Conselho de Assuntos Legislativos da CNI debate impactos do tabelamento do frete sobre a economia

Durante o encontro, setores da indústria apresentaram dados e preocupações ao deputado Osmar Terra, relator da MP que estabelece a política do preço mínimo, convidado para a reunião
Deputado Osmar Terra entre Paulo Afonso, presidente do Conselho de Assuntos Legislativos da CNI, e Mônica Messenberg, diretora de Relações Internacionais da CNI

A indústria brasileira tem, ao longo das últimas semanas, reunido informações para mensurar os impactos da criação de uma tabela para o frete rodoviário sobre as atividades do setor. Nesta terça-feira (19), o Conselho de Assuntos Legislativos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) se reuniu para debater o atual cenário em face da tramitação da Medida Provisória nº 832, que estabeleceu a política de preços mínimos, com o relator da proposta, deputado Osmar Terra (MDB-RS), e também para apresentar efeitos que já podem ser sentidos no preço final de produtos e nas dificuldades para a retomada da produção.

Convidado para participar da reunião mensal do Conselho, Terra recapitulou o processo de negociação entre governo federal e caminhoneiros, que culminou na edição da MP, no fim de maio. Ele defendeu a tabela como medida necessária para pôr fim à greve e para restabelecer uma situação de estabilidade no país e relatou que as próximas semanas serão de negociações no Congresso Nacional para a construção de uma proposta que, segundo ele, seja fruto de diálogo. “A minha intenção é trabalhar por um acordo, com ninguém saindo prejudicado nessa questão”, disse.

Em uma breve apresentação, a CNI apresentou algumas conclusões de levantamento feito com federações estaduais e associações da indústria. A estimativa é de que o aumento médio no custo do frete para a indústria será de 38%, mas há casos em que a elevação no preço chegará a 250%. De forma geral, os setores mais impactados são aqueles de mercadorias de baixo valor agregado – como commodities agrícolas ou agregados para a construção civil –, nos quais o frete tem grande participação no preço final do produto. Para o consumidor final, a expectativa é de alta de 7,8%, em média, nos preços.

RELATOS – Alguns membros do conselho que representam setores da indústria apresentaram dados sobre a situação da atividade produtiva e perspectivas para o futuro próximo. Presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar lembrou que o transporte de soja foi paralisado por 15 dias, período no qual 7 milhões de toneladas do grão deixaram de ser transportadas para os portos brasileiros. “Há vários problemas que precisam ser resolvidos, mas de outra forma. Está faltando entender são outros problemas que vão derivar do tabelamento do frete”, ponderou.

Presidente da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA), João Dornellas afirmou que a tabela não é a melhor opção para solucionar o problema. Ele relembrou que, por falta de transporte, foram descartados mais de 300 milhões de litros de leite e que as empresas terão elevados custos para absorver por conta da paralisação e da política de preços mínimos. “Pesquisa que fizemos mostra um aumento médio de 29% no frete. A indústria não pode sofrer esse impacto do jeito que ele está colocado hoje”, disse.

DIÁLOGO – Durante cerca de duas horas, o deputado ouviu relatos e fez ponderações sobre a situação e as discussões que ocorrerão no Congresso Nacional, nos próximos dias. Ele assegurou que a CNI e setores da indústria serão ouvidos durante a tramitação da MP 832, assim como os demais afetados na questão. “Temos a obrigação de tentarmos resolver isso o mais rápido possível para não voltarmos a uma situação de dificuldade geral”, explicou.

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