O avanço da disputa internacional por minerais críticos e Terras Raras e os impactos desse cenário para a indústria de defesa e para o desenvolvimento tecnológico do país foram os temas dos debates da 28ª reunião do Conselho Temático da Indústria de Defesa e Segurança (Condefesa). O encontro ocorreu na Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta terça-feira (29).
Na abertura do encontro, o ministro da Defesa, José Múcio, destacou a relevância do setor de defesa atualmente. Ele reforçou que países do mundo inteiro estão aumentando seus investimentos no setor e que esse é um cenário que representa uma oportunidade única para ampliar a participação do Brasil no mercado internacional.
"A indústria de defesa gera empregos, paga impostos e desenvolve tecnologias. O fortalecimento da base industrial de defesa deve ser encarado como uma estratégia de desenvolvimento nacional, e não apenas sob a ótica da produção de equipamentos militares", disse o ministro.
O professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Alcides Costa Vaz, coordenador do projeto Geopolítica dos Minerais Críticos e Defesa Nacional, apresentou uma análise sobre o tema. Ele ressaltou como as principais economias do mundo vêm adotando estratégias articuladas de reindustrialização, diplomacia econômica, proteção e promoção de cadeias de suprimentos para garantir acesso a esses recursos.
Segundo o pesquisador, países e blocos econômicos como Estados Unidos, União Europeia e China estão ampliando investimentos para reduzir vulnerabilidades e assegurar o fornecimento de minerais essenciais às tecnologias de ponta. Enquanto isso, o Japão tem buscado desenvolver tecnologias que reduzam a dependência desses minerais como alternativa para sua soberania.
O Brasil possui 19% das reservas mundiais de Terras Raras, ocupando a segunda posição global. Apesar desse potencial, sua participação na produção ainda é tímida: apenas 0,02% do total mundial. Segundo projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a demanda nacional deve multiplicar por seis até 2034, impulsionada pela eletrificação da economia e pela reindustrialização de baixo carbono.
Para o vice-presidente da CNI e presidente do Condefesa, Mario Cezar Aguiar, o Brasil precisa fazer escolhas racionais, priorizar cadeias, formar capital humano e consolidar investimentos, para que no futuro possamos, de fato, ter protagonismo estratégico e geopolítico num mundo em constante mudança.
O presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário, defendeu que o país avance além da condição de detentor de reservas minerais e desenvolva uma cadeia produtiva completa. Para ele, o fortalecimento da mineração brasileira passa pelo conhecimento e pela criação de mecanismos de financiamento capazes de impulsionar investimentos nacionais.
Por último, o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Jefferson Gomes, mostrou resultados práticos de projetos brasileiros, como o MagBras, iniciativa liderada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) que busca desenvolver, em escala de demonstrador industrial, toda a cadeia de produção de ímãs permanentes - da extração do minério ao processamento, fabricação, reciclagem e atendimento da demanda nacional e internacional com tecnologia brasileira.
A iniciativa nasceu de estudos sobre vulnerabilidades estratégicas do Brasil e de outros países em cadeias produtivas consideradas essenciais, como a de baterias e materiais magnéticos. O projeto integra mais de 20 empresas, centros de pesquisa e indústria para desenvolver soluções nacionais e fortalecer competências tecnológicas em produtos de alto valor agregado.



