Robótica educacional ganha temporada dedicada à biodiversidade

Batizada de FIRST® CANOPY™, edição 2026/27 vai desafiar os competidores a cumprirem missões focadas na proteção e monitoramento do meio ambiente

Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa. É o que tradicionalmente aprendemos no ensino fundamental sobre a composição dos biomas brasileiros. Mas você já parou para pensar em quantos ecossistemas existem no mundo?

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos e o The Nature Conservancy, são pelo menos 430 tipos de ecossistemas em todo o planeta. A partir disso, surge um importante questionamento: o que fazer para que eles não deixem de existir?

Conectar natureza, inovação e tecnologia será o desafio dos competidores da temporada 2026/2027 da robótica educacional da FIRST, organização global que promove o STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) entre jovens de todo o mundo. No Brasil, o Serviço Social da Indústria (SESI) é o operador oficial das competições.

Por que falar sobre biodiversidade?

Se o assunto aqui é robô, por que trazer desafios e missões que incluam a biodiversidade? Falar sobre o tema é essencial porque ele diz respeito à variedade de formas de vida no planeta, incluindo a diversidade de espécies e ecossistemas.

Cada organismo tem um papel específico em seu ecossistema, e a perda de uma espécie pode afetar muitas outras, causando uma cadeia de desequilíbrios ecológicos. Para ter uma ideia, a Agência de Notícias da Indústria preparou um infográfico com cenários de um desequilibrío ecológico extremo:

Economia e indústria dependem da biodiversidade

Divulgada em novembro de 2025, uma pesquisa da S&P Global Sustainable revelou que 57% das maiores empresas do mundo correm risco significativo relacionado à dependência da biodiversidade em suas operações diretas. E, quando falamos de risco, estamos falando da dependência das empresas em relação aos serviços ecossistêmicos e da vulnerabilidade desses serviços a interrupções, que, por sua vez, podem afetar as operações comerciais.

Em contrapartida, a análise também mostrou que apenas 8% dessas empresas têm políticas internas de ESG, na sigla em inglês, Environmental, Social and Governance, o que nada mais é que o compromisso com a proteção da biodiversidade. 

Uma das maiores empresas do mundo no ramo de auditoria, a PwC, também sustentou, em um estudo de 2023, que pelo menos 55% do PIB global — equivalente a US$ 58 trilhões, à época — dependia moderadamente ou altamente da natureza.

Segundo uma pesquisa publicada na revista Nature em junho deste ano, a perda da biodiversidade poderá gerar custos elevados no futuro.

O estudo, liderado por pesquisadores da Universidade de Sussex, da Universidade de Sheffield e da Universidade Heriot-Watt, comprovou que um desastre ecológico parcial seria o bastante para aumentar os custos do crédito e do empréstimo em mais de 20 países. Com isso, os pagamentos de juros aumentariam em US$ 162 bilhões por ano, o que reduziria o PIB global em US$ 2 trilhões. 

Investir em robótica também é investir na biodiversidade

Tem robô para praticamente tudo! Atendimento ao público, cirurgias e atuação em linhas de montagem em grandes fábricas. Essas "máquinas", entretanto, também estão sendo utilizadas em soluções tecnológicas de monitoramento ambiental, reflorestamento, preservação do solo, dos rios e dos oceanos.

Conheça 3 exemplos da robótica na preservação da biodiversidade:

  • LumiBot – desenvolvido pela Embrapa Instrumentação e pela Cooperativa Mista de Desenvolvimento do Agronegócio (Comdeagro), o LumiBot é um robô autônomo que usa luz ultravioleta-visível para diagnosticar vermes em plantas de algodão e soja, antes mesmo que se desenvolvam. A utilização da tecnologia possibilita o tratamento precoce com defensivos, evitando impactos ambientais.
  • Limelight Rainforest – vencedor da competição XPRIZE Rainforest, o grupo desenvolveu drones que capturam dados bioacústicos, imagens de insetos e DNA ambiental (eDNA) para identificar espécies da floresta tropical e acelerar a genética de campo. Em apenas 24 horas, a tecnologia é capaz de mapear 250 espécies e 700 táxons.
  • ROVs e AUVs – projetados para alcançar profundidades oceânicas de difícil acesso para seres humanos, esses modelos de robôs conseguem identificar e produzir mapas de alta precisão do fundo do oceano, registrando dados precisos e imagens da biodiversidade marinha. A diferença entre eles é que, enquanto os ROVs são robôs operados remotamente, os AUVs são autônomos.

Live de lançamento da temporada

O Serviço Social da Indústria (SESI) lança, na próxima segunda-feira (21), a nova temporada da robótica educacional. O evento, que será transmitido ao vivo, é o marco oficial do início das competições da FIRST no Brasil, nas quais o SESI atua como operador.

O tema da temporada FIRST® CANOPY™ 2026/27 será a biodiversidade. Nesta temporada, o desafio da Robótica Educacional do SESI vai muito além das arenas, dos cabos e da programação. É um convite aos jovens cientistas a olharem para o futuro da sustentabilidade e da engenharia sob uma nova perspectiva.

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