Missão empresarial CNI-Apex Brasil visita fábrica da Airbus em Hamburgo

Grupo que está na Alemanha na Feira de Hannover foi apresentado às tecnologias de ponta e processos industriais da unidade onde são fabricadas as aeronaves A321 e A319

Integrantes da missão empresarial brasileira acompanham apresentação durante visita à Airbus, em Hamburgo.

Hamburgo - Grupo com 48 integrantes da missão empresarial à Alemanha, liderada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Apex Brasil, visitou nesta quinta-feira (23) a fábrica da Airbus, em Hamburgo. A planta é uma das principais da fabricante de aeronaves europeia e produz em média 60 aviões por mês, dos modelos A321 e A319.  

Os empresários conheceram todo o processo de fabricação e montagem das aeronaves, da finalização até a entrega para os principais clientes - as grandes companhias aéreas. A unidade tem uma pista de pouso e decolagem de mais de 3 km e uma fábrica de altíssima tecnologia, além do centro de engenharia da Airbus.

A missão empresarial participa da Feira de Hannover, que começou na segunda-feira (20) e termina nesta sexta (24). 

O empresário Yago Ramos, diretor da Resen Engenharia, de Resende-RJ, contou que a ida à Airbus não só contribuirá para uma visão sobre processos industriais como é a realização de um sonho. “Como engenheiro mecânico, sempre quis visitar uma fabricante de aviões. Estar na Airbus é uma oportunidade única de aprender, conhecer novas culturas e métodos de fabricação”, disse.

Ele também comentou sobre a participação na Feira de Hannover. “É uma oportunidade que permite trazer os nossos produtos e os nossos conhecimentos para o mercado europeu. É uma porta aberta que nos proporciona conhecimento para atender outros mercados, já que o mercado alemão é bem exigente”, avaliou Ramos. 

“O contato com outros profissionais, sejam eles alemães, brasileiros ou de outros países, é muito importante. Estou levando comigo uma bagagem de experiência para o Brasil, que vou poder aplicar na minha empresa e multiplicar para os meus colaboradores”, acrescentou.

O empresário Yago Ramos, da Resen Engenharia, durante visita à Airbus, em Hamburgo, onde acompanhou de perto processos de produção aeronáutica.

O manager da Hidro Industrial, Adelar Gomes da Luz, instalada em Pinhalzinho-SC, considera que as visitas a fábricas na Alemanha ajudam os empresários a entender processos tecnológicos de ponta. “Em uma companhia da grandeza da Airbus a gente vê excelência. Aqui a gente vê processos e cuidado com pessoas. É algo fantástico, que vai marcar o resto da minha vida”, disse. 

“Esse intercâmbio Brasil-Alemanha e também com outros países agrega muito conhecimento. Fazemos networking, eu penso que esse é um grande capital que levamos. Às vezes, a gente fica martelando com uma dificuldade, com um processo de qualquer que seja a área da sua empresa - seja no financeiro, seja comercial ou área de produção. Aí num bate-papo a gente aprende e leva uma solução para a casa”, contou Adelar Luz. 

O empresário Adelar Gomes da Luz, da Hidro Industrial, em frente à unidade da Airbus, em Hamburgo, durante missão empresarial brasileira à Alemanha.

Oportunidades de internacionalização e troca de experiência 

Para Victor Magalhães, CEO da startup TerraMares Biotecnologia de Algas, sediada em Rio Grande (RS), a experiência de conhecer tecnologias e os processos usados nas fábricas alemãs contribuirá para o seu dia a dia na empresa, inclusive com inovações que podem ser replicadas de alguma forma prática no Brasil.

“As visitas e a participação na Feira de Hannover são um grande catalisador de ideias, com players importantes e oportunidades de internacionalização da indústria, além da troca de experiência e desenvolvimento de aprendizado sobre a tecnologia cada vez mais avançada no setor industrial”, destacou Magalhães.

A empresa dele é especializada na coleta de cepas de água doce e salgada e em sua transformação para desenvolver produtos como bioinsumos e matéria-prima verde para a indústria. 

O empresário Victor Magalhães, da TerraMares, durante visita à Airbus, em Hamburgo, em agenda da missão empresarial brasileira na Alemanha.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Rio Grande do Sul (Sicepot-RS) e diretor da FIERGS, Rafael Sacchi, avalia que missões a países com indústrias avançadas como a Alemanha precisam ser incentivadas e realizadas por indústrias brasileiras. “O Brasil precisa entender que cases como a Feira de Hannover são fundamentais para aumentar a nossa capacitação. Precisamos ter gente operacional nessas missões e focar em grandes feiras para aprender o que o mundo está fazendo e copiar ou desenvolver algo parecido”, pontuou.

“O Brasil é um país de oportunidades. Pecamos por não fazer eventos como esse. Todos os países que se desenvolveram investiram massivamente em infraestrutura. Isso é visão de Estado. Precisamos de tecnologias que reduzam a operação administrativa e tornem as empresas mais produtivas”, completou Sacchi.

Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Rio Grande do Sul (Sicepot-RS) e diretor da FIERGS, Rafael Sacchi

Integrantes da missão empresarial também visitaram ao longo da semana as fábricas da Mercedes-Benz, em Bremen; a Claas, indústria de máquinas agrícolas, em Harsewinkel; a Volkswagen, em Wolfsburg; e nesta sexta um grupo irá a Igus, fabricante de componentes feitos de polímeros, em Colônia. 

Missão empresarial a Feira de Hannover 

Mais de 260 representantes da indústria brasileira, entre empresários e executivos, ficam até sexta-feira na Alemanha, quando termina a Hannover Messe – maior feira de tecnologia industrial do mundo. Os industriais participaram na segunda-feira (20) do 42º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA), o principal fórum bilateral do setor produtivo dos países, organizado pela CNI em parceria com a Federação das Indústrias Alemãs (BDI, na sigla em alemão). O evento teve as presenças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz. 

A missão empresarial é articulada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), no convênio entre a CNI e a ApexBrasil. A expectativa é que o intercâmbio com o empresariado alemão impulsione parcerias em áreas como digitalização, energia e manufatura avançada. Ricardo Alban considera que os desdobramentos da visita podem impulsionar a relação comercial entre os países, de forma a dobrar o fluxo de comércio dos atuais 20 bilhões de dólares para 40 bilhões de dólares daqui a 5 anos. 

Assista agora aos relatos de quem foi participar da Feira:

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