No terceiro dia da Semana do Clima de Nova Iorque, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) participou de uma série de debates sobre alguns dos principais desafios para a agenda climática global: converter compromissos e projetos em investimentos concretos, preparar as cidades para os impactos das mudanças climáticas e acelerar a transformação dos sistemas alimentares e a produção de combustíveis de baixo carbono.
Durante os painéis do evento, a CNI acompanhou discussões sobre os mecanismos necessários para destravar projetos climáticos nos mercados emergentes e ampliar o fluxo de capital para a transição. Os encontros reuniram representantes do setores empresarial e financeiro, de fundos de investimento e de instituições de desenvolvimento, como o Banco Internacional de Desenvolvimento (BID).
Agenda climática na prática
Na mesa redonda ‘O Hub de Transações: dos roteiros à execução de negócios’, organizada pela Sustainable Business COP (SB COP), o executivo alemão Hanno Blankenstein, CEO da Unleash Live, destacou o papel estratégico da inteligência artificial e da análise de dados em tempo real para viabilizar a transição de baixo carbono na indústria.
Segundo ele, as tecnologias de monitoramento de emissões já estão maduras, mas o desafio atual consiste em conectar provedores especializados a empresas industriais. Blankenstein ressaltou que esse tipo de articulação em rede é indispensável para garantir a viabilidade econômica de projetos sustentáveis e acelerar sua entrada no mercado. "A tecnologia já se provou eficiente. O que precisamos agora é conectar essas soluções à demanda do mercado para acelerar negócios sustentáveis", afirmou.
A CEO da Mission Possible Partnership, Faustine Delassalle, ressaltou durante a mesa-redonda a urgência de acelerar projetos nos setores industriais intensivos e de difícil descarbonização (hard-to-abate). Segundo a executiva, o foco deve estar em mapear cadeias de valor cujo diferencial de custo possa ser superado por meio de mecanismos inovadores de financiamento com suporte governamental.
Delassalle destacou que a entidade atua diretamente com desenvolvedores de projetos do Brasil à Austrália para destravar gargalos de capital e enfatizou que assegurar a demanda (offtake) por commodities limpas é o fator determinante para viabilizar os negócios no mercado. "O objetivo dos trabalhos foi identificar as oportunidades de curto prazo nos setores de difícil descarbonização por meio da busca de cadeias de valor onde o diferencial de custo seja pequeno o suficiente para tirar os primeiros projetos do papel via financiamento inovador com apoio governamental.
Futuro das Cidades e dos biocombustíveis
A agenda também avançou para temas diretamente ligados à economia real. Nas discussões sobre o futuro das cidades, realizadas pelo Instituto Orbis em parceria com a SB COP e a CNI, o foco esteve na combinação entre infraestrutura resiliente, inclusão socioeconômica, transformação do trabalho e investimentos.
Já os debates sobre sistemas alimentares e biocombustíveis trataram de caminhos para acelerar mudanças em setores estratégicos para a redução das emissões e para o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono.
"Estou aqui justamente para ajudar vocês a tentar identificar e definir as prioridades, porque talvez precisemos ser bastante pragmáticos e definir três ou quatro para esta coalizão. A CNI está aqui para orientar e tentar fazer a conexão entre os diversos grupos do setor produtivo com os demais grupos de trabalho, as câmaras e o conselho empresarial. A ideia é justamente conectar todos esses pontos em prol da agenda climática", destacou durante a mesa-redonda Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI.
Marcelo Thomé, vice-presidente da CNI e presidente do Instituto Amazônia+21, enfatizou que o papel da indústria brasileira nas discussões internacionais que antecedem a COP 31 é buscar entendimento por soluções capazes de transformar a agenda climática em oportunidades de investimento e desenvolvimento.
"O conjunto das discussões sobre mercado de carbono, resiliência das cidades, a partir dos eixos que estruturam a SB COP, traz um significativo extrato para continuarmos avançando e quais caminhos precisam ser construídos para que a agenda de implementação e adaptação climática ganhe efetividade no setor produtivo", concluiu Tomé.



