Em meio aos juros altos e à necessidade de financiar o pagamento de despesas do dia a dia, como matérias-primas, salários e impostos, uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (3) revela que 39% das empresas consultadas projetam alta da dívida bancária nos próximos três meses.
“Mesmo depois dos três cortes de juros que tivemos em 2026, a taxa Selic continua muito alta e isso tem consequências negativas sobre a atividade industrial. Os resultados mostram que as empresas esperam uma maior pressão financeira nos próximos meses. Nesse cenário, os empresários esperam não só aumentar a tomada de crédito, mas fazer isso a um custo ainda mais alto”, avalia Maria Virginia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI.
Confira a análise completa sobre a pesquisa na sonora de Maria Virginia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI:
Crédito mais caro para bancar o dia a dia
Segundo o levantamento, mais da metade das empresas respondentes (53%) acredita que será necessário aumentar a busca por crédito para o financiamento de contas a pagar, estratégia utilizada para honrar compromissos com fornecedores, tributos e despesas operacionais, garantindo capital de giro e evitando multas. Além disso, mais de um terço (38%) dos empresários consultados pela CNI espera tomar esses recursos a juros mais altos.
A pesquisa também buscou entender a necessidade de financiamento em contas a receber, que surge quando uma empresa vende produtos a prazo, mas precisa de dinheiro imediato para pagar despesas do dia a dia. Nos próximos três meses, 47% dos empresários ouvidos devem intensificar a tomada de crédito para cobrir esse buraco no fluxo de caixa. O recurso captado deve vir a um custo mais elevado para 42% dos industriais consultados.
Quanto à necessidade de financiamento para gerenciar os estoques, 42% das empresas preveem aumentar a tomada de crédito para comprar, produzir ou manter mercadorias e insumos armazenados até que eles sejam vendidos ou utilizados no processo produtivo, enquanto apenas 13% esperam reduzir. Ao todo, 42% dos respondentes acreditam em elevação dos juros cobrados pelos bancos para financiar o estoque produtivo.
De acordo com o gerente de Política Econômica da CNI, Kleber de Castro, apesar da redução dos juros, a política monetária é bastante restritiva, quadro que ajuda a entender os resultados da consulta.
“A percepção empresarial de custos financeiros elevados e viés de alta nos juros das operações de crédito é consistente com o ciclo de política monetária em curso: o ritmo de flexibilização é gradual, a taxa de juros real ex-ante segue próxima a dois dígitos e a transmissão da política monetária ao custo do crédito produtivo opera com defasagens que limitam qualquer alívio dentro do horizonte de três meses coberto pela consulta”, aponta.
Margens apertadas e preços em alta
Os dados também refletem uma percepção predominantemente negativa dos empresários sobre a rentabilidade das empresas no curto prazo. Mais da metade deles (58%) prevê redução da margem líquida nos próximos três meses. A margem líquida nada mais é do que o percentual de lucro líquido em relação ao faturamento.
Em consequência disso, 37% das empresas devem aumentar os preços de venda no período, enquanto 51% devem mantê-los.
Sobre a Consulta Empresarial
Nessa edição, foram consultadas 191 empresas industriais entre 13 e 24 de julho de 2026, distribuídas por 30 setores industriais em 20 unidades federativas.



