Operador de produção da indústria de cacau Cargill, de Ilhéus (BA), Daniel Alves da Silva, 27 anos, resolveu deixar os chocolates só para o fim de semana. E apostou no esporte como aliado para perder peso, depois de ter engordado mais de 30 quilos entre os 19 e os 23 anos. Daniel foi jogador de futebol, passou quatro anos nas categorias de base do Vitória. Mas viu seu sonho ruir quando não conseguiu se profissionalizar.
“Perdi o ânimo de tudo, só comia, não fazia exercícios. Passei dos 63 quilos aos 95 quilos. O colesterol disparou”, diz o trabalhador. Ele conta que sua mulher, Valmira, sugeriu que ele voltasse a praticar esporte. “Ela, meu filho Ícaro e o pessoal da empresa me incentivaram a participar da equipe de vôlei. A partir daí, tudo mudou. Recuperei minha forma física e minha vontade e interesse nas coisas.” Hoje Daniel pesa 77 quilos. Faz parte da equipe de futsal da Cargill e integra o time de vôlei de praia da empresa que participa dos Jogos Nacionais do SESI.
Um dos companheiros de Daniel no time de vôlei de praia da Cargill, Márcio Vicente Machado Raposo conta que tudo mudou depois que entrou para a equipe. Operador de produção da empresa, Márcio nadava e jogava basquete com regularidade até os 33 anos, quando se casou. Relaxou, parou com tudo. Aos 40 anos, percebeu que precisava se cuidar e resolveu correr. Foi aí que veio o susto. Seu coração disparava após um leve esforço. Um cardiologista diagnosticou uma arritmia cardíaca e hipertensão, acendendo um sinal de alerta.
DESAFIOS - “Ele me mandou continuar com os exercícios, mas de forma bem gradual. Fiquei inseguro com a corrida e resolvi tentar o vôlei. Isso aconteceu há três anos. Hoje, não sinto mais a arritmia e minha pressão está controlada”, diz ele, que percebe a diferença em relação aos colegas de trabalho sedentários quando trabalha no turno da madrugada: “Eles estão sempre com uma expressão derrubada e eu fico ótimo, seja o horário que for”.
Outro trabalhador que ganha com o esporte é Luciano Guedes Bucker, da área administrativa dos Correios de Mato Grosso. Com colesterol alto, diabetes, sobrepeso e nenhuma paciência com os companheiros de trabalho, Luciano decidiu, em 2007, começar a nadar. Um ano depois, já estava na equipe de natação dos Correios. Agora, participa pela primeira vez dos Jogos Nacionais do SESI, disputando a prova dos 50m livre.
“Estava com 92 quilos, hoje peso 76kg. Tinha insônia e problemas de respiração noturna, hoje durmo muito bem. Meu colesterol e a glicose voltaram a níveis normais. E eu era pavio curto. Minha interação com as pessoas mudou completamente depois que comecei a nadar. Exercício libera endorfina, que é um calmante natural. Coisinhas miúdas não me abalam mais, chefio uma equipe com equilíbrio e concentração”, conta o nadador de 42 anos.



