CNI participa de debates sobre o futuro do trabalho na Conferência Internacional da OIT

Encontro em Genebra reuniu representantes para discutir plataformas digitais, igualdade de gênero, diálogo social e aplicação das normas internacionais do trabalho

Foto: Divulgação / CNI 

Confederação Nacional da Indústria (CNI) participou da 114ª Conferência Internacional do Trabalho, realizada na última semana, em Genebra, na Suíça. Promovido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), o encontro reuniu representantes de governos, empregadores e trabalhadores dos 187 Estados-membros. 

Como integrante da bancada dos empregadores na delegação brasileira, a CNI acompanhou as discussões realizadas nas comissões tripartites da conferência. Os grupos abordaram desafios e transformações do mundo do trabalho, com foco em temas como plataformas digitais, diálogo social e tripartismo, igualdade de gênero no trabalho e aplicação de normas da OIT. 

Para o vice-presidente da Organização Internacional de Empregadores (OIE) e presidente do Conselho de Relações do Trabalho da CNI, Alexandre Furlan, a participação da CNI é fundamental para que a perspectiva da indústria brasileira esteja presente nas negociações. “É um espaço de diálogo entre governos, empregadores e trabalhadores, no qual buscamos contribuir para a construção de soluções equilibradas, que promovam proteção social, segurança jurídica, inovação e desenvolvimento econômico”, afirma. 

Trabalho Decente na Economia de Plataformas 

Durante a Conferência, foi aprovada a Convenção sobre Trabalho Decente na Economia de Plataformas. O novo instrumento internacional reconhece, que embora o setor gere oportunidades de trabalho e renda, também transforma as relações de trabalho e exige normas específicas. A Convenção prevê medidas relacionadas à segurança e saúde, remuneração, proteção social, combate à violência, além de regras para o uso transparente de sistemas automatizados e algoritmos pelas plataformas. Também orienta os países a adotarem mecanismos de fiscalização e solução de conflitos, com o foco no trabalho decente e na concorrência justa na economia de plataformas. 

As negociações sobre diálogo social e tripartismo trataram da participação de governos, empregadores e trabalhadores na construção de políticas públicas no âmbito trabalhista. Também foram discutidos o papel da negociação coletiva e a importância da cooperação diante das transformações tecnológicas, econômicas e produtivas.  

Em relação à discussão de igualdade de gênero no trabalho, a Conferência reconheceu o tema como um direito humano essencial para a justiça social, o desenvolvimento sustentável e a produtividade das empresas. A resolução aprovada recomenda o fortalecimento de marcos legais, do diálogo social e dos investimentos em políticas capazes de acelerar a igualdade no mundo do trabalho. 

A participação da CNI reforçou a presença da indústria brasileira no ambiente tripartite internacional, contribuindo para o diálogo e a construção de entendimentos sobre os desafios e transformações do mundo do trabalho, ao mesmo tempo em que apoiou a formulação de diretrizes e normas alinhadas às diferentes realidades econômicas e às demandas por equilíbrio entre desenvolvimento produtivo, proteção social e cooperação entre os atores envolvidos. 

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