faz com que o preço se torne mais competitivo”, destaca o fundador da Bioaptus.

Vencedor do Edital de Inovação para Indústria, do SENAI/SESI/Sebrae, o MILTTI – Leite Inteligente passou por testes em fazendas e entrou em prospecção de mercado, depois de 18 meses de pesquisa e desenvolvimento. “Temos todas as proteções intelectuais necessárias para comercializar o MILTTI. E estamos prontos para exportação”, anuncia o cientista.

O Edital de Inovação para Indústria foi essencial para a pesquisa porque permitiu que a empresa contratasse uma equipe de cinco pessoas, sendo dois doutores (PhD). “O SENAI nos deu ainda um profundo conhecimento sobre benchmarking para entendermos o mercado e quais os benefícios desse produto”, aponta o doutor Luiz Augusto.

Inovação no DNA – O investimento em inovação é o sentido de existir da Bioaptus. Hoje, a empresa atua na área de medicina laboratorial e P&D em Biociências. “Somos uma empresa de PD&I. Nosso maior ativo é a mente de nossos cientistas. Inovação é a nossa alma. Nosso DNA”, destaca Dr. Luiz Augusto.

A Bioaptus está incubada pela Habitat, incubadora gerida pela Biominas, e é detentora da patente de plataforma tecnológica Anfitech, que produz anticorpos sintéticos, os chamados aptâmeros. Os aptâmeros podem substituir os anticorpos comuns em pesquisas, terapias, diagnósticos de doenças e no controle de qualidade da indústria de alimentos. Substituem a importação de anticorpos naturais a partir de sistema in vitro sem o uso de animais. 

“É muito bom saber que temos capacidade de entender necessidades de soluções para a saúde em animais. Somos especializados em saúde para humanos. Mas podemos melhorar a vida de outras atividades humanas, como a agropecuária. Isto é sensacional”, comemora.

Por meio dessa plataforma, a empresa oferece ao mercado um catálogo com mais de 100 anticorpos sintéticos que podem ser customizados. Recentemente, a empresa foi considerada pela revista Exame um dos melhores exemplos no Brasil das transformações que a tecnologia está promovendo no setor de análises clínica.

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