Equipe de robótica do Pará representará o Brasil em mundial na China

Estudantes do SESI Ananindeua levarão projeto inovador desenvolvido na Amazônia ao FIRST LEGO League (FLL) Asia Open 2026

Estudantes da Escola SESI Ananindeua representarão o Brasil em uma das maiores competições de robótica educacional do mundo. O grupo é formado por estudantes de 14 a 16 anos e se desafiará a percorrer mais de 17 mil quilômetros, do Pará até Pequim, capital da China, onde disputará o FIRST LEGO League (FLL) Asia Open Championship 2026. O torneio reunirá cerca de 500 equipes de mais de 30 países e regiões, entre os dias 11 a 16 de agosto.

Primeira equipe a representar o Pará na categoria, a Born to Fight conquistou a vaga na etapa nacional, realizada em março, em São Paulo, na qual cerca de 100 times participaram. Os paraenses ganharam o Prêmio Niède Guidon, concedido ao melhor Projeto de Inovação do Brasil, além do 1º lugar em Design do Robô, resultados que garantiram a classificação à etapa no Oriente.

A equipe levará ao torneio internacional um projeto desenvolvido por estudantes da Amazônia, evidenciando o potencial da região na produção de ciência, tecnologia e inovação.

Tecnologia para preservar a história

Muito além da programação de robôs, a FIRST LEGO League desafia os estudantes a desenvolver soluções para problemas reais. Nesta temporada, cujo tema é Unearthed, voltado à arqueologia e à preservação do patrimônio histórico, a equipe paraense desenvolveu o Relicário Amazônia, um projeto que combina impressão 3D e tecnologia NFC para ampliar o acesso a peças arqueológicas.

A proposta permite reproduzir artefatos em impressoras 3D para que possam ser tocados, especialmente por pessoas com deficiência visual, enquanto um chip NFC fornece informações históricas sobre cada peça por meio de dispositivos móveis. A iniciativa busca ampliar a acessibilidade aos acervos, democratizar o conhecimento e reduzir o manuseio das peças originais. "Queremos que qualquer pessoa possa conhecer um artefato arqueológico, entender seu contexto e até tocá-lo, sem colocar em risco o patrimônio original. É tecnologia sendo usada para preservar a memória e tornar o conhecimento mais acessível", explica Maria Clara Ramos, aluna de 16 anos e integrante da equipe.

Robótica que desenvolve competências para o futuro

A FIRST LEGO League é um programa internacional de robótica educacional voltado para crianças e adolescentes. A iniciativa incentiva o desenvolvimento de habilidades em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) por meio de desafios práticos.

As equipes são avaliadas em quatro áreas: Desafio do Robô, Projeto de Inovação, Design do Robô e Core Values, que valorizam competências como trabalho em equipe, criatividade, respeito e cooperação.

Os impactos desse modelo de aprendizagem também são apontados pela ciência. Um estudo publicado em 2022 no Journal for STEM Education Research, da editora Springer, revisou 26 pesquisas realizadas entre 2004 e 2022 e concluiu que a participação na FIRST LEGO League amplia o interesse de crianças e adolescentes por carreiras nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).

A pesquisa também identificou ganhos no desenvolvimento de competências consideradas essenciais para o século XXI, como criatividade, colaboração, comunicação e pensamento crítico, além de maior motivação para a aprendizagem em ciência e tecnologia. Os autores destacam que esses efeitos são ainda mais significativos para meninas e grupos historicamente sub-representados nessas áreas.

Para o superintendente do SESI Pará, Dário Lemos, iniciativas como a FIRST LEGO League aproximam os estudantes de desafios reais e ampliam as possibilidades de formação. "A robótica educacional coloca o estudante no centro da aprendizagem. Ele deixa de apenas consumir conhecimento e passa a investigar, criar soluções, testar hipóteses, trabalhar em equipe e comunicar ideias. Essas são competências fundamentais para o mercado de trabalho, mas, sobretudo, para formar cidadãos capazes de enfrentar os desafios de um mundo em constante transformação", comenta.

A transformação também é percebida pelas famílias. A mãe da estudante Clara Perez, Silvana Perez, conta que a robótica mudou a forma como a filha se relaciona com os desafios. "A Clara era uma criança tímida, que evitava falar em público. Hoje vejo uma jovem segura, capaz de defender suas ideias, resolver problemas e apresentar um projeto em inglês para avaliadores internacionais. Independentemente do resultado da competição, essa experiência já representa uma conquista enorme para ela", relata.

Educação que rompe fronteiras

A participação da Born to Fight integra uma sequência de experiências internacionais vividas por estudantes do SESI Pará nos últimos anos.

Segundo a gerente de Educação do SESI Pará, Márcia Arguelles, o objetivo é ampliar as oportunidades para que os alunos vivenciem experiências de alcance global. "Nos últimos anos, nossos estudantes participaram de competições internacionais de robótica, desenvolveram pesquisas em parceria com a NASA e integraram programas acadêmicos promovidos pela Universidade Harvard. A ida da Born to Fight ao mundial mostra que nossos alunos estão preparados para dialogar com o mundo e que uma educação de qualidade pode abrir caminhos antes inimagináveis", afirma.

O técnico da equipe, Alan Raiol, acompanha a trajetória da Born to Fight há 4 temporadas e destaca que a classificação representa o resultado de anos de dedicação. "Chegar a um mundial é consequência de um trabalho que começou há seis anos. A cada temporada, a equipe evoluiu em pesquisa, programação, projeto de inovação e trabalho em equipe. Mais do que disputar uma competição, esses jovens mostram que a Amazônia também produz ciência, tecnologia e inovação capazes de dialogar com qualquer lugar do mundo", disse.

A delegação paraense embarca no domingo (9), com 12 integrantes, entre estudantes, técnicos, professores, gestores e equipe de comunicação.

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