Melhor competidor em torneio americano de educação técnica vai treinar outros soldadores

Com apenas 20 anos, Rafael já possui um grande histórico de conquistas em disputas de educação profissional
Rafael comemora o resultado em sua última disputa como competidor do SENAI, em Bogotá. De volta a Mossoró, ele já trabalha como treinador

É hora de comemorar: com 25 medalhas de ouro, quatro de prata e uma de bronze, os brasileiros fizeram sucesso na WorldSkills Américas 2014, realizada em Bogotá, na Colômbia. Ao todo, a competição reuniu 186 jovens, sendo a delegação brasileira formada por 30 alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e quatro do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Este foi o melhor resultado alcançado pelo Brasil durante as três edições da competição.

O grande destaque deste ano foi Rafael Wenderson Morais Pereira, que deixou Mossoró, cidade do Rio Grande do Norte, para trazer três prêmios da competição interamericana. O técnico de mecânica industrial ficou com o ouro na ocupação soldagem. Além disso, recebeu medalha de ouro de melhor competidor brasileiro, e o troféu Albert Vidal, por ter alcançado o melhor desempenho entre todos os participantes do torneio.

Com apenas 20 anos, Rafael já possui um grande histórico de conquistas em disputas de educação profissional. Em 2012, ele levou o ouro na Olimpíada do Conhecimento e prata na WorldSkills International, realizada no ano passado em Leipzig, na Alemanha. O aluno explica que, durante três anos, dedicou todo o seu tempo a testes que simulavam as competições. Ele destaca o papel fundamental do SENAI nas vitórias. Ouça, clicando aqui.

Ele levou a prata na WorldSkills International no ano passado, na Alemanha

Rafael Pereira retornou de Bogotá na última terça-feira (8) e conversou, por telefone, com o Portal da Indústria. Confira a entrevista: 

Portal da Indústria - Você teve o melhor desempenho entre os 186 competidores da WorldSkills Américas. Como foi sua reação ao receber a notícia? 

Rafael Pereira – Sinceramente, eu não esperava todos esses prêmios. Pensei que receberia apenas na minha ocupação, que é solda. Então, quando anunciaram o meu nome, foi uma surpresa muito grande. Fiquei muito feliz.

Qual a principal diferença entre a WorldSkills e as outras competições das quais participou?

Rafael Pereira – A WorldSkills Américas é uma competição menor do que o mundial na Alemanha, mas em alguns momentos a emoção foi até maior. Era a minha última prova, então eu tinha que dar o meu máximo. Até o que não conseguia, tinha que fazer dar certo. Coloquei na minha cabeça que era minha última prova e que precisava dar o meu melhor, e o resultado foi esse.

Como foi a sua preparação diária? Quanto tempo dedicou?

Rafael Pereira – Era de no mínimo oito horas por dia, incluindo finais de semana e feriados. Normalmente, eu simulava a prova que seria aplicada na competição. Passei por vários testes de índice e, se não atingisse a nota, eu correria o risco de ser cortado da disputa. Passei por testes rigorosos, iguais aos da WorldSkills.

Quais foram as maiores dificuldades na realização das tarefas?

Rafael Pereira – Aconteceram várias coisas durante a prova. Tive problemas com o meu equipamento e com a máscara. Também tinham coisas que nunca usei antes, mas eu sabia que estava bem preparado para contornar tudo isso. Participamos de uma ambientação antes da prova, vi as mudanças, anotei tudo no meu caderno e coloquei em prática. Não fui com a certeza de ganhar, mas fui confiante de que tudo daria certo se fizesse o meu trabalho.

Em sua opinião, qual a importância da educação profissional?

Rafael Pereira – A educação é o que transforma a nossa vida. Sinceramente, eu não sei onde estaria se não tivesse entrado no SENAI, por influência do meu irmão. A gente sabe que hoje em dia, se uma pessoa não estiver bem estruturada nessa área, só se envolve com gente errada. Agradeço muito a Deus por ter trilhado esse caminho, por ter dado tudo certo na minha vida e estar dando até hoje.

Como foi acompanhamento da sua família antes e durante a WorldSkills?

Rafael Pereira – O apoio da minha família sempre existiu. Meu irmão já foi competidor também e hoje é o meu treinador, então eu escutava tudo que ele passou nas viagens e pensei ‘Eu quero isso também’. Ele foi meu espelho. Pelo histórico do meu irmão, eu tinha que dar continuidade a um grande trabalho. Então, em relação a apoio e motivação, eu tinha até de sobra.

O que pretende fazer daqui pra frente?

Rafael Pereira – De início, pensei em descansar. Mas já voltei a trabalhar, agora sou treinador de outros competidores aqui no SENAI de Mossoró, e eles não podem ficar parados. Quero dar prioridade a isso, para fazer o mesmo que fizeram por mim. As pessoas que me treinaram trancaram faculdade, deixaram de ir pra festas e curtir a vida, para estar comigo todos os dias. Então eu também tenho que fazer isso por outras pessoas.

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