Floresta em pé gera novas oportunidades de negócios

Prova disso é o que ocorre no Legado das Águas, maior reserva privada da Mata Atlântica brasileira. Lá tem ecoturismo, comercialização de mudas e até inventário de espécies para pesquisa e inovação
“Floresta conservada é a melhor maneira de absorver carbono da atmosfera” - David Canassa, da Reserva Votorantim

As florestas tropicais têm importância fundamental para a conservação da biodiversidade, manutenção da qualidade de vida do planeta e prestação de serviços ecossistêmicos, como o sequestro e o armazenamento de carbono. De grande ajuda para frear os avanços do aquecimento global, estima-se que cada hectare de floresta tem a capacidade de absorver cerca de 150 a 200 toneladas de carbono por meio da fotossíntese.

É o que ocorre no Legado das Águas, a maior reserva privada da Mata Atlântica do Brasil, com 31 mil hectares. Localizada no Vale do Ribeira, sul do estado de São Paulo, a área foi adquirida na década de 1940 pela Votorantim. Na época, a ideia era manter o território conservado na região do rio Juquiá, onde seriam construídas sete hidrelétricas para gerar a energia necessária à Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).

Há sete anos, em 2012, o Legado das Águas foi transformado em polo de pesquisas científicas, estudos acadêmicos e desenvolvimento de projetos de valorização da biodiversidade, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo. Hoje é administrado pela Reservas Votorantim, empresa criada para gerir os ativos ambientais da Votorantim, e conta com patrocínio de quatro companhias do Grupo: Votorantim Cimentos, Votorantim Energia, CBA e Nexa.

Segundo Davi Bomtempo, gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Legado das Águas é um exemplo de que a sustentabilidade está na estratégia dos negócios que querem ir além da sobrevivência, mas querem literalmente deixar sua marca na sociedade ao longo dos tempo. “Conservar o meio ambiente é, por um lado, garantir recursos para a manutenção dos negócios”, destaca.

MODELO INOVADOR – O diretor da Reservas Votorantim, David Canassa, explica que a gestão do Legado das Águas atua a partir de três vertentes, gerando receita para a empresa. O modelo de negócio é inovador: utiliza uma imensa área de mata conservada para promover o desenvolvimento socioeconômico territorial e gerar valor compartilhado. “Floresta conservada é a melhor maneira de absorver carbono da atmosfera”, reforça Canassa.

Nessa linha, a primeira vertente é a compensação de reserva legal. Por meio do mecanismo, o proprietário rural que não possui o percentual de Reserva Legal exigido pela legislação pode regularizar sua situação, compensando em áreas equivalentes localizadas em outro imóvel rural. É exatamente essa compensação que a empresa oferece no Legado das Águas. 

“Conservar o meio ambiente é garantir recursos para a manutenção dos negócios” - Davi Bomtempo, da CNI

Outra atividade é a produção e comercialização de mudas nativas da Mata Atlântica. “Além de atender ao reflorestamento, essas mudas são utilizadas para paisagismo na construção civil, o que traz para o empreendimento ganhos no negócio, com valores agregados”, explica Canassa. A empresa tem capacidade para produzir 200 mil mudas por ano, de 100 diferentes espécies nativas do bioma. Entre elas, o cedro-rosa, a copaíba e o jacarandá-branco.

Um trabalho modelo nesse sentido foi desenvolvido pela Votorantim Cimentos em parceria com a Bioflora. Em vez de recobrir os taludes que se formam ao redor de suas unidades mineradoras com matéria orgânica, como era costume, foram plantadas mais de 7 mil mudas provenientes dos viveiros do Legado das Águas. Além disso, as mudas podem ser rastreadas por meio de QRCode, o que garante qualidade durante todo o processo de manejo, da coleta na matriz até o destino final. O projeto chama-se Código Verde.

ECOTURISMO – Passeios em trilhas guiadas, mountain bike, canoagem, cachoeiras e observação de pássaros formam a terceira vertente que gera receita a partir da conservação ambiental. “Nós percebemos que além da conservação da flora e da fauna, a Reserva poderia ser um local de práticas esportivas, ecoturismo e contemplação da natureza, proporcionando à sociedade a possibilidade de estar em uma área praticamente intocada”, conclui o diretor da Reservas Votorantim.
 

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