Indústrias nacionais debatem como podem ajudar no combate às mudanças climáticas

CNI e revista IstoÉ Dinheiro realizaram encontro com executivos sobre papel das empresas na economia de baixo carbono. Investimentos em inovação e negócios mais sustentáveis podem apontar caminhos
Executivos defendem que é importante levar em conta o ciclo de vida dos produtos, no combate às mudanças climáticas

Investimentos em pesquisa e desenvolvimento e um ambiente favorável a negócios mais sustentáveis são fundamentais para a superação dos desafios trazidos pelas mudanças climáticas. Essa foi a conclusão do debate Sustentabilidade e Mudanças Climáticas: novos negócios realizado nesta segunda-feira (26), pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a revista IstoÉ Dinheiro.

De acordo com a diretora de Relações Institucionais da CNI, Mônica Messenberg, as grandes multinacionais trabalham de forma mais ativa em pesquisa e desenvolvimento para procurar alternativas tanto para a redução de emissões de gases de efeito estufa quanto para adaptação à mudança do clima. No entanto, ela destaca, é importante criar um ambiente que insira as empresas de pequeno e médio porte de forma mais significativa nesse processo. “É necessário, por exemplo, facilitar o acesso ao crédito e considerar as externalidades das tecnologias no custo do financiamento”, disse. 

Segundo Mônica, a indústria brasileira, que tem participação em cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, tem seus processos responsáveis por apenas 7% das emissões de gases de efeito estufa. “Para a consolidação da economia de baixo carbono, é preciso, no entanto, um sistema de governança com coordenação mais ampla e visão estratégica que considere iniciativas em energia, recursos hídricos, resíduos, entre outros.”

Diretora de Relações Institucionais da CNI, Mônica Messenberg, explica que muitas empresas já investem em alternativas para a redução de gases de efeito estufa

ECONOMIA CIRCULAR – Na visão dos executivos, o ponto central para se direcionar a inovação em mudanças climáticas é se levar em conta o ciclo de vida dos produtos. “É fundamental aumentar o ciclo de vida dos produtos e criar sistemas entre empresas que permite o melhor uso de recursos”, destacou o CEO global da Votorantim Cimentos, Walter Dissinger.

Para o CEO da Braskem, Fernando Musa, a questão de análise de ciclo de vida dos produtos precisa ser apropriado pela sociedade para melhorar a decisão dos cidadãos. “A sociedade é um ecossistema complexo e precisa promover ajustes constantes no consumo e no comportamento de acordo com as necessidades momentâneas”, disse. Como exemplo, citou a necessidade de usar copos descartáveis para evitar o uso de água em momentos de escassez hídrica.

Conforme o gerente-geral de Sustentabilidade da ArcelorMittal Brasil, Guilherme Abreu, a circularidade no uso de recursos ainda está muito voltada à reciclagem. “A questão de reúso e remanufatura, por exemplo, não são tão proeminentes no país. No entanto precisamos levar essas questões em consideração pelo simples fato de os recursos serem finitos”, alertou Abreu.

De acordo com Mônica, há grandes oportunidades na economia circular, que tem como estratégia o uso mais eficiente dos recursos, desde a concepção dos produtos até o reaproveitamento de materiais. “Inovação envolve risco e o governo precisa apoiar a criação desse ciclo virtuoso desonerando, por exemplo, os resíduos usados na reciclagem.”

BOAS PRÁTICAS – Entre as iniciativas de economia circular que começam a ganhar destaque – e importância pela necessidade de adaptação às mudanças climáticas – está o uso de esgoto tratado pelas indústrias. A Braskem, do setor químico, é a principal usuária de água de reúso do projeto Aquapolo, uma das maiores iniciativas de uso de esgoto tratado para uso industrial do Brasil.

A ArcelorMittal ganhou recentemente um prêmio mundial do setor siderúrgico pela melhoria da gestão hídrica, que envolveu o alto comando da empresa no Brasil. Os pilares da iniciativa foi o uso eficiente da água, de fontes alternativas, como águas subterrâneas e dessalinização, e o reuso do recurso nos processos internos e de esgoto tratado.

Na indústria do aço, um destaque é o uso de sementes de açaí para produção de energia em substituição ao coque. Com essa iniciativa, a Votorantim deixou de usar 4 mil toneladas de coque no processo produtivo brasileiro e economia de R$ 12 milhões por ano. Investimentos em pesquisa e desenvolvimento e um ambiente favorável a negócios mais sustentáveis são fundamentais para a superação dos desafios trazidos pelas mudanças climáticas.

Assista ao debate na íntegra:

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