Conheça a primeira residência artística realizada no SESI Lab

Espaço Maker do museu serviu, pela primeira vez, de laboratório para experimentações artísticas, uma iniciativa da Fundação Itaú e do Instituto Ling

O programa reuniu dez artistas e pesquisadores de diferentes regiões do Brasil. Foto: Fotos: Isis Aisha/SESI Lab

Entre 8 e 16 de setembro, o SESI Lab, museu de arte, ciência e tecnologia em Brasília, sediou, pela primeira vez, uma residência artística. Com o tema Imersão Natureza, Arte e Tecnologia, a iniciativa foi da Fundação Itaú e do Instituto Ling, em parceria com o #24.ART. Ao longo de uma semana, o Espaço Maker do museu operou como um laboratório colaborativo para experimentações e desenvolvimento de projetos. 

O programa reuniu dez artistas e pesquisadores de diferentes regiões do Brasil, cruzando linguagens e repertórios em práticas orientadas pelo diálogo entre natureza e tecnologias contemporâneas. Nos dias 15 e 16 de setembro, os residentes integraram o seminário do #24.ART, dedicado ao tema Ecopoiesis: Mutação, Arte e Tecnologia, espaço no qual apresentaram os resultados dos seus projetos. 

Os participantes foram: Elvys Souza Chaves, Flavio Silva Siqueira, João Paulo Accacio, Jonas Esteves; Juliana Rodrigues Porfirio, Lynn Carone, Natália Gubiani Rampon, Rafaela Moreira Repasch, Rowan Romeiro e Rudá Guedes Lemos (nome artístico ciber_org). 

Segundo Agnes Mileris, coordenadora de Inteligência, Parcerias e Projetos Especiais do SESI Lab, a iniciativa mostra a potência das parcerias para alcançar resultados coletivos. “O SESI Lab existe há quase três anos com a missão de conectar processos artísticos, científicos e tecnológicos. É a primeira vez que acolhemos um grupo de artistas em uma residência, o que confirmou o enorme potencial do nosso espaço para contribuir com o desenvolvimento de projetos e pesquisas de arte e tecnologia”, avalia.

O Espaço Maker é um ambiente de experimentação acessível e inovador, equipado com impressoras 3D, cortadora a laser, plotter, bancada eletrônica e muito mais. Foto: Isis Aisha/SESI Lab

Um museu a serviço da “mão na massa” 

Recém-reformado, o Espaço Maker reafirma o compromisso do SESI Lab com um ambiente de experimentação acessível e inovador, equipado com impressoras 3D, cortadora a laser, plotter, bancada eletrônica e muito mais, um ecossistema no qual errar faz parte do aprendizado e novas ideias florescem com orientação técnica especializada. 

Para Francisca Caporali, fundadora e coordenadora artística do JA.CA – Centro de Arte e Tecnologia, de Minas Gerais, o Espaço Maker do SESI Lab impressiona não apenas pela infraestrutura e pelos materiais disponíveis, mas, principalmente, pela mediação humana. “A equipe esteve disponível para resolver problemas, testar ideias, acolher sugestões e aprender junto. Todo mundo entrou focado em aproveitar ao máximo”, afirma. 

A imersão é desdobramento da formação Arte, Natureza e Tecnologia: O Amor entre Humanos e Não Humanos, realizada em dez encontros on-line entre junho e agosto e que lançou bases conceituais sobre interdependência, natureza e experimentação artística.

"Volto com obras impressas e muitas ideias após trocas riquíssimas com artistas de todo o país”, diz Rudá Guedes. Foto: Isis Aisha/SESI Lab

Foco no processo, impacto em rede 

Fernando Oliveira, gerente do MediaLab / Fundação Itaú, explica que a imersão focou menos no resultado final e mais no processo de aprendizado conjunto. “A seleção priorizou jovens trajetórias e a diversidade regional e de experiências para potencializar encontros. Espaços como o SESI Lab são fundamentais porque aproximam pesquisa e prática”, diz. 

Participante da imersão, Rudá Guedes Lemos, que faz mestrado em Santa Catarina, afirma que o apoio do SESI Lab foi decisivo. “Com o suporte técnico e os equipamentos, levei minha pesquisa a uma nova fase. Trabalho com fotogrametria para transitar o real para o virtual. Os ‘glitches’ da modelagem 3D viram matéria para reinterpretações em bronze, metal, gesso ou argila. Volto com obras impressas e muitas ideias após trocas riquíssimas com artistas de todo o país”, conta. 

Para a artista e doutoranda da Universidade de Brasília (UnB) Lynn Carone, a semana de imersão foi intensa e muito bem orquestrada. Carone se juntou a Rafaela Moreira Repasch e Natália Gubiani Rampon para construir a obra Realejo Biotecnológico, dispositivo em que o toque em uma planta aciona um circuito que envia mensagens aleatórias e conduz a uma experiência olfativa. “A diversidade geracional e com participantes de todo o país deixou a experiência muito rica”, afirma.

Durante a residência, a artista Lynn Carone construiu a obra Realejo Biotecnológico. Foto: Isis Aisha/SESI Lab

Carolina Rosado, gestora do Instituto Ling, do Rio Grande do Sul, diz que o objetivo foi refletir com quem está produzindo com tecnologias emergentes e experimentar caminhos que tangenciam a síntese entre humano, tecnologia, ciência e natureza. “A experiência mostrou o valor do trabalho em rede”, disse. 

Denise A. R. de Oliveira, do SESI Lab, explica que, desde a abertura do museu, havia o desejo de um programa de residências em arte, ciência e tecnologia. “Não existe produção criativa apenas no conceito e na ideia. É necessário espaços como o Espaço Maker para desenvolvimento, experimentação e testes. Acessar uma estrutura como a do SESI Lab, com tantos recursos para experimentação, é um sonho para artistas”, revela. 

Sobre o Espaço Maker 

Laboratório criativo do museu, o Espaço Maker integra cultura, educação e tecnologia, aproximando participantes da lógica da inovação e da Indústria 4.0. A estrutura sustenta a vocação do SESI Lab como espaço de experimentação, prototipagem e desenvolvimento. 

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