Movimento Empresarial pela Saúde lança Grupo de Trabalho para fortalecer ações do setor

Iniciativa liderada pelo SESI, CNI e SENAI passa a apoiar e fortalecer ações voltadas ao Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS)

Foto: Giberto Sousa/CNI

O Movimento Empresarial pela Saúde (MES), iniciativa do Serviço Social da Indústria (SESI), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), lançou nessa quarta-feira (25), em Brasília, o Grupo de Trabalho (GT) da Cadeia de Valor da Indústria da Saúde. A nova frente passa a integrar o movimento para fortalecer ações relacionadas ao Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS). 

“Defendemos um ecossistema em que desenvolvimento industrial e o acesso à saúde caminham juntos”, afirma o diretor-superintendente do SESI, Paulo Mol. 

Com essa diretriz, o MES amplia sua atuação ao incorporar um espaço técnico voltado ao diálogo entre setor produtivo e poder público. O objetivo é qualificar a contribuição da indústria na formulação de propostas e estratégias para o fortalecimento do CEIS, ao promover mais integração entre políticas públicas, base produtiva e inovação tecnológica. 

“Nossa intenção é reunir lideranças em um processo estruturado, com diagnósticos claros e caminhos definidos. Para cada tema, é fundamental apontar encaminhamentos - seja na formulação de políticas, na priorização de recursos ou em ajustes regulatórios. Nem sempre a solução será imediata, mas é preciso ter direção”, completou Mol.

Foto: Gilberto Sousa/CNI

Indústria e saúde como agenda estruturante 

O presidente do Conselho Nacional do SESI (CN-SESI), Fausto Junior, destacou que o novo grupo de trabalho do MES é fundamental para fortalecer a articulação entre políticas públicas, inovação e desenvolvimento produtivo no país. 

“O diálogo tripartite entre empresários, trabalhadores e governo reforça o papel estratégico do CEIS. Essa integração está alinhada aos debates que promovemos no SESI, pois permite articular demanda, produção e financiamento. Sobretudo, viabiliza investimentos capazes de levar saúde até a ponta, beneficiando diretamente os trabalhadores da indústria”, mencionou Fausto Junior. 

Com a criação do grupo, o movimento passa a atuar em quatro eixos temáticos: Dados e Inteligência em Saúde; Promoção da Saúde e Prevenção; Modelos Assistenciais Sustentáveis; e Cadeia de Valor da Indústria da Saúde.  

Saúde na indústria 

O Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), ao qual o novo grupo se conecta, articula o sistema de saúde à base produtiva e tecnológica nacional. A estratégia integra indústria farmacêutica, fabricantes de equipamentos médicos, centros de pesquisa e serviços de saúde - incluindo o Sistema Único de Saúde (SUS) - com o objetivo de reduzir vulnerabilidades externas e ampliar a autonomia do país em áreas estratégicas. 

A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda de Negri, ressaltou que a consolidação do CEIS exige alinhamento entre desenvolvimento produtivo e prioridades de saúde pública. Segundo ela, o Brasil possui mercado robusto, base industrial instalada e comunidade científica qualificada, o que cria condições para ampliar a inovação no setor de saúde. O desafio, de acordo com a secretária, é acelerar esse processo, superar entraves regulatórios e coordenar políticas públicas para consolidar um ambiente favorável ao desenvolvimento tecnológico. 

“No contexto de uma economia globalizada, não é realista imaginar que o Brasil produzirá toda a cadeia da saúde internamente. O desafio estratégico é identificar em quais segmentos o país possui competitividade e capacidade instalada, equilibrando desenvolvimento produtivo e prioridades de saúde pública”, afirmou Negri.

Confira um resumo do evento

Setor produtivo e governo debatem o futuro do CEIS 

Após o lançamento, autoridades públicas e representantes da indústria participaram de painel sobre o futuro do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. 

Ao relembrar a pandemia de Covid-19, Fernanda de Negri destacou que a crise sanitária evidenciou a vulnerabilidade das cadeias globais de suprimentos. “A grande lição da pandemia é que precisamos desenvolver competências no Brasil para não ficarmos reféns em emergências sanitárias”, disse a secretária.  

No debate sobre previsibilidade regulatória e acesso a tecnologias inovadoras, a secretária ressaltou a heterogeneidade do setor de dispositivos médicos - que abrange desde equipamentos de alta complexidade, como aceleradores lineares e aparelhos de ressonância magnética, até itens básicos, como luvas, máscaras e testes diagnósticos. 

O presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), Nelson Mussolini, defendeu a preservação da independência regulatória da Anvisa como condição essencial para a segurança sanitária e para a previsibilidade necessária ao desenvolvimento sustentável do setor. Para ele, a autonomia técnica da agência é o que garante estabilidade na entrada de medicamentos inovadores e segurança jurídica para investimentos.  

“Se a agência não fosse independente, possivelmente o Brasil estaria hoje em uma situação diferente. A independência é o que garante decisões técnicas e a proteção da saúde da população”, disse. 

Representando a indústria de dispositivos médicos, o vice-presidente da ABIMO, Franco Pallamolla, observou que o segmento historicamente não contou com uma política pública estruturada e contínua, diferentemente da indústria farmacêutica, que teve marcos relevantes, como a política de genéricos, que impulsionaram seu desenvolvimento. 

Na perspectiva regulatória, o diretor-adjunto da Anvisa, Diogo Soares, enfatizou a importância de um ambiente normativo estável e sustentável para estimular investimentos e inovação. “A Anvisa precisa garantir previsibilidade e transparência para que a população tenha acesso às tecnologias inovadoras no tempo adequado. Em setores com ciclos tecnológicos curtos, atrasos regulatórios podem comprometer a competitividade e tornar produtos obsoletos”, afirmou. 

Na oportunidade, o SESI e o Sindusfarma assinaram um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) voltado ao desenvolvimento de iniciativas conjuntas na área da saúde, com foco em educação e na preparação da indústria farmacêutica para uma nova era de inovação no Brasil. 

O encontro reuniu executivos das 76 empresas-membro do Movimento Empresarial pela Saúde (MES), especialistas em Economia da Saúde e no Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), representantes de entidades do ecossistema da saúde e lideranças da CNI e do SESI, incluindo diretores e presidentes de federações estaduais da indústria. 

Sobre o MES

O Movimento Empresarial pela Saúde (MES) é uma iniciativa coordenada pelo SESI, pela CNI e pelo SENAI, que busca construir uma agenda propositiva para enfrentar desafios relacionados à saúde dos trabalhadores e à sustentabilidade da assistência no Brasil.

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