Indústria é parte da solução para segurança hídrica, destaca presidente do Conselho de Meio Ambiente da CNI

Marcelo Thomé participou da abertura do seminário Dia Mundial da Água na Indústria promovido pela CNI nesta quinta-feira (28), em Brasília
“A falta de saneamento, além de contribuir para a insegurança hídrica no que se refere a quantidade e qualidade da água, compromete os ecossistemas e o desenvolvimento econômico”, afirmou Marcelo Thomé

A indústria é parte da solução para superar obstáculos ao avanço de projetos de reúso de água, dessalinização e saneamento básico. A afirmação foi feita por Marcelo Thomé, presidente do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Coemas) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), durante o seminário Dia Mundial da Água na Indústria, realizado nesta quinta-feira (28), em Brasília. Promovido pela CNI, o encontro reuniu representantes da indústria e do governo para debater políticas para garantir a segurança hídrica.

O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, também destacou a importância da indústria na segurança hídrica. Ele disse que, no saneamento, serão necessários recursos vultuosos e, para avançar, é fundamental estimular parcerias público-privadas. “É preciso trazer a iniciativa privada para ganharmos capilaridade, velocidade e incentivar avanços também no reúso de água”, declarou.

Thomé defendeu o aumento da geração de água de reúso para 10 metros cúbicos por segundo até 2030. “Isso seria equivalente a aumentar a disponibilidade hídrica no país em 8,4 metros cúbicos por segundo, considerando que o reúso planejado atual é estimado em 1,6 metros cúbicos por segundo, em média”, afirmou.

Promovido pela CNI, o encontro reuniu representantes da indústria e do governo para debater políticas para garantir a segurança hídrica

DESAFIOS – No entanto, o reúso de água enfrenta barreiras como a necessidade de importação de membranas filtrantes usadas no tratamento de água e efluentes. De acordo com Thomé, o imposto incidente sobre o material é de 14%. “Como o país não as produz é possível pleitear a redução da alíquota do imposto para 0% e, dessa forma, incentivar e consolidar o reúso de efluentes”, reforçou o presidente do Coemas. 

Em relação à dessalinização, o principal obstáculo são os custos. “ Onde não há água ou ela é escassa, o processo não só compensa como é a melhor opção”, assinalou Thomé. A opinião é compartilhada por Canuto. “Em segurança é preciso ter sempre uma alternativa para quando a principal fonte falhar. Vejo dessa forma a dessalinização”, declarou o ministro. 

TECNOLOGIAS – Conforme Alejandro Sturniolo, diretor da Associação Latino-Americana de Dessalinização e Reutilização de Água, as tecnologias de reúso de água e dessalinização estão disponíveis no mercado há mais de 40 anos. “Nunca teremos falta de água, se planejarmos os próximos anos. A água está no planeta para ser reutilizada e a tecnologia contribui com ciclo hidrológico”, destacou.
Sturniolo elogiou o avanço dos projetos de reúso de água no Brasil mesmo sem legislação sobre o tema. No entanto, ele disse que há potencial de crescimento maior em projetos de dessalinização. “Enquanto o Chile conta com 400 plantas de dessalinização, no Brasil temos menos de 10”.

“É preciso trazer a iniciativa privada para ganharmos capilaridade, velocidade e incentivar avanços também no reúso de água”, disse o ministro Gustavo Canuto

SANEAMENTO – Thomé ressaltou ainda desafios na universalização do saneamento básico e as perdas dos sistemas de abastecimento, que alcançam 38,3% em média. Há 98,8 milhões de brasileiros que não são atendidos pelos serviços de esgotamento. “A falta de saneamento, além de contribuir para a insegurança hídrica no que se refere a quantidade e qualidade da água, compromete os ecossistemas e o desenvolvimento econômico”, disse.

Segundo ele, as companhias privadas estão presentes em apenas 6% dos municípios brasileiros, mas responderam por 20% dos investimentos realizados no setor de abastecimento de água e esgotamento sanitário, entre 2013 e 2016, de acordo com estimativas da CNI. Conforme a entidade, é necessário investimento de R$ 21,6 bilhões por ano. “Para a universalização do serviço, será necessário que prestadores públicos e privados atuem em conjunto ou separadamente, sempre em benefício da sociedade”, declarou Thomé.

INDÚSTRIA – Para o senador Plínio Valério (PSDB-AM), a Zona Franca de Manaus contribui com a conservação das florestas na Região Amazônica. “Se não tiver indústria, a população terá de explorar a floresta para sobreviver, o que prejudica a disponibilidade hídrica para o país”, comentou. “Isso não é favor para a região.”

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