Projeto do SESI Lab que promove protagonismo feminino na ciência encerra segundo ciclo

Em parceria com a 3M, as jovens participaram de oficinas, mentorias e atividades práticas durante 2025

Túnel do museu lotado, olhares atentos e palco montado. Tudo impecável para receber as jovens que, durante o ano de 2025, fizeram parte do projeto SESI Lab Delas, um programa de formação que incentiva a participação de meninas e mulheres nas áreas de ciência e tecnologia.

Neste sábado (22), elas apresentaram para o público do museu projetos que desenvolveram de intervenção positiva em suas escolas e comunidades no evento SESI Lab É Delas. A apresentação foi resultado de 25 encontros semanais que as meninas tiveram ao longo do ano, em que participaram de oficinas, debates e mentorias sobre os projetos que escolheram realizar. As ações contaram com o apoio da equipe do programa educativo do SESI Lab e de mentoras externas.

A professora do Centro de Ensino Médio de Taguatinga Norte, Brenda Medeiros, acompanhou a turma da sua escola desde o começo e conta que o SESI Lab Delas foi capaz de despertar nas estudantes novos olhares sobre ciência e tecnologia. “Elas tiveram a chance de manipular cortadoras a laser, impressora 3D, usar alicates, ferramentas de programação... Coisas que não necessariamente faziam parte de seus interesses e rotinas”, explica. Ela reforça ainda que iniciativas como essa são capazes de quebrar paradigmas e conceitos que muitas vezes meninas carregam desde muito novas sobre desigualdade de gênero.

As estudantes vieram de diferentes partes do Distrito Federal: CEF 26 de Ceilândia, Centro de Ensino Médio de Taguatinga Norte, CEM 2 do Gama, SESI Gama e SESI Taguatinga.

“O SESI Lab Delas nasce do compromisso do museu com a equidade na educação. Quando meninas encontram um espaço seguro, diverso e estimulante, elas se reconhecem como protagonistas e agentes de transformação. Os projetos apresentados neste ciclo mostram exatamente isso: jovens que usam a tecnologia como ferramenta para melhorar suas comunidades”, afirma Claudia Ramalho, superintendente de Cultura do SESI.

Além da apresentação dos trabalhos, o evento de encerramento contou com a roda de conversa Trajetórias Inspiradoras, que reuniu jovens de diferentes partes do país que foram reconhecidos como empreendedores pelo clima pelo Prêmio Empreendedor Social. Eles compartilharam suas histórias de vida e os projetos que desenvolvem em suas comunidades. Os relatos emocionaram o público e abriram espaço para uma rica troca de experiências.

Na ocasião estiverem presentes as paraenses Natalia Mapuá, de 27 anos, e Thalya Souza, de 20 anos, e as piauienses Andressa Sousa e Wenner Batista, de 18 anos.

Conheça os projetos apresentados

Pra Elas (Centro de Ensino Médio de Taguatinga Norte)

O projeto se dedica ao enfrentamento do assédio e da importunação sexual no ambiente escolar. A iniciativa desenvolveu um aplicativo que permite o envio de denúncias de forma totalmente anônima, oferecendo um canal seguro para estudantes relatarem situações de risco. Além disso, promove rodas de conversa quinzenais para ampliar o diálogo sobre segurança, respeito e prevenção, fortalecendo a rede de apoio dentro da escola e deixando as estudantes mais confortáveis e seguras. 

“O SESI Lab Delas serviu como uma oportunidade pra gente pensar sobre algo que incomodava e como mudar isso. Faz a gente se sentir parte de uma solução”, explica a estudante Maria Emanuele.  

Mindy (SESI Taguatinga)

Voltado à inclusão e ao bem-estar de alunos neurodivergentes, o Mindy aposta em soluções táteis e funcionais para melhorar a rotina em sala de aula. A equipe criou uma linha de fidget toys e explora o uso de metal clay na produção de peças como anéis e pingentes com partes giratórias, pensadas para reduzir ansiedade e ampliar a concentração. “Inclusão é nossa palavra-chave e queremos passar isso pra frente”, explica a aluna Letícia Monteiro.  

O projeto alia criatividade, design e acessibilidade para tornar o ambiente escolar mais acolhedor e facilitar a vivência desses alunos em sala de aula. 

FemLock (SESI Gama)

Desenvolvido para emergências, o FemLock é um chaveiro de alerta que, ao ser pressionado por 3 segundos, envia uma mensagem de socorro ao contato de emergência cadastrado previamente. O intuito é auxiliar meninas e mulheres que possam viver uma situação de perigo. O chaveiro compartilha também a localização em tempo real. A proposta reforça o uso da tecnologia como ferramenta de proteção e resposta rápida e ajuda na segurança de meninas e mulheres. 

A aluna Maria Eduarda Lamounier explica que desenvolver o projeto foi desafiador em diferentes níveis, mas também serviu para que cada aluno pudesse desenvolver a própria criatividade e confiança. “Aqui a gente realmente conseguiu ter voz e mostrar coisas que acreditamos”, reforça.  

TEAM Maker (Centro de Ensino Fundamental 26 de Ceilândia)

O TEAM Maker incentiva estudantes a explorarem áreas como arte, tecnologia e ciência por meio de experiências práticas, dinâmicas e lúdicas. Oficinas criativas, atividades interativas e estratégias de marketing escolar integram o método adotado pelo grupo, que busca despertar a curiosidade e engajar jovens em processos de aprendizagem colaborativa e multidisciplinar. “Essa foi uma forma que encontramos de usar o espaço maker que foi recentemente implementado na nossa escola. É um jeito de ocupar esse espaço de uma maneira que gostamos”, explica a estudante Isabela Rosa.

Amor sem Preconceito (Centro de Ensino Médio 2 do Gama)

Com foco em promover o respeito e a diversidade, os alunos criaram um jogo que trabalha a conscientização da comunidade escolar sobre temas relacionados à população trans, homossexual, negra, periférica e neurodivergente. Para disseminar informações e abrir espaço para debates, o jogo tem diversos personagens que representam populações minorizadas e falam sobre a importância da diversidade e do respeito.  

“Eu descrevia o SESI Lab Delas como um espaço de acolhimento e isso fez toda diferença pra gente conseguir desenvolver nosso projeto”, afirma a aluna Anna Carolina Magalhães.  

Representatividade como eixo estruturante 

O SESI Lab Delas tem como objetivo ampliar o protagonismo feminino - especialmente de meninas negras e provenientes de territórios periféricos - nos campos da ciência e tecnologia, estimulando a criação coletiva, o pensamento crítico e a construção de soluções reais para desafios cotidianos. 

“As estudantes mergulharam em investigações sobre seus territórios, propuseram soluções e transformaram inquietações em projetos concretos. É um aprendizado que combina técnica, criatividade e impacto social”, explica Luciana Martins, coordenadora de Ações Educativas e Pesquisa do SESI Lab. 

O projeto faz parte do programa “Diálogos: Diversidade, Equidade e Inclusão”, pelo qual o museu interativo, em parceria com o Instituto 3M e a Global Giving, atua em várias regiões administrativas do DF para aproximar regiões mais distantes do museu. 

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