Durante a Hospitalar 2026, principal feira de saúde da América Latina, realizada nesta quarta-feira (20), em São Paulo, o Movimento Empresarial pela Saúde (MES) promoveu o painel “Um novo olhar da indústria para a saúde”, que reuniu representantes do setor para debater desafios e oportunidades da saúde corporativa, o uso estratégico de dados, a ampliação do acesso a tratamentos e a sustentabilidade dos sistemas de saúde.
Criado pelo Serviço Social da Indústria (SESI), com apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o MES participou do evento a convite da Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMED), com integrantes dos grupos de trabalho de dados e inteligencia em saúde, modelos sustentáveis de saúde suplementar, cadeia de valor da indústria da saúde e promoção e prevenção da saúde. Atualmente, o movimento reúne 86 empresas que, juntas, acompanham a saúde de mais de 3 milhões de trabalhadores e dependentes.
O painel reuniu representantes da ABIMED, Roche, Fundação Zerrenner, Volkswagen, representantes dos quatro eixos temáticos do MES dedicados à construção de propostas a respeito da qualificação da informação em saúde e à melhoria da gestão do cuidado.
Segundo o superintendente de Saúde na Indústria do SESI Nacional, Emmanuel Lacerda, a participação do movimento na Hospitalar representa uma oportunidade de ampliar o diálogo entre indústria, inovação e saúde.
“Participar da Hospitalar ao lado da ABIMED reforça a agenda que o movimento vem construindo na busca por soluções aos desafios da saúde no país. A indústria pode ser um importante fator de transformação, por meio de iniciativas concretas capazes de melhorar a qualidade de vida das pessoas e colocar o beneficiário no centro do cuidado”, sustentou Lacerda.
Para o diretor regional da ABIMED em Brasília, Felipe Carvalho, o encontro permitiu aproximar diferentes setores em torno de desafios comuns relacionados ao acesso e à qualidade da assistência.
“Trazer esse debate para dentro da Hospitalar também ajuda a mostrar a importância desse setor para o funcionamento e a evolução do sistema de saúde”, disse Carvalho.
A gerente de Assuntos Governamentais e Saúde do Ecossistema Roche, Ludmilla Lopes, destacou que as empresas ocupam uma posição estratégica na transformação da saúde suplementar. Além de financiarem o acesso aos planos de saúde para milhões de trabalhadores e dependentes, as organizações investem em vacinação, promoção da saúde, atenção primária e prevenção de doenças. Em muitas companhias, os gastos com saúde já representam a segunda maior despesa relacionada aos colaboradores, atrás apenas da folha de pagamento.
“Hoje, os contratantes são o elo da saúde suplementar que mais produz valor para o sistema, porque os trabalhadores acessam os planos de saúde por meio das empresas. É esse setor que impulsiona o movimento e busca a convergência necessária para ampliar o acesso aos tratamentos e promover uma saúde mais plena para os pacientes”, afirmou.
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Dados para prevenir, cuidar e sustentar o sistema
O superintendente-geral da Fundação Zerrenner, Eduardo Spinussi, destacou que a integração dos dados dos pacientes é um dos principais desafios para a evolução do setor no país. Segundo ele, o grupo tem buscado referências internacionais, como a imersão realizada em Barcelona, para compreender modelos capazes de qualificar a tomada de decisão.
“Os dados permitem coordenar o cuidado do beneficiário, gerando os melhores resultados em saúde e contribuindo para a sustentabilidade do sistema. O desafio é transformar essas informações em ações concretas de prevenção e acompanhamento, garantindo que cada paciente tenha uma jornada assistencial integrada e coordenada ao longo da vida”, pontuou Spinussi.
Outro ponto abordado foi o desafio de promover mais saúde e prevenção em um cenário de custos crescentes. Para Rodrigo Filus, gerente executivo de Saúde, Segurança, Ergonomia e Plano de Saúde da Volkswagen, esse é um tema comum às empresas.
“A saúde é um tema extremamente relevante para a indústria porque toda empresa quer que seus trabalhadores estejam bem e saudáveis. Ao mesmo tempo, os custos da saúde representam um desafio crescente. O trabalho desenvolvido pelo MES tem sido justamente buscar formas mais assertivas de promover saúde e prevenir doenças, gerando os melhores resultados para trabalhadores, familiares e empresas”, afirmou.
O painel também trouxe reflexões sobre o papel das novas tecnologias na transformação da saúde corporativa. De acordo com o superintendente de Inovação e Tecnologia do SENAI Nacional, Roberto Medeiros, a participação do movimento em espaços voltados à inovação permite aproximar as necessidades das empresas das soluções que vêm sendo desenvolvidas pelo setor.
“Quando a gente fala de um ambiente como a Hospitalar, que discute tecnologias para a saúde, não tem como o MES ficar de fora. Precisamos entender como essas inovações podem ser trabalhadas e levadas para a indústria nacional, impactando a saúde no Brasil como um todo”, concluiu Roberto Medeiros.



