No segundo dia do Encontro Nacional de Gestores do Procompi, em Salvador, cheguei cedo, e o ambiente já era outro. As conversas estavam mais soltas, os gestores mais conectados. No solo baiano, onde tudo convida à troca, a manhã ganhou ritmo de construção coletiva: era hora de olhar para frente, pensar no futuro do Procompi e no papel das pequenas indústrias no Brasil.
Para Taís Tessari, analista de Competitividade do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a essência do programa é justamente essa capacidade de alinhar forças.
“Essa parceria só se realiza em função da cooperação entre instituições que têm o mesmo propósito. O Sebrae traz o olhar do pequeno negócio, a CNI o olhar setorial. Esses momentos são fundamentais para alinhar estratégias e direcionar ações. Andar junto significa definir prioridades em cooperação, desde o início, e fortalecer nossa atuação olhando para o futuro”, declara Tessari.
O Encontro de Gestores 2025 do Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Indústrias (Procompi) é feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Sebrae Nacional e Bahia, a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) e o Instituto Euvaldo Lodi Bahia (IEL-BA).
É preciso olhar pra dentro: conheça cases de sucesso!
Goiás – Digitalização para Indústria de Alimentos
O dia no evento começou com a apresentação de cases de sucesso que mostram como pequenas indústrias podem crescer e se transformar.
Vanessa Barbosa, gestora do Procompi em Goiás pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), apresentou o projeto Vendas Digitais para a Indústria de Alimentos. A iniciativa ofereceu uma trilha de conhecimento em marketing e ferramentas digitais, abordando WhatsApp Business, Canva, cardápio digital e fotografia de produtos.
Com o projeto, o número de vendas digitais saltou de 238 para 949, o ticket médio cresceu de R$ 49,50 para mais de R$ 100, e o faturamento digital aumentou mais de oito vezes, chegando a R$ 95 mil.
“O mercado mudou, e o pequeno empresário muitas vezes acha que não consegue acompanhar. A gente fala muito hoje em transformação digital, e isso cria uma confusão na cabeça dele, achando que são grandes ações, quando, na verdade, pequenas ações são as que fazem a diferença e trazem resultados”, explica Vanessa Barbosa.
Rio Grande do Norte – Transformação Digital Multissetorial
Na sequência, a gestoras da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), Kesiane Santana, e do Sebrae-RN, Ana Lívia, compartilharam o projeto multissetorial de transformação digital para micro e pequenas indústrias do Rio Grande do Norte. Com 31 empresas participantes e 54 pessoas capacitadas, abrangendo 13 setores industriais, o impacto foi imediato:
- Uma empresa ampliou sua base de clientes de 3 mil para 6 mil (+100%);
- Uma recicladora economizou 13 horas mensais com automação de atas de reuniões;
- Uma indústria alimentícia lançou uma campanha criada por IA em menos de 10 minutos.
“Transformação digital não é só tecnologia. É levar o negócio para as redes sociais, fazer campanhas e se conectar com o público online. Tudo isso aumenta eficiência, produtividade e presença digital em empresas de qualquer porte”, afirmou Kesiane Santana.
“Um programa maior, um programa mais estratégico” - Kelly Valadares, Coordenadora de Indústria do Sebrae Nacional
No encontro, Kelly Valadares também reforçou o programa Juntos Pela Indústria, que une Sistema Indústria e Sebrae a criarem um portfólio unificado para fomentar inovação e tecnologia.
“Trabalhar em parceria exige cuidado com a gente mesmo – um autocuidado – e com o outro. Pela primeira vez, o Sistema Indústria se une em uma liderança histórica, olhando para nossas convergências”, afirmou Kelly Valadares, Coordenadora de Indústria do Sebrae Nacional.
Na prática, a proposta também se conecta a programas já em andamento. Segundo Patrícia Martins, gerente de Operações de Inovação e Tecnologia do SENAI, a sinergia entre o Juntos pela Indústria e o Brasil Mais Produtivo abre caminho para que micro e pequenas empresas trilhem jornadas completas de transformação.
“A ideia é que a empresa entre na plataforma de produtividade, percorra as modalidades e saia transformada, com ganhos reais e sustentáveis”, explicou Patrícia.
O Núcleo de Acesso ao Crédito (NAC) também se soma ao movimento. Valentina Carpes Braga, analista da CNI, lembrou que o programa atua há 10 anos nas federações de indústria em todos os estados. “O NAC está aí para levar informação e apoiar o uso correto do crédito, aumentando a competitividade das pequenas indústrias.”
O novo Procompi
Com os resultados obtidos no encontro e os canais de diálogo abertos, abriram-se também as portas para a construção do Novo Procompi.
“O novo ciclo do Procompi estará cada vez mais conectado com as tendências globais. Nosso objetivo é trazer oportunidades, programas e conexões do ecossistema brasileiro para atender ainda melhor o empresário de pequeno porte”, afirmou Suzana Peixoto, coordenadora nacional do Procompi pela CNI.
Encerro a cobertura do Encontro de Gestores do Procompi com uma nova visão de futuro para as pequenas indústrias. Aqui, vimos na prática a rede de apoio criada para atender quem mais pode e deve crescer. Por isso, me despeço com uma missão, comunicar os próximos passos para um Procompi ainda maior do que o que temos hoje.
Confira mais fotos do encontro no Flickr da CNI:







