Indústria competitiva exige política de Estado, combate ao Custo Brasil e redução da taxa de juros

Fórum Nacional de Executivos da CNI debateu os desafios e oportunidades na agenda de desenvolvimento industrial no pós-eleições

Foto: Gilberto Sousa / CNI

O Fórum Nacional de Executivos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) discutiu, nesta quarta-feira (04), os desafios e oportunidades para a agenda de desenvolvimento industrial no período pós-eleitoral.

O diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Mário Sérgio Telles, abriu o encontro destacando os três pilares que a instituição considera fundamentais para impulsionar o desenvolvimento e a competitividade da indústria: a consolidação da política industrial como política de Estado, o combate ao Custo Brasil, com foco em energia, e a queda sustentada dos juros.

Telles analisou, ainda, pontos convergentes e divergentes da agenda do setor em relação ao programa do governo eleito para o próximo mandato presidencial. Entre os pontos convergentes com as propostas da CNI - que foram apresentadas a presidenciáveis no documento Construindo o Brasil 2050 - estão a política industrial, o desenvolvimento regional e a agenda de inovação e transformação digital do país.

Entre os pontos em que há pouca convergência, estão temas relacionados às relações do trabalho e medidas voltadas ao ambiente macroeconômico.

O diretor detalhou os eixos que sustentam as propostas elencadas pela CNI como prioritárias para o crescimento do país até 2050 – macroeconomia para o crescimento sustentado; políticas para garantir o desenvolvimento produtivo; e na agenda microeconômica, a redução do Custo Brasil e a melhoria do ambiente de negócios.

Ele observou que em nenhum momento da história recente do país esses aspectos foram tratados de forma simultânea pelos governos, o que, na avaliação do dirigente, é um dos principais entraves que têm impedido o desenvolvimento do país. “Combinar esses três eixos, simultaneamente, é o segredo para que o Brasil possa acelerar o ritmo de crescimento, deixar para trás o retrocesso e se destacar entre os países de renda média e alta até 2050”, disse Telles.

Fortalecimento sindical e liderança feminina

A diretora de Governança Interna e Externa, Danusa Amorim, apresentou as principais medidas que a CNI vem implementando para o fortalecimento da rede sindical, com destaque para o Programa Sindical e o Prêmio Excelência Sindical. Fez, ainda, um balanço das ações do Lidera e do Fórum Nacional da Mulher Empresária (FNME), iniciativas que impulsionam a participação das mulheres na indústria. Entre os destaques, citou a primeira missão internacional formada exclusivamente por executivas, realizada em setembro, em Lisboa, por meio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL).

“Levamos a Portugal mais de 40 empresárias, numa jornada de desenvolvimento de competências de liderança, ampliação da capacidade de influência e preparação para os desafios contemporâneos da indústria. Acredito que os resultados dessa incursão nos impulsionam a ter uma segunda edição”, disse Danusa.

Apoio a pequenas e médias indústrias 

Na sequência, a reunião discutiu o programa Juntos pela Indústria, iniciativa estratégica em parceria com o Sebrae para aumentar a produtividade, a competitividade, a inovação e a transformação ecológica e digital das pequenas e médias empresas industriais.

Participaram da mesa o superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, a coordenadora de Indústria do Sebrae Nacional, Juliana Borges, a gerente de Assuntos Estratégicos da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), Anna Regia Burakoski da Rosa, e o gerente do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Guilherme Muchale. Eles detalharam as próximas etapas do projeto e debateram ações para mitigar dificuldades relatadas por alguns estados no andamento do programa.

Ações do IEL e do SESI e panorama do novo Congresso

A nova composição do Congresso Nacional também foi pauta do encontro. O tema foi apresentado pelo diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, e pelo gerente de Informação e Comunicação Legislativa, Henrique Borges. Eles fizeram uma análise das principais tendências de posicionamento dos parlamentares e bancadas partidárias em relação a temas de interesse da indústria.

Em seguida, a superintendente do IEL, Sarah Saldanha, destacou ações relevantes para o fortalecimento de lideranças e a preparação de empresas para o futuro. Entre os destaques, ela apresentou o programa Aliança pela Indústria, uma formação executiva internacional para empresários da indústria paraense, e o Certificado de Origem Digital, documento eletrônico que atesta a origem das mercadorias exportadas.

A formação de jovens e adultos para a produtividade brasileira por meio da EJA foi o tema abordado pelo superintendente de Educação do SESI, Wisley João Pereira. Ele destacou alguns números que representam desafios do país nessa área: 64 milhões de pessoas com 18 anos ou mais não têm ensino médio completo e não frequentam a escola; 3,4 milhões de trabalhadores da indústria não têm educação básica completa; e queda de 60% nas matrículas na EJA entre 2006 e 2025.

Finalizando o encontro, a gerente de Desenvolvimento Institucional do SESI, Cândida Oliveira, falou sobre o trabalho desenvolvido pelo SESI Lab na área de cultura, memória e inovação e como esses ativos são estratégicos para a indústria brasileira.

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