"Indústria precisa estar no centro da estratégia de desenvolvimento", diz Alban a presidenciáveis

Presidente da CNI elencou 3 premissas imprescindíveis para o país em evento da CNI com pré-candidatos ao Planalto: reforçar política macroeconômica, ações de desenvolvimento produtivo e redução do Custo Brasil

Foto: Iano Andrade / CNI

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou nesta segunda-feira (22) que a revitalização da indústria é o caminho para que o Brasil retome o caminho da competitividade e crie empregos de qualidade que proporcionem renda mais elevada. No discurso de abertura do evento A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis, promovido pela CNI, em Brasília, Alban ressaltou a importância do setor para o crescimento econômico brasileiro.

“Para construir o Brasil que sonhamos, precisamos colocar a indústria, em especial a indústria de transformação, no centro da nossa estratégia de desenvolvimento. A indústria está atenta e disposta a participar desse importante debate. Estamos preocupados com os rumos da economia, e temos avaliado as condições necessárias para acelerar o crescimento econômico e para melhorar a renda e a qualidade de vida da população”, enfatizou Ricardo Alban.

O evento realizado pela CNI reúne nesta tarde três pré-candidatos ao Palácio do Planalto, que falarão em momentos diferentes para um público de líderes industriais sobre os desafios e oportunidades para o desenvolvimento do país. Estarão ao longo da tarde no Centro de Convenções Ulysses Guimarães os presidenciáveis Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Flávio Bolsonaro (PL).

Os três pré-candidatos receberam o documento Construindo o Brasil 2050, que reúne propostas prioritárias da indústria. O material traz recomendações em áreas estratégicas, como agenda macroeconômica, política industrial, inovação, cooperação internacional, energia, infraestrutura de transportes, sustentabilidade, sistema tributário, segurança jurídica, entre outros temas essenciais para o fortalecimento da economia e a competitividade do Brasil.

A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis 2026

Agenda pró-crescimento

Para Ricardo Alban, o fortalecimento do setor industrial, a recuperação da economia e a inserção do Brasil no grupo de países de renda alta requer a adoção de uma agenda pró-crescimento baseada em três premissas, que precisam ser implementadas simultaneamente: política macroeconômica favorável ao crescimento vigoroso e sustentado; ações de desenvolvimento produtivo que estimulem os investimentos e a produtividade; e medidas que ajudem a eliminar o Custo Brasil e a melhorar o ambiente de negócios.

O presidente da CNI sustentou que o Brasil precisa de uma agenda de Estado de longo prazo para desenvolver sua economia e superar obstáculos que impedem o crescimento nacional. Ele observou é preciso reverter o processo contínuo de desindustrialização, que reduziu a participação da indústria de transformação brasileira no PIB de 35,9%, em 1985, para 13,7%, em 2025.

“Devemos enfrentar as amarras estruturais que encarecem a produção no país. O Custo Brasil drena a capacidade de investimento das empresas, afasta o capital produtivo e aumenta os preços dos produtos e serviços consumidos pelos brasileiros”, pontuou Alban.   

O presidente da CNI também mencionou reformas fundamentais para o avanço do país, como a modernização do setor elétrico, o reequilíbrio da matriz de transporte, a conclusão de obras paradas, a modernização das relações de trabalho, a criação de condições de financiamento adequadas e regras tributárias que favoreçam os investimentos produtivos, além do controle de gastos públicos, a redução do spread bancário e dos juros.

“O Estado precisa garantir um ambiente de negócios pautado pela estabilidade das regras e por agências reguladoras fortalecidas e independentes que assegurem o bom funcionamento dos mercados”, destacou. “A indústria está pronta para fazer a sua parte. Esperamos que o poder público também escolha planejar e executar, em vez de apenas improvisar”, completou Alban.

A indústria na Agenda dos Presidenciáveis

A cada quatro anos, a CNI realiza encontro com presidenciáveis. De forma democrática, a instituição oferece um espaço de diálogo para que os pré-candidatos à Presidência da República apresentem aos empresários suas visões sobre o país e como pretendem tratar as principais questões que afetam o dia a dia dos brasileiros.

Para o presidente da CNI, a participação ativa da indústria no debate eleitoral é essencial para assegurar que temas estratégicos estejam presentes na agenda dos candidatos.

Ao oferecer propostas concretas e tecnicamente embasadas, a CNI contribui para a construção de políticas mais eficazes, alinhadas às necessidades do setor produtivo e da sociedade, além de fornecer subsídios para a incorporação de medidas nos programas de governo e para a orientação dos trabalhos das equipes de transição.

O documento Construindo a Indústria 2050, que já está disponível nesse link, tem como objetivo contribuir para o debate eleitoral e para a formação de políticas capazes de ampliar a produtividade, estimular investimentos e fortalecer a capacidade de crescimento sustentável da economia brasileira. Ele é dividido em três eixos:

  • Ambiente macro, que engloba o cenário internacional e a política fiscal e equação inflação-câmbio-juros;
  • Desenvolvimento produtivo, abordando a política industrial, comercial e acesso a mercados, bem como cooperação e transferência tecnológica comercial, inovação, formação de recursos humanos, desenvolvimento regional e meio ambiente;
  • Custo Brasil, que engloba energia, transporte e logística, tributação, financiamento, relação de trabalho, segurança, integridade de mercado e ambiente regulatório.

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