A maior competição de robótica do mundo começou e já abalou as estruturas dos nossos competidores brasileiros em Houston (EUA). Apesar de a mudança ter sido anunciada com algumas semanas de antecedência, foi nesta quinta-feira (30) que os jovens passaram pelas primeiras avaliações dos projetos no novo formato: antes aconteciam em salas e com horário marcado; a partir dessa temporada, elas acontecem nos pits ao longo do evento.
Para Miguel Almeida, 15 anos, da equipe Robotech (SE), o novo método de avaliação tem lados positivos e negativos. “Nós temos mais recursos para apresentar aqui no pit. Além da apresentação, temos as nossas duas paredes de banner com muitas informações e isso nos deixa mais confortáveis, mas, por outro lado, por não sabermos que horas a avaliação vai acontecer, ficamos tensos e ansiosos”, explicou o integrante da equipe, que participa do mundial pela segunda vez.
Na arena, a equipe decidiu focar nos tiros à distância para chamar a atenção de outros times. “A gente percebeu que tem poucas equipes com essa habilidade e achamos que assim vamos chamar atenção de equipes fortes na hora de escolher as alianças”, conta Almeida, que compete na categoria FIRST Tech Challenge (FTC).
Já a estreante no mundial, Mariana Soares, 16 anos, estudante do Serviço Social da Indústria (SESI) do Distrito Federal (DF), está achando a experiência intensa desde os primeiros dias. “Quando entrei na equipe Robot’s District, percebi que a robótica é algo muito maior e envolve também projetos sociais. A gente participou, por exemplo, de uma ação de plantio de 15 mil mudas no DF”, afirma.
Mariana percebeu que o ambiente internacional amplia ainda mais o aprendizado. Além dos desafios técnicos, a jovem destacou o contato com equipes de outros países. “A gente precisa se virar no inglês o tempo todo, conhecer pessoas de várias culturas, lidar com sotaques diferentes e até pedir peças emprestadas nos pits. Isso acaba sendo um treino constante”, explica. “Às vezes a gente para e pensa: como fala ‘bola’ mesmo? Como fala ‘combustível’? E vai aprendendo junto.”
Integrante da área de marketing da equipe, Mariana também assumiu um papel estratégico durante a competição. “Eu cuido das redes sociais, mas aqui no mundial estou apresentando o pit, porque poucas pessoas da equipe falam inglês. Acabei assumindo essa função também”, conta a competidora da FIRST Robotics Competition (FRC).
Competidores e visitantes revelarão o tema da próxima temporada
Nesta quinta-feira, competidores e visitantes também começaram a montar o painel de LEGO que revelará o tema da próxima temporada. Funciona assim: os participantes recebem um gabarito e uma placa para encaixar os blocos coloridos. Após a montagem, a peça é entregue aos voluntários, que a posicionam no painel de acordo com o esquema que guarda o desenho final em segredo. Ao final da atividade, o participante recebe o “Master Builder Award”, certificado de participação. Neste ano, até eu garanti o meu!
Delegação brasileira compete nas três categorias do mundial
Até o dia 2 de maio, 17 equipes brasileiras disputam prêmios e reconhecimento internacional no FIRST Championship. Os estudantes representam a rede SESI, além de escolas públicas e privadas de 10 estados: São Paulo (4 equipes), Rio Grande do Sul (2), Distrito Federal (2), Goiás (2), Mato Grosso (2), Minas Gerais (1), Pernambuco (1), Sergipe (1), Espírito Santo (1) e Santa Catarina (1). A delegação é liderada pelo SESI, operador oficial dos torneios de robótica da FIRST no Brasil.
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