Faltam 15 dias para a COP31: confira as pautas da CNI para a agenda climática

Documento “Visão da Indústria para a COP31” orientará a atuação do setor produtivo brasileiro, na Turquia, com foco em recursos internacionais, regras de adaptação e combate a barreiras comerciais

Foto: Shutterstock

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) preparou um conjunto de diretrizes estratégicas para representar o setor produtivo brasileiro na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), que será realizada entre os dias 9 e 20 de novembro em Antália, na Turquia. Conduzida por um modelo inédito de presidência compartilhada entre Turquia e Austrália, a conferência tem como missão consolidar a etapa de implementação dos compromissos climáticos internacionais herdados de Belém (COP30). 

Sistematizadas no documento “Visão da Indústria para a COP31”, as recomendações da CNI buscam garantir que o avanço das metas multilaterais ocorra com segurança jurídica, ampliação de investimentos e salvaguarda da competitividade das empresas brasileiras. 

O presidente da CNI, Ricardo Alban, enfatiza que o setor produtivo é indispensável para os compromissos climáticos internacionais. "A indústria brasileira não é apenas parte da solução para a crise climática. Ela é o verdadeiro motor da transição para uma economia de baixo carbono. Na COP31, em Antália, o mundo precisa dar o passo definitivo da promessa para a implementação prática e mensurável”, afirmou Alban. 

Já o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, ressalta que o caminho para a descarbonização exige construção de consensos globais. “Para a CNI, fortalecer a implementação de ações climáticas que permitam reduzir emissões e adaptar os setores industriais é o caminho para a transição da economia de baixo carbono. Como interlocutora do setor industrial, queremos construir consensos para identificar as ações necessárias que impulsionarão o progresso diante da implementação do Acordo de Paris”, explicou. 

O financiamento ocupa o centro das atenções industriais. A CNI defende a estruturação do Programa de Trabalho sobre Financiamento Climático (CFWP) e o acompanhamento do Roadmap Baku-Belém para mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais até 2035.

Na agenda de resiliência, a prioridade da Confederação é a regulamentação dos 59 indicadores aprovados na COP30. A indústria reivindica que os metadados e as metodologias de mensuração reflitam as realidades do setor produtivo, sugerindo uma fase inicial de testagem dos indicadores no Brasil em conexão com os planos setoriais do Plano Clima e a plataforma IndicaClima. 

No âmbito do Programa de Trabalho de Mitigação (MWP), a CNI defende a manutenção de um formato estritamente voluntário, não prescritivo e soberano, impedindo que a conferência imponha metas compulsórias ou gere novas barreiras tarifárias aos setores exportadores.

O documento manifesta apreensão com a proliferação de regulamentações unilaterais associadas à agenda climática, a exemplo do mecanismo de ajuste de carbono na fronteira europeia (CBAM) e da lei de desmatamento da União Europeia (EUDR).  

Com o início do segundo ciclo do Balanço Global (GST2) em Antália, a indústria insiste que a avaliação dos progressos globais contemple trajetórias diferenciadas de descarbonização e crie mecanismos de valorização econômica para a conservação da vegetação nativa e a floresta em pé. 

Presença na Agenda de Ação e Fórum de Negócios 

Fora das salas formais de negociação, a delegação brasileira terá atuação ativa na Agenda de Ação da Presidência, priorizando cinco eixos temáticos: industrialização verde (elevação da taxa global de uso circular de materiais para 15% até 2035), transição para energia limpa e eletrificação, resíduo zero e metano, cidades resilientes e a plataforma de investimentos BRIDGE. 

Essa mobilização será reforçada no Fórum de Negócios da COP31, em 12 e 13 de novembro, e nas entregas da iniciativa Sustainable Business COP, aliança empresarial que alcança mais de 55 milhões de empresas em 120 países. 

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O evento é promovido pela CNI em correalização com o Conselho Nacional do SESI, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), além do patrocínio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Samarco, Aegea, MBRF, Vale, da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM),  da Volkswagen, Ambev e o Instituto Clima e Sociedade (ICS).  

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