Semana do Clima de NYC: prioridades para COP30, parceria com BID e ação da FIEPA na Amazônia

Com 23 propostas, documento da SB COP é o maior esforço do setor privado global para negociações de clima; CNI apresentou ainda ReInvest+ com BID e destacou iniciativa da FIEPA contra desmatamento

Um dos pontos centrais foi a entrega das 23 prioridades do setor privado para apoiar as negociações da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) | Foto: Divulgação

A indústria brasileira reforçou o papel na agenda climática global ao levar, para a Semana do Clima de Nova York, as prioridades do setor privado para a COP30, integrar o lançamento do ReInvest+ com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e apoiar iniciativa da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) contra o desmatamento.

As ações refletem a maturidade do setor, que chega às discussões internacionais com soluções concretas e um apelo por um ambiente de negócios capaz de acelerar a transição verde. 

"No Brasil, já existe um movimento sólido de investimento, inovação e liderança em áreas como energia limpa, bioeconomia, biocombustíveis e hidrogênio verde", destacou Marcelo Thomé, vice-presidente da CNI e presidente do Instituto Amazônia+21. "Estamos prontos para escalar soluções. O Brasil tem os ativos, o conhecimento e a base industrial necessários. Agora, precisamos seguir avançando com estratégia, diálogo e ambição", reforçou. 

SB COP entrega prioridades à COP30 

Um dos pontos centrais foi a entrega das 23 prioridades do setor privado para apoiar as negociações da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). O documento foi apresentado, na segunda-feira (22), ao presidente da conferência, embaixador André Corrêa do Lago, em cerimônia que contou com a presença de Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York e enviado especial da ONU para Ambições Climáticas. 

O conjunto de propostas é o maior esforço coordenado do setor privado mundial para ajudar as negociações climáticas. A SB COP, atualmente, reúne quase 40 milhões de empresas de mais de 60 países.  

“Estamos em um ponto crucial do esforço global para enfrentar as mudanças climáticas. Por meio da SB COP, vimos de perto o poder de unir vozes diversas de comunidades empresariais de todo o mundo”, disse o presidente da iniciativa, Ricardo Mussa.  

O documento consolidou meses de trabalho de oito grupos temáticos, com a participação de CEOs e altos executivos de empresas brasileiras e multinacionais como Natura, JBS, Solvay, Ambipar, MRV, Schneider Electric, eB Climate e re.green. A elaboração também contou com parceiros institucionais, como o Fórum Econômico Mundial, as redes Brasil e Austrália do Pacto Global da ONU, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a International Finance Corporation (IFC). 

As discussões englobam áreas estratégicas, entre elas transição energética, economia circular e materiais, bioeconomia, sistemas alimentares, soluções baseadas na natureza (NbS), cidades sustentáveis, finanças e investimentos para a transição e empregos e habilidades verdes. 

Entre as propostas estão triplicar a capacidade instalada de energias renováveis até 2030, dobrar a taxa média anual global de melhorias em eficiência energética e acelerar a descarbonização de sistemas de energia baseados em combustíveis fósseis. 

“Não é o suficiente, mas estamos na direção certa”, afirmou Bloomberg ao avaliar os avanços desde o Acordo de Paris, ressaltando ainda a necessidade de parcerias entre os setores para destravar investimentos fundamentais na transição para uma economia de baixo carbono.

  • Veja as prioridades:

ReInvest+: financiamento climático em escala global 

Outro anúncio de destaque foi o lançamento do ReInvest+, uma parceria entre o BID, a SB COP e a presidência da COP30. O projeto surgiu a partir de um estudo do BID que identificou cerca de US$ 3 trilhões (R$ 16 trilhões) em empréstimos nacionais já alinhados a projetos de sustentabilidade e descarbonização no mundo. 

O ReInvest+ tem como objetivo transformar esses empréstimos existentes em ativos negociáveis no mercado internacional, destravando um dos principais desafios das negociações climáticas: o financiamento. Países em desenvolvimento fora da China precisam de mais de US$ 1,3 trilhão em recursos internacionais para adaptação e redução de emissões, mas apenas uma fração desse valor está comprometida por iniciativas públicas, e os fluxos privados têm sido insuficientes. 

O projeto cria uma ponte entre investidores institucionais, com grande capital, mas avessos a riscos, e instituições financeiras locais, com conhecimento do mercado, mas menos recursos, permitindo que novos empréstimos sejam concedidos a projetos alinhados aos planos nacionais de sustentabilidade.  

Indústria da Amazônia em ação 

A Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), em parceria com o movimento Jornada COP+, lançou o Programa pelo Combate ao Desmatamento e Queimadas Ilegais, reforçando o compromisso da indústria local com a preservação da Amazônia. 

"Ao não tolerarmos as ilegalidades, enfrentamos o fato de que o desmatamento ilegal destrói a floresta, polui os rios e corrói a reputação da Amazônia", declarou Alex Carvalho, presidente da FIEPA. 

"Devemos rejeitar a visão romantizada da Amazônia como um ‘museu verde’. A região é o lar de 28 milhões de pessoas, e preservar a floresta e melhorar sua qualidade de vida são objetivos inseparáveis”, completou. 

No mesmo evento, foi apresentado o case do Complexo Minerário de Carajás, da Vale, que em 40 anos de operação utilizou apenas 3% de uma área de 800 mil hectares de floresta protegida, mantendo os 97% restantes conservados. 

“Com uma agenda intensa em Nova York, a indústria brasileira deixou claro que não atua apenas como observadora, mas como protagonista essencial para o sucesso da COP30”, apontou Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI.

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