Missão Empresarial da FIEMA visita Centro de Lançamento de Alcântara

Empresários defendem acordo entre Brasil e Estados Unidos. Oportunidade abre caminho para destravar outras agendas para o desenvolvimento do país e geração de recursos
Comitiva em frente à torre de lançamento

Empresários industriais e diretores da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), além de representantes do setor empresarial como FCDL, Fecomércio, Faema, Sebrae-MA, participaram de uma Missão Empresarial para Alcântara, a 97,3km da capital, São Luís, para conhecer o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

O objetivo foi apresentar à classe empresarial as expectativas de demandas decorrentes do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) para uso comercial da Base de Lançamentos Aeroespaciais de Alcântara, firmado recentemente entre Brasil e Estados Unidos que possam vir a beneficiar as empresas com fornecimento de bens e serviços para o projeto.

Coronel Aviador Marco Antônio Carnevale Coelho, diretor do Centro, apresenta aos empresários o trabalho desenvolvido no local

A missão empresarial conheceu de perto o modelo que deve ser adotado no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Os empresários foram recebidos pelo Coronel Aviador Marco Antônio Carnevale Coelho, diretor do Centro, e pelo Coronel Aviador Rodrigo Fontes, vice-diretor, que apresentaram o projeto vislumbrado com o AST e a importância do acordo de salvaguarda. Os oficiais também apresentaram toda a estrutura disponível como a Torre de Lançamento, a Casa Mata, o Centro Técnico e a Sala de Comando das Operações.

O diretor do CLA disse que a expectativa é que o AST seja ratificado no Congresso para que os avanços em todos os sentidos beneficiem não somente Alcântara, como todo o Brasil. “As condições foram colocadas e estamos em um bom momento. O projeto que a gente idealiza é o mesmo que a gente implantou em São José dos Campos (SP), quando agregamos a indústria, o governo e a academia”, destacou ele.

“Isso é a coordenação da indústria, universidade, imprensa e governo em prol de um objetivo. Sem esse pilar, o programa não poderá decolar. Uma visita nessa dimensão ao Centro, além de trazer uma motivação significativa, representa a consolidação desse sustentáculo”, comentou Carnevale.

Ele frisou ainda que, com o Acordo de Salvaguardas, a região de Alcântara se transformará em uma grande locomotiva. “Nós temos condições de atender em escala global essa demanda do segmento espacial. A ratificação levaria a esse passo importante para o Brasil”, salientou o oficial.

A comitiva visitou uma das salas de controle do Centro de Lançamento de Alcântara

VALOR DE MERCADO – De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a importância estratégica do AST, com os lançamentos comerciais de satélites, movimenta bilhões de dólares por ano. Apenas em 2017, foram US$ 3 bilhões, US$ 500 milhões a mais do que no ano anterior, segundo dados da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos, compilados pela CNI.

Estima-se uma média de 42 lançamentos comerciais de satélites por ano até 2026, o que torna positivo o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas entre Brasil e Estados Unidos, em especial pelo potencial de atração e geração de negócios em torno do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

“O Brasil vai entrar no mercado de lançamento de satélites. Há anos, o Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos aguarda o acordo de salvaguardas com os americanos. Nossa expectativa é de que passaremos a exportar serviços relacionados a essa indústria. O sentimento que temos é da importância desse projeto para o Brasil, tendo em vista a consolidação dos grandes investimentos que já foram feitos, além da abertura do país no setor aeroespacial. Esse acordo beneficia não só o lançamento de foguetes como outras atividades, como o comércio e o turismo, que podem criar um ambiente de desenvolvimento de toda a região!”, destacou o presidente da FIEMA, Edilson Baldez das Neves depois da visita ao CLA.

Pesquisa da CNI mostra que pelo menos 134 grupos de produtos brasileiros serão beneficiados com o acordo de livre comércio com os Estados Unidos, reduzindo a carga tributária para investimentos bilaterais, em comércio e em serviços, além de diminuir a tributação na remessa de dividendos de empresas brasileiras nos Estados Unidos. Há vantagens também para baratear o pagamento de royalties e a importação de serviços.

Os Estados Unidos são o segundo destino das exportações de bens do Brasil e o primeiro destino das vendas de serviços brasileiros, para onde vão mais de 55% das exportações nacionais, e também, a primeira origem de importações. Mais de 21% do total de Investimento Estrangeiro Direto no Brasil são de americanos e o Brasil é o principal destino dos investimentos americanos na América do Sul.

O acordo precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional para ter efetividade, mas antes é analisado pela Câmara dos Deputados em três comissões.

CARTA – Em julho deste ano, o presidente da FIEMA enviou carta-ofício ao Governador Flávio Dino, solicitando apoio para que a Bancada Maranhense se engaje na aprovação desta importante demanda de interesse local e nacional, que proporcionará geração de renda e milhares de postos de trabalho para a população do município.

“Caso aprovado, esse acordo colocará o Maranhão no negócio aeroespacial mundial e criará um mundo novo de alta tecnologia e inovação, agregando exponencial valor à economia maranhense.  Esse novo futuro projeta com as demandas dos empreendimentos que aportarão em nosso território e os negócios provenientes desses contratos da indústria aeroespacial, a atração de alguns bilhões de dólares para o estado, consolidando uma cadeia de tecnologia de elevada complexidade, integrando os segmentos aeronáutico, espacial e de defesa”, destaca Baldez na carta, ressaltando que esse segmento da indústria é um dos que mais ocupa mão de obra qualificada, gerando desenvolvimento tecnológico e demanda por produtos de grande sofisticação, e abrindo também para Alcântara potencialidades nas áreas de turismo, arte, gastronomia, hotelaria, lazer, cultura e serviços, entre tantas probabilidades de empreendedorismo.  

Segundo o presidente do Sinduscon-MA, Fábio Nahuz, que também é vice-presidente da FIEMA, a visita gera muita esperança. “Esse é o alento da sociedade maranhense e temos vários investimentos e precisamos apostar, porque isso vai fazer com que o Maranhão apareça para todo o mundo e vai movimentar diversas cadeias, principalmente, a indústria da construção para que tenha maior pujança e força no nosso Estado”.

O vice-prefeito de Alcântara, João Francisco Leitão, o Sargento Leitão (PMN), que acompanhou a comitiva juntamente com o vereador Antônio Rosa, destacou a importância da visita empresarial e do CLA para Alcântara. “Somos parceiros do CLA e da FIEMA nessa importante ação que pode mudar os rumos da cidade e da região com o desenvolvimento sustentável e econômico”, destacou Leitão.

Também presente à missão, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Maranhão (Faema) e do conselho deliberativo do Sebrae-MA, Raimundo Coelho disse que a visita foi importante para todas as entidades. “Estamos todos aqui representados olhando para o tamanho e a importância desse empreendimento, onde estamos dependendo da classe política aprovar esse acordo para viabilizar diversas oportunidades de negócios no Maranhão, via Alcântara”.   

CLA - A base de Alcântara é a mais bem localizada em todo o planeta, por estar apenas dois graus ao sul da linha do Equador. Um foguete lançado a partir dela gasta 30% menos combustível para colocar uma carga em órbita do que se lançado da Flórida, por exemplo, onde está situada a melhor base americana. A menor demanda energética possibilita um acréscimo de até 30% no peso transportado.

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