Mexe no celular enquanto assiste TV? Isso é second screen

No hábito inaugurado pela combinação entre a proliferação de smartphones e o aumento substancial da conexão à internet dos últimos anos, emissoras de TV e anunciantes reconhecem oportunidades

Se você consulta as redes sociais no tablet enquanto escuta o áudio do telejornal ou elege sua banda favorita do concurso exibido na TV num aplicativo do celular, é mais um(a) protagonista do second screen. Ou da segunda tela em bom português, o fenômeno que consiste em acessar conteúdos num dispositivo enquanto se assiste um programa em outro. No XXXIV Congresso de Propriedade Intelectual da ABPI – Associação Brasileira da Propriedade Intelectual, termina hoje (26) em São Paulo – SP, esse hábito foi discutido por especialistas em tecnologia e direito.

As possibilidades de aliar a navegação em sites e aplicativos ao consumo de novelas, telejornais, programas esportivos e de entretenimento são incontáveis. “Enquanto vê o jogo o seu time na TV, você pode consultar a tabela do campeonato, saber mais sobre o adversário e descobrir curiosidades sobre os jogadores no celular”, exemplifica Cláudio Vasconcelos, do escritório Lins de Vasconcelos Sociedade de Advogados.

No hábito inaugurado pela combinação entre a proliferação de smartphones e o aumento substancial da conexão à internet dos últimos anos, emissoras de TV e anunciantes reconhecem oportunidades. No Brasil, recentemente a TV Globo produziu o Superstar, um programa de concurso de bandas, em que o voto popular só podia ser concedido por meio de um aplicativo disponível para tablets e celulares. A interação do público acontecia simultaneamente à veiculação dos episódios ao vivo e garantiu uma nova temporada para o programa em 2015.

Já nos Estados Unidos, a Coca-Cola usou o second screen em comerciais exibidos no intervalo do Superbowl. Durante a veiculação do comercial, o público era convidado a enviar comentários e fotos para um hotsite que reproduzia o conteúdo na sequência com interações dos ursos polares da marca. “Oportunidades bem aproveitadas no universo do second screen permitem que a publicidade seja mais focada e efetiva, que haja uma circulação muito maior de informações, e tudo isso o mercado a produzir. O ecossistema audiovisual fica mais rico”, afirma Cláudio Vasconcelos.

Considerando a atenção que as pessoas podem dedicar a um ou vários conteúdos é escassa, a disputa pela audiência entre redes sociais, sites, emissoras e os financiadores desses canais, os anunciantes, torna-se cada vez mais “canibal” na opinião de Roberta Westin, mestre em Propriedade Intelectual e Tecnologia da Informação. Não obstante, o volume de conteúdos disponíveis gera uma necessidade de curadoria por parte do internauta-espectador, totalmente protagonista – e não mais meramente receptor e passivo - do consumo dessas informações.

Alertas e continuidade - Para surfar na onda do second screen, como empresas, anunciantes e organizações farão uso dos dados gerados pelos usuários? Essa é a maior preocupação por parte dos especialistas que estudam o fenômeno, que ainda pode ser potencializado. Atualmente, plataformas, softwares e aplicativos proprietários que não dialogam com todos os dispositivos ainda retardam o diálogo entre as telas.

Saiba mais
Sobre o evento - outros debates sobre leis, mercados, sistemas e tendências relacionadas ao universo da propriedade intelectual acontecem no XXXIV Congresso de Propriedade Intelectual da ABPI. Acompanhe a cobertura do evento no blog de propriedade intelectual da CNI – Confederação Nacional da Indústria http://www.propintelectual.com.br/ e no site da ABPI http://www.abpi.org.br/.


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