A três meses da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reafirmou seu compromisso com a agenda climática. Nesta segunda-feira (4), durante a São Paulo Climate Week, a CNI apresentou o trabalho desenvolvido pelo setor privado para acelerar a implementação de soluções concretas por meio da iniciativa Sustainable Business COP (SB COP).
A CEO da COP30, Ana Toni, aproveitou a oportunidade para reforçar o espírito de engajamento do encontro, que teve como foco discutir o financiamento necessário para transformar compromissos climáticos em entregas reais.
“É muito importante que o setor privado vá a Belém. Queremos contar com vocês", afirmou Ana Toni, CEO da COP30.
Lançada pela CNI, com a participação de empresas e instituições internacionais, a SB COP é estruturada em oito grupos de trabalho que atuam em temas como bioeconomia, cidades sustentáveis, economia circular e transição energética. As iniciativas estão sendo desenvolvidas para contribuir com as negociações e anúncios da COP30, que acontecerá em Belém (PA) entre os dias 10 e 21 de novembro.
“A SB COP já nasce conectada com instâncias internacionais: agora, fazemos parte da Marrakech Partnership, plataforma da ONU que articula ações para acelerar a implementação do Acordo de Paris. Isso fortalece o papel do setor privado e dá continuidade ao legado de engajamento da indústria nas COPs”, afirmou Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI.
Financiamento como chave para a ação
No evento, representantes dos grupos de trabalho da SB COP debateram os principais desafios e avanços necessários para viabilizar soluções climáticas com viabilidade financeira. Moderado por Ricardo Mussa, chair da SB COP, o painel discutiu caminhos para destravar o financiamento e transformar as iniciativas em ações concretas até a COP30.
A visão institucional internacional foi apresentada por Gabriela Dorlhiac, diretora executiva do ICC Brasil, que destacou o papel estratégico do setor privado na implementação do Acordo de Paris e o potencial ampliado da parceria com a SB COP.
Confira os temas que foram discutidos:
- Economia circular: necessidade de ampliar o financiamento para escalar soluções que reduzam emissões industriais;
- Green skills e empregos verdes: importância de recursos para formação profissional em larga escala, especialmente em regiões vulneráveis;
- Soluções baseadas na natureza (NbS): superação de obstáculos para bancabilidade e integração aos mercados de carbono;
- Cidades sustentáveis: instrumentos financeiros inovadores para viabilizar infraestrutura urbana net-zero;
- Transição energética: mecanismos estratégicos para acelerar a mudança para energias renováveis;
- Bioeconomia: viabilização do fluxo de capital para soluções escaláveis no Sul Global.
Ao final, Mussa reforçou a importância de alinhar soluções, recomendações e mecanismos financeiros para garantir entregas concretas do setor privado na COP30.
A vitrine climática brasileira
Dan Ioschpe, Campeão Climático da COP30, destacou o potencial do Brasil como exemplo global de uma transição que alia desenvolvimento e sustentabilidade. “Temos tudo para expandir nossas cadeias de valor com base na sustentabilidade”, afirmou. Ele também ressaltou que, apesar dos desafios históricos enfrentados pelo país, a percepção internacional é positiva.
“Lá fora, somos vistos como um país de soluções”, declarou Dan Ioschpe, Campeão Climático da COP30
O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, reforçou que a conferência é uma oportunidade de mostrar ao mundo o potencial brasileiro. “O Brasil é uma versão pequena do universo. Nossa missão é mostrar que, apesar das diversidades e desafios, é possível alcançar resultados concretos e inspirar avanços globais.”
Caminhos possíveis e próximos passos
A programação seguiu com debates sobre o Plano de Transformação Ecológica, conduzido pelo Ministério da Fazenda, que traça diretrizes para alinhar desenvolvimento econômico e sustentabilidade.
Também foi apresentado o Eco Invest, programa do governo federal voltado à atração de capital estrangeiro privado para a descarbonização da economia brasileira. A iniciativa prevê o uso de leilões para selecionar projetos com potencial de impacto e retorno, como forma de impulsionar investimentos alinhados à agenda climática rumo à COP30.





