Educação também precisa ser inovadora, afirmam especialistas

A formação dos profissionais, em especial nas engenharias, é um dos temas mais sensíveis na pauta de inovação
O Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria foi promovido pela CNI em parceria com o Sebrae

Inovação depende de uma articulação precisa entre pessoas, oportunidades e visão estratégica do futuro. O papel de cada elemento e como coordená-los para um ambiente favorável à inovação balizou as discussões do segundo e último dia do 6º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria , uma iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

A formação dos profissionais, em especial nas engenharias, é um dos temas mais sensíveis na pauta de inovação. “O modelo tradicional de educação está em xeque por uma coisa chamada Google. Você não vai ser pago só porque sabe das coisas. Estamos ensinando as coisas erradas às pessoas erradas, usando métodos ineficazes”, resumiu Richard Miller, presidente e professor da Olin College of Engineering, instituição americana considerada uma das principais referências de novos métodos para educação voltada à inovação. Segundo ele, é preciso unir a ciência dura às outras disciplinas voltadas para o empreendedorismo, a administração e às ciências humanas - as chamadas soft skills.

Outro exemplo de ensino de ponta que mira a formação de jovens inovadores é a Sklokovo Innovation Center (Skoltech), que opera na Rússia, mas surgiu de uma iniciativa do Massachusetts Institute of Technology (MIT). “Tivemos a oportunidade de criar uma universidade inédita: somos uma aceleradora de inovação. Nosso objetivo é construir uma ponte entre a ciência e a inovação e educar os jovens para transformar o conhecimento científico em inovação para a indústria e mercado”, afirmou Edward Crawley, diretor da SkolTech. Os profissionais que o MIT e a SkolTech colocaram no mercado contribuíram com mais de US$ 2 trilhões ao PIB dos Estados Unidos, mais do que o PIB do Brasil. 

"Precisamos de sistemas tributários, regulatórios e legais que contribuam com a inovação" - Deborah Wince-Smith

CONCEITO EM CONSTRUÇÃO - Considerado um guru da inovação e do futuro da tecnologia, o americano John Kao foi uma das atrações do dia. Pela manhã, ele comandou um workshop sobre o desenvolvimento da inovação e, no início da tarde, realizou uma palestra ressaltando como a inovação é um assunto novo e quais são as barreiras que a sociedade precisa derrubar para tornar-se cada vez mais inovadora. “Não seja tolo e ache que vai comprar um livro e aprender tudo sobre inovação. Essa é uma história que todos têm de escrever. Temos o privilégio de participar desse processo”, disse.

Para ele, uma das brechas que é preciso fechar é a formação das pessoas. “Uma pesquisa recente da CNI mostra que, para 89% das empresas, é preciso ensinar aos profissionais como ser inovador. Esse é o papel da EdgeMakers”, afirmou, se referindo à companhia que criou para ajudar escolas, empresas e governos a estruturar e pensar de maneira inovadora.

Além disso, o setor privado e os governos devem se engajar para facilitar a inovação, avalia a CEO do Conselho de Competitividade dos Estados Unidos, Deborah Wince-Smith. “Num mundo multipolarizado e no qual as tecnologias avançam em várias direções, os sonhadores e realizadores precisam ter oportunidades. Por isso, precisamos de sistemas tributários, regulatórios e legais que contribuam com a inovação. No Brasil, é a MEI (Mobilização Empresarial pela Inovação) quem vem trabalhando arduamente para chegar a esse objetivo”, avaliou.

Fotos - Todas as fotos do 6º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria estão no perfil da CNI no Flickr. Acesse! 

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