Você saberia qual caminho seguir e quais comportamentos adotar para alcançar um futuro mais sustentável? Essa foi a temática do Festival Energia, realizado pelo SESI Lab em junho, e que reuniu especialistas de diversas áreas para responder essas e outras questões, com foco na transição energética.
Mais do que um evento técnico, o festival destacou o papel essencial da cultura, da arte e da educação como ferramentas para ampliar o alcance e a compreensão desse debate, aproximando a sociedade das questões ambientais e energéticas.
Ao integrar conhecimento científico com expressões culturais, o festival mostrou que a construção de um amanhã mais equilibrado depende também do engajamento coletivo e do diálogo entre diferentes saberes.
Preparamos uma lista com as principais ideias, reflexões e propostas apresentadas ao longo dos painéis do festival. Falou-se desde soluções tecnológicas para a transição energética até estratégias de inclusão social e educação ambiental. Bora conferir?
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Transição energética: uma urgência global com potencial transformador para o Brasil
Com a intensificação das mudanças climáticas, cresce a pressão sobre governos, empresas e sociedades para reestruturar o modelo de uso de recursos naturais. O setor energético está no centro dessa transformação. Ele é responsável por uma parcela significativa das emissões globais de carbono e, ao mesmo tempo, carrega o potencial de liderar a mudança.
Transitar para uma matriz energética limpa implica, também, em uma profunda transformação tecnológica. É uma questão estratégica — econômica, ambiental e geopolítica.
Nesse cenário, o Brasil surge como um protagonista em potencial. O país já ocupa o 4º lugar no ranking global de capacidade instalada de energia eólica, atrás apenas de China, EUA e Índia. E há projeções otimistas: segundo a BloombergNEF, até 2050, 30% da matriz energética brasileira pode ser solar.
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Clima e cooperação internacional: os acordos precisam continuar
Se o mundo não está em uma situação ainda mais crítica no que diz respeito ao aquecimento global, muito se deve às décadas de esforços conjuntos promovidos pela ciência e pela diplomacia internacional. As conferências climáticas, os acordos multilaterais e as metas estabelecidas pelas convenções das Nações Unidas não são perfeitos, mas têm sido essenciais para a construção de consensos e avanços concretos.
É imprescindível que esses espaços de negociação continuem sendo fortalecidos. Eles oferecem uma arena onde a ciência, os direitos humanos e os compromissos ambientais podem caminhar juntos.
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Museus e espaços culturais: aliados estratégicos na educação climática
O enfrentamento da crise climática não depende apenas de inovação tecnológica e decisões políticas. A educação e a cultura têm papel central na construção de uma consciência coletiva voltada para a sustentabilidade.
Espaços de ciência e cultura, como os museus, são fundamentais nesse processo. Eles são ambientes confiáveis, que possibilitam o debate de temas complexos de maneira acessível e segura. Além disso, possuem um enorme potencial de sensibilização: ao educar uma criança sobre as questões ambientais, também se alcança sua família.
A mudança climática não é apenas um fenômeno científico — é uma questão atravessada por temas das ciências sociais, ética, economia e cultura. Por isso, precisa ser abordada em todas as suas dimensões. Museus, centros culturais e outros espaços de educação não formal lançam sementes de reflexão e promovem engajamento coletivo. A cultura precisa ser tratada como um pilar fundamental para o desenvolvimento sustentável. Ela amplia o debate, humaniza as questões e torna a transição energética um processo mais democrático.
“É muito fácil entrar em uma apatia e negação quando falamos sobre futuro e emergência climática. Mas precisamos mostrar que é possível encontrar caminhos”, reforça a roteirista do podcast de divulgação científica Vinte Mil Léguas, Leda Cartum.
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Combate à desinformação: a ciência como aliada do futuro
Nenhuma das transformações necessárias será possível sem o combate à desinformação. Em um cenário marcado por fake news e negacionismo climático, o letramento científico se torna uma ferramenta essencial para a construção de futuros sustentáveis.
Promover uma sociedade capaz de entender os dados científicos, interpretar evidências e se engajar em debates informados é urgente. Isso passa por educação de qualidade, divulgação científica acessível e espaços que promovam a confiança na ciência.
A transição energética, a preservação ambiental e o enfrentamento da crise climática são tarefas coletivas. E só podem avançar com base em informação de qualidade, transparência e diálogo aberto com todos os setores da sociedade.



