O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato do Novo à Presidência da República, abriu a série de diálogos com o setor industrial realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta segunda-feira (22), em Brasília. No encontro, Zema recebeu o documento “Construindo o Brasil 2050”, que reúne as prioridades da indústria para áreas como inovação, infraestrutura e sustentabilidade. Promovida a cada quatro anos, a iniciativa A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis oferece aos candidatos um espaço para apresentar propostas e ouvir demandas consideradas essenciais para o fortalecimento da competitividade nacional.
Primeiro a discursar no palco, Zema destacou a trajetória de mais de 30 anos como empreendedor antes de ingressar na vida pública. Ele afirmou que a experiência no setor privado é o diferencial necessário para gerir o país e defendeu uma gestão que não "criminalize o setor produtivo", mas que reconheça o papel da indústria e do comércio na sustentação da economia. O ex-governador relembrou que a motivação para entrar na política surgiu das dificuldades enfrentadas nas crises econômicas, que o levaram a realizar demissões em na própria empresa.
Zema apresentou três pilares para o plano de governo: um choque de moral e ética; o combate rigoroso aos gastos públicos; e o enfrentamento da criminalidade. Segundo o pré-candidato, a credibilidade é o primeiro passo para atrair investimentos. Nesse contexto, argumentou que, durante a gestão em Minas Gerais, não houve escândalos de corrupção porque a postura do "chefe" define a direção da administração pública. Ele também criticou o que chamou de "pacto pela mediocridade" e defendeu que o setor público deve servir ao cidadão, e não aos interesses de políticos.
Em relação ao mercado de trabalho, o candidato propôs modernizar as regras para ampliar a formalização e a competitividade. “Quero criar uma opção, regime de trabalho por hora, como acontece em todo país desenvolvido. Isso vai formalizar milhões de brasileiros que hoje não conseguem um contrato de trabalho formal”, afirmou Zema ao defender maior liberdade de escolha nos modelos de contratação. Para ele, a legislação atual é engessada e desestimula a geração de empregos formais, favorecendo a informalidade e a insegurança jurídica.
O pré-candidato também apontou a necessidade de promover reformas administrativa e previdenciária, além de revisar programas sociais. Zema argumentou que a redução da "gastança" pública é o único caminho para a queda dos juros, o que permitiria viabilizar projetos de infraestrutura hoje, de acordo com ele, travados pelo alto custo do capital. Para o ex-governador, investimentos em produtividade são fundamentais para elevar a renda da economia e tornar a indústria brasileira mais moderna.
Ao encerrar a participação, Zema afirmou que a segurança jurídica e a desburocratização são fundamentais para o desenvolvimento do país. Ele destacou que, em Minas Gerais, a simplificação do licenciamento e a proximidade com a Federação da Indústria do Estado de Minas Gerais (FIEMG) permitiram avanços econômicos mesmo em regiões menos desenvolvidas. O ex-governador concluiu afirmando que o Brasil tem jeito, mas que a mudança real virá de quem compreende a realidade de quem produz e investe no país. Confira aqui a íntegra das propostas.



