É a primeira vez que o Torneio Regional SESI de Robótica desembarca em Mato Grosso do Sul. A competição, promovida pelo Serviço Social da Indústria (SESI), começou nesta sexta-feira (28) e reunirá 38 equipes até o dia 29 de novembro. O tema dessa temporada global é FIRST AGE – Inspired by Archaeology e convida os participantes a explorar a arqueologia como fonte de descobertas e inspirações tecnológicas.
Ao longo dos dois dias, o público e os estudantes poderão ver de perto as quatro modalidades de robótica com as competições de FIRST LEGO League Challenge (FLLC), FIRST Tech Challenge (FTC); e as demonstrações da FIRST Robotics Competition (FRC) e STEM Racing (antiga F1 in Schools, agora como competição independente integrada ao Festival).
No final do segundo dia, serão anunciadas as equipes que vão representar o estado na etapa nacional da temporada, que será realizada em São Paulo, em março de 2026.
Escolas públicas marcam presença no regional em busca de uma vaga
Além dos estudantes da rede SESI, o evento recebe seis equipes de escolas municipais e estaduais para competir na FLLC. Uma delas, inclusive, é composta por 10 estudantes de quatro escolas diferentes, que se conheceram por meio do projeto “Além da Escola”, que ensina robótica na rede de Bibliotecas da Indústria do Conhecimento do SESI.
A SGO Tech, equipe de São Gabriel do Oeste, foi criada no ano passado, com estudantes de 9 e 10 anos. Os alunos, que têm aulas no contraturno da escola, desenvolveram uma câmara de estabilização e controle de artefatos como projeto de inovação dessa temporada. O objetivo é armazenar e proteger, de forma imediata, os artefatos coletados pelos arqueólogos.
A Gabriele Souza, 10 anos, é aluna da Escola Municipal Nilma Gloria Gerace Gazineu e aprendeu a programar robôs de LEGO nas aulas do “Além da Escola”. “Me falaram que era muito legal, mas eu fiquei com medo no início. Depois fui aprendendo e acho muito legal programar os robôs e ver ele cumprir as missões na mesa. Parece difícil, mas depois que a gente aprende e pega a prática, fica fácil”, explicou a competidora.
O programa, desenvolvido desde 2008, é resultado da parceria entre o SESI e as prefeituras, com objetivo de oferecer à população um local de cultura e entretenimento, gratuito e permanente. Ao todo, já existem 50 unidades construídas pelo Sistema Indústria aqui do Mato Grosso do Sul, em 45 municípios.
Como as bibliotecas funcionam:
Estudantes das redes pública e privada podem participar de cursos de robótica, projetos de leitura e contação de histórias, entre outras atividades. Já para o público em geral são oferecidos cursos de inclusão digital com foco no aprendizado de informática básica, por meio do Projeto 60+.
As Bibliotecas da Indústria do Conhecimento contam com acervo de mais de 3,6 mil livros e DVDs com filmes e documentários, coleção de gibis, computadores com acesso à Internet e fones de ouvido, impressora, projetor e Smart TV de 65 polegadas.
Além disso, as unidades oferecem ambientes climatizados com área de leitura, palestras e oficinas, e sala de aula para cursos de educação a distância do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), consolidando a atuação conjunta das instituições no estado.
Tio Matheus está de volta!
Depois de dois anos fora do país, o famoso Tio Matheus, apresentador e animador das competições de robótica, está de volta aos Torneios do SESI. O professor de Educação Física acabou de concluir um doutorado na Universidade de Coimbra, em Portugal.
“Estou muito emocionado de estar aqui novamente. É sempre uma delícia, mas ainda fico nervoso, ansioso. Ver essa empolgação dos estudantes que chegaram cedo, animados, montaram os pits e estão aqui competindo é o que me motiva”, disse o professor, que esse ano completa 15 anos acompanhando a FLLC.
Mais do que apenas montar robôs
A proposta educacional do SESI vai além do ensino de técnicas de montagem dos robôs. A robótica é uma das ferramentas por meio das quais os alunos desenvolvem competências e habilidades sociais e emocionais para o mundo do trabalho, com base na metodologia STEAM (Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).
A participação das equipes de escolas públicas no no torneio representa a culminância de projetos que tiveram início em 2024, com aulas de robótica no contraturno escolar e acompanhamento de professores e articuladores especializados.
O superintendente regional do SESI, Régis Borges, destaca que o torneio é a oportunidade de apresentar a transformação desses jovens a partir da educação tecnológica.
"Nossa metodologia pedagógica é reconhecida nacionalmente e pode ser customizada de acordo com a necessidade de cada município. Estamos prontos para colaborar com as redes públicas de ensino para que mais jovens possam ter acesso à educação tecnológica", disse Borges.





