4 em cada 10 indústrias brasileiras vendem produtos com algum serviço agregado, revela CNI

Levantamento mostra ainda que apenas 16% das empresas que ofertam serviços atrelados ao produto principal cobram por isso

Foto: Shutterstock

De smartphones que oferecem armazenamento em nuvem a carros com assistência integrada, a indústria moderna já não entrega apenas produtos físicos, mas também serviços agregados — uma marca das economias mais avançadas. Para entender como o Brasil se posiciona diante dessa tendência global, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) elaborou a Sondagem Especial nº 100: Serviços na Indústria, divulgada nesta quinta-feira (21). 

Segundo o levantamento, a oferta de serviços na venda de produtos pela indústria nacional, como serviços de pós-venda, personalização, instalação e manutenção, ainda não é difundida e pode ser mais bem explorada. Entre as empresas entrevistadas, 41% afirmaram não oferecer serviços aos clientes, enquanto 40% ofertam, mas apenas 16% cobram por esses serviços.

“A indústria brasileira está em um estágio intermediário. Alguns setores já agregam muitos serviços de valor à produção, enquanto outros ainda não estão nesse mesmo nível. A tendência é que toda a indústria passe por esse processo de servitização, assim como nas economias mais desenvolvidas, onde os serviços têm ficado cada vez mais presentes em torno da indústria”, afirma Rafael Sales Rios, especialista em Políticas e Indústria da CNI.

“Para que isso aconteça, precisamos de políticas industriais multissetoriais, pois a indústria é uma grande demandante de serviços de alta qualificação e isso pode transformar o setor de serviços, criando mais emprego e renda” completa o economista.

Confira a análise completa do especialista:

Redução de custos domina demanda por serviços especializados

O levantamento inédito mostra que, a cada R$ 100 de faturamento, a indústria gasta R$ 19 com a contratação de serviços, sendo 25% dessas despesas focadas em serviços industriais especializados. A maior parte das empresas, no entanto, prioriza os serviços de custo, que tornam a produção mais eficiente, mas têm baixo potencial para agregar valor ao produto, como manutenção e conserto de máquinas e equipamentos: 72% das indústrias de transformação contrataram esse tipo de serviço. 

Quando o assunto é a aquisição de serviços de alta qualificação, que agregam valor ao bem industrial, como softwares especializados, computação em nuvem, marketing e publicidade, o percentual cai para 58%.

No topo do ranking dos serviços industriais especializados mais contratados pelas empresas, aparecem serviços de redução de custos. Em primeiro lugar, vêm a manutenção e o reparo de máquinas e equipamentos, adquiridos por 58% das indústrias. Em seguida, aparecem transporte, logística e logística reversa (57%) e consultoria empresarial administrativa, contábil, jurídica ou econômica (52%).

Os serviços de softwares especializados, programação, computação em nuvem, base de dados, inteligência artificial, entre outros, que agregam valor ao produto, aparecem na quarta posição do ranking (48%). 

Em seguida, aparecem:

  • Serviços de marketing, publicidade e comunicação visual (34%);
  • Serviços de aluguel ou arrendamento de máquinas e equipamentos (34%);
  • Serviços de intermediação financeira e seguros (23%);
  • Serviços de arquitetura, engenharia e desenho industrial (20%);
  • Serviços de análises técnicas, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e outras atividades técnico-cientificas (15%);

A pesquisa revela que sete setores estão à frente quanto à adoção de serviços industriais especializados. Os segmentos de vestuário; celulose e papel; higiene pessoal, produtos de perfumaria, cosméticos, sabões, detergentes e produtos de limpeza (HPPC); farmoquímicos e farmacêuticos; equipamentos de informática e eletrônicos; máquinas e equipamentos e móveis contratam serviços de custos e de agregação de valor acima da média da indústria.

Empresas que atuam no comércio internacional demandam mais serviços especializados

Os serviços industriais especializados estão mais presentes nas empresas que competem no mercado internacional, em linha com o que ocorre em outros países. O estudo mostra que 73% das indústrias exportadoras demandaram serviços para tornar a produção mais eficiente, contra 68% das não exportadoras. A diferença é ainda maior quando se leva em conta a contratação de serviços que qualificam o produto: 63% das exportadoras usam esse tipo de serviço, ante 49% das não exportadoras.

As empresas exportadoras também investem mais em serviços especializados do que as que restringem a atuação ao mercado interno. Enquanto as indústrias que vendem apenas internamente destinam 23% dos seus gastos para a contratação desses serviços, o percentual sobe para 29% entre as indústrias que vendem produtos para outros países.

O levantamento também aponta que sete em cada dez empresas industriais enfrentaram barreiras para contratos serviços especializados, sendo o preço elevado (40%), a dificuldade em encontrar o serviço desejado (26%) e a falta de qualidade da entrega (11%) os principais entraves.

Sobre a Sondagem Especial

A CNI consultou 1.851 empresas, sendo 743 pequenas, 677 médias e 431 grandes, entre 1º e 12 de novembro de 2024.

Confira a sondagem na íntegra:

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